Bolsas globais caem com temor sobre inteligência artificial; Ibovespa futuro recua após quatro quedas
Bolsas asiáticas encerram outubro sob forte venda de papéis ligados à inteligência artificial; no Brasil, investidores avaliam balanço da Vale, desemprego de 5,2% e cenário fiscal
Publicado em: 30/10/2026 às 10:55hs
O mercado financeiro brasileiro iniciou a sexta-feira (30) sob pressão, acompanhando a cautela internacional com as ações de tecnologia. Antes da abertura do mercado à vista da B3, o Ibovespa futuro recuava e o dólar avançava acima de R$ 5,41.
Às 9h40, no horário de Brasília, o Ibovespa futuro caía 0,91%, para 169.690 pontos. No câmbio, o dólar comercial havia alcançado R$ 5,415 às 9h25, alta de 0,51%. Esses registros antecedem a abertura das negociações de ações e não representam a cotação do Ibovespa à vista.
No exterior, as bolsas chinesas fecharam em baixa, enquanto Japão, Coreia do Sul e Taiwan também registraram perdas. A preocupação com o retorno dos investimentos em inteligência artificial manteve os investidores seletivos no último pregão de outubro.
China encerra mês com forte queda das ações
O Shanghai Composite caiu 1,44%, para 3.599 pontos, enquanto o CSI300, que reúne grandes companhias de Xangai e Shenzhen, recuou 1,39%, para 3.985 pontos.
Com o resultado, o CSI300 acumulou queda de 8,5% em outubro, seu pior desempenho mensal desde o início de 2016. Nas últimas 12 semanas, a perda chegou a aproximadamente 15%.
Os papéis ligados à inteligência artificial lideraram a pressão. O STAR50 de Xangai perdeu 5,5%, e o índice de empresas de comunicações 5G caiu 6,2%. Na direção contrária, o setor de bens de consumo básico avançou 2%, refletindo a procura por segmentos considerados mais defensivos.
Em Hong Kong, o movimento foi diferente: o Hang Seng subiu 1,46%, para 23.294 pontos, apoiado pelo desempenho de empresas financeiras e incorporadoras.
Japão e Coreia recuam com venda de tecnologia
No Japão, o Nikkei caiu 2,12%, para 63.290 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 3,48%, para 5.730 pontos, com pressão sobre fabricantes de semicondutores.
Em Taiwan, o Taiex recuou 2,49%, para 45.211 pontos. O índice de Singapura caiu 0,42%, enquanto o australiano S&P/ASX 200 avançou 0,18%.
A rodada de vendas acompanha o aumento das dúvidas sobre a capacidade das empresas de transformar os elevados gastos com infraestrutura de inteligência artificial em geração sustentável de caixa.
Europa e futuros de Nova York sentem cautela com IA
Na Europa, o Stoxx 600 recuava cerca de 0,3% em uma atualização da manhã. O setor de tecnologia liderava as perdas, acompanhando a reação aos balanços norte-americanos.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros também sinalizavam pressão, sobretudo sobre o Nasdaq. Os resultados de Amazon e Intel ampliaram as preocupações com os gastos em inteligência artificial, após a forte queda das ações da Alphabet na sessão anterior.
O desempenho das grandes empresas de tecnologia passou a dividir a atenção com as perspectivas de juros e atividade econômica.
Ibovespa chega à sexta-feira após quatro quedas consecutivas
No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira (29) em baixa de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, completando quatro pregões consecutivos de perdas.
Até aquele fechamento, o índice acumulava recuo de aproximadamente 17,5% na semana e de 9,2% em outubro. No ano, ainda registrava valorização próxima de 5%. Os percentuais não incluem as oscilações desta sexta-feira.
As incertezas fiscais e as expectativas sobre a condução da política econômica continuam no radar, junto com a temporada de resultados corporativos.
Balanço da Vale concentra atenção na B3
O resultado do terceiro trimestre da Vale, divulgado na noite anterior, está entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.
A avaliação considera os efeitos cambiais, as provisões relacionadas à Samarco e o desempenho das diferentes operações da mineradora. Os números ajudam a orientar as expectativas para geração de caixa, custos e produção.
O mercado também acompanha Petrobras e bancos, além das possíveis repercussões dos balanços sobre o desempenho dos setores com maior peso no Ibovespa.
Desemprego cai para 5,2% no trimestre até setembro
Na agenda doméstica, a taxa de desocupação ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, conforme divulgação do IBGE nesta sexta-feira. O resultado representa o menor nível para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
O indicador entra nas avaliações sobre a atividade econômica e as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Os investidores acompanham a força do mercado de trabalho em conjunto com inflação, crédito e expectativas de preços.
Câmbio e crédito influenciam planejamento do agronegócio
Para o agronegócio, a volatilidade do dólar afeta tanto a conversão das receitas de exportação quanto o custo de insumos importados. O efeito sobre os preços recebidos pelo produtor depende também das bolsas de commodities, dos prêmios e das condições de comercialização.
Já a trajetória dos juros influencia o financiamento do custeio e dos investimentos. Nesse ambiente, câmbio, crédito e demanda internacional permanecem entre as variáveis centrais para o planejamento da atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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