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Avicultura

Preço do frango fica estável, mas excesso de oferta mantém risco de queda no mercado brasileiro

Atacado e frango vivo encerram a semana sem alterações relevantes, porém demanda enfraquecida e maior fragilidade no Nordeste pressionam o setor; exportações avançam e sustentam as cotações


Publicado em: 28/08/2026 às 16:00hs

Preço do frango fica estável, mas excesso de oferta mantém risco de queda no mercado brasileiro
Foto: Ari Dias

O mercado brasileiro de frango registrou estabilidade nos preços do atacado e do animal vivo durante a semana. Apesar disso, a elevada disponibilidade interna e o consumo mais fraco mantêm a perspectiva de queda nas cotações, especialmente na Região Nordeste.

Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, o setor continua apresentando uma oferta elevada de animais. O cenário reforça a necessidade de ajustes nos alojamentos para recuperar o equilíbrio entre produção e demanda.

No atacado, os preços permanecem pressionados após as quedas registradas na semana anterior. A segunda quinzena de agosto também segue desafiadora para o consumo, limitando uma recuperação mais consistente das cotações.

Excesso de oferta pressiona mercado de frango

A disponibilidade elevada de animais representa um dos principais fatores de pressão sobre o mercado doméstico. Mesmo com os preços estáveis nesta semana, o equilíbrio entre oferta e demanda permanece frágil.

Na avaliação de Iglesias, ajustes nos alojamentos serão importantes para reduzir a disponibilidade futura e evitar uma deterioração mais acentuada dos preços pagos ao produtor.

A situação inspira maior cautela no Nordeste, onde o mercado demonstra fragilidade mais intensa. A combinação de demanda enfraquecida e oferta abundante amplia o risco de recuos nas próximas negociações.

Consumo fraco limita recuperação das cotações

A demanda por carne de frango perdeu força na segunda metade de agosto, período tradicionalmente marcado por menor poder de compra das famílias. Esse comportamento dificulta o escoamento da produção e pressiona os preços no atacado.

Apesar da recente desvalorização, a carne bovina continua negociada em níveis elevados. Essa diferença favorece a competitividade das proteínas mais acessíveis, principalmente o frango, que permanece como alternativa para os consumidores diante do preço elevado da carne bovina.

Essa vantagem, porém, ainda não foi suficiente para absorver toda a disponibilidade interna e provocar uma recuperação das cotações.

Custos com ração e risco de El Niño preocupam avicultura

Os custos da nutrição animal continuam entre as principais variáveis acompanhadas pelo setor. Milho e farelo de soja representam parcela relevante das despesas na produção de frangos e podem influenciar diretamente as margens dos avicultores.

As incertezas no mercado de grãos e a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade aumentam a preocupação. O fenômeno climático pode afetar o desenvolvimento das lavouras, alterar a disponibilidade de milho e soja e provocar maior volatilidade nos custos da ração.

Nesse contexto, produtores e agroindústrias precisam administrar simultaneamente o risco de queda na receita e a possibilidade de elevação dos custos produtivos.

Preços dos cortes congelados permanecem estáveis em São Paulo

O levantamento da Safras & Mercado mostrou estabilidade nos preços dos cortes congelados comercializados no atacado paulista.

O quilo do peito permaneceu cotado a R$ 8,10, enquanto a coxa foi negociada a R$ 6,50 e a asa a R$ 11,50.

Na distribuição, o peito continuou valendo R$ 8,30 por quilo. A coxa permaneceu em R$ 6,70, enquanto a asa foi comercializada a R$ 11,75 por quilo.

Cortes resfriados também não apresentam alterações

Os preços dos cortes resfriados permaneceram inalterados ao longo da semana.

No atacado, o peito foi negociado a R$ 8,20 por quilo, a coxa a R$ 6,60 e a asa a R$ 11,60.

Na distribuição, o quilo do peito ficou em R$ 8,40. A coxa permaneceu cotada a R$ 6,80 e a asa a R$ 11,85.

Embora a estabilidade interrompa momentaneamente os recuos, o setor ainda enfrenta dificuldade para sustentar uma reação, principalmente diante do ritmo mais lento das vendas.

Frango vivo mantém preços nas principais regiões produtoras

O mercado do frango vivo também encerrou a semana sem mudanças nas principais praças acompanhadas pela Safras & Mercado.

Em São Paulo, o quilo permaneceu em R$ 5. Na integração do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a cotação continuou em R$ 4,75. No oeste do Paraná, o valor ficou em R$ 4,65.

Em Mato Grosso do Sul e Goiás, o frango vivo foi negociado a R$ 4,55 por quilo. Minas Gerais e Distrito Federal mantiveram a referência de R$ 4,60.

No Nordeste, o Ceará registrou preço de R$ 5,50 por quilo, enquanto Pernambuco permaneceu em R$ 6. No Pará, a cotação ficou em R$ 6,40.

Exportações brasileiras de carne de frango crescem em agosto

O desempenho das exportações continua sendo o principal fator de sustentação do mercado brasileiro. Nos primeiros 15 dias úteis de agosto, os embarques de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas renderam US$ 673,768 milhões.

A receita média diária alcançou US$ 44,917 milhões, avanço de 44,1% em relação à média registrada em agosto de 2025.

O Brasil exportou 337,901 mil toneladas no período, com média diária de 22,526 mil toneladas. Na comparação anual, a quantidade média embarcada cresceu 26,6%.

O preço médio das exportações ficou em US$ 1.994 por tonelada, resultado 13,8% superior ao observado no mesmo mês do ano passado. Os números foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Brasil pode exportar mais de 5,65 milhões de toneladas em 2026

O ritmo dos embarques reforça a possibilidade de o Brasil superar 5,65 milhões de toneladas exportadas de carne de frango em 2026, conforme avaliação da Safras & Mercado.

A demanda internacional ajuda a retirar produto do mercado interno, reduz a pressão causada pelo excesso de oferta e sustenta as receitas dos frigoríficos. Sem esse desempenho externo, o cenário doméstico poderia apresentar uma pressão ainda mais intensa sobre as cotações.

Para as próximas semanas, o comportamento do mercado dependerá principalmente do consumo interno, do ritmo das exportações, dos ajustes nos alojamentos e da evolução dos custos de milho e farelo de soja.

Apesar da estabilidade atual, o setor ainda opera sob risco de queda. A recuperação mais consistente dos preços dependerá de uma redução da oferta ou de uma melhora da demanda, especialmente nas regiões em que o mercado apresenta maior fragilidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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