Soja reage no Brasil, mas Chicago segue pressionada; frete pesa no valor recebido pelo produtor
Dólar favorece negócios e saca chega a R$ 161 em Rio Grande; no exterior, soja abre sexta-feira com preços mistos após quatro quedas consecutivas
Publicado em: 30/10/2026 às 11:40hs
O mercado da soja encerra outubro com recuperação de preços em parte das praças brasileiras, enquanto as referências internacionais permanecem pressionadas. A valorização do dólar frente ao real tem favorecido negociações no Brasil, mas frete, descontos e prazo de pagamento determinam quanto da melhora das cotações chega ao caixa do produtor.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos iniciaram a sexta-feira (30) com movimentos mistos, após quatro sessões consecutivas de perdas. O avanço da colheita norte-americana amplia a disponibilidade do grão, enquanto a demanda chinesa e as condições das lavouras brasileiras seguem no centro das avaliações.
Soja abre sexta-feira com preços mistos em Chicago
Por volta das 7h14, no horário de Brasília, o contrato novembro/26 avançava 1 cent, negociado a US$ 12,2075 por bushel.
Os demais vencimentos apresentavam baixas. Janeiro/27 recuava 1,75 cent, para US$ 12,3300 por bushel; março/27 perdia 1,25 cent, a US$ 12,4225; e maio/27 caía 1,25 cent, cotado a US$ 12,5150.
A tentativa de reação do contrato mais próximo ocorre após uma sequência negativa. Na quinta-feira (29), novembro/26 fechou a US$ 12,1975 por bushel, queda de 0,39% no dia e perda acumulada de 2,92% desde o fechamento da sexta-feira anterior (23).
Janeiro/27 encerrou a sessão de quinta a US$ 12,3475, com recuo de 0,26%, enquanto março/27 caiu 0,20%, para US$ 12,4350 por bushel.
Nesta sexta-feira, os operadores também acompanham o início do período de aviso de entrega do contrato novembro/26, conhecido como first notice day. A proximidade do vencimento aumenta a atenção à transferência das posições para os contratos seguintes.
China concentra 63% das vendas semanais dos Estados Unidos
A demanda internacional continua oferecendo suporte ao mercado, embora não tenha sido suficiente para interromper as perdas recentes em Chicago.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas líquidas de soja da safra 2026/27 somaram 2,576 milhões de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. O resultado ficou 9% abaixo da semana anterior, mas dentro das expectativas dos analistas, entre 1,8 milhão e 3 milhões de toneladas.
A China adquiriu 1,627 milhão de toneladas, aproximadamente 63% do total negociado.
Os embarques efetivos norte-americanos alcançaram 2,384 milhões de toneladas, alta de 18% na comparação semanal e de 72% sobre a média das quatro semanas anteriores.
Colheita americana amplia oferta e limita recuperação
A entrada da safra dos Estados Unidos permanece entre os principais fatores de pressão. Conforme o USDA, a colheita havia atingido 79% da área até 25 de outubro, acima da média de 77% dos últimos cinco anos.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócio, avaliou que o avanço dos trabalhos e a maior disponibilidade do grão ajudam a explicar o enfraquecimento das cotações.
Por outro lado, o analista considera que a demanda interna e externa firme pela soja norte-americana pode limitar quedas mais intensas.
Soja sobe no mercado brasileiro, com diferenças entre regiões
No Brasil, o levantamento da TF Agroeconômica aponta recuperação em diferentes praças. As altas, porém, não foram uniformes, e as condições comerciais exigem atenção na comparação entre propostas.
Rio Grande do Sul: saca chega a R$ 161 no porto
Em Rio Grande, a cotação avançou R$ 2, para R$ 161 por saca. Passo Fundo e Santa Rosa tiveram alta de R$ 1, chegando a R$ 153 e R$ 154, respectivamente.
A diferença de R$ 8 entre Rio Grande e Passo Fundo precisa ser confrontada com os custos adicionais de entrega ao porto para avaliar a vantagem efetiva da operação.
No campo, a Emater/RS-Ascar registrou avanço do plantio de 3% para 10%. A umidade elevada, o frio e a baixa luminosidade ainda restringem os trabalhos.
Paraná: preços avançam e safra é estimada em 22,75 milhões de toneladas
Paranaguá e Cascavel registraram valorização de R$ 1, com referências de R$ 160 e R$ 149 por saca, respectivamente.
O Departamento de Economia Rural (Deral) projeta produção estadual de 22,75 milhões de toneladas, crescimento de 4% sobre o ciclo anterior. O plantio alcança 62% da área, e 88% das lavouras apresentam boas condições.
Santa Catarina e Mato Grosso do Sul têm preços entre R$ 142 e R$ 153
Em Abelardo Luz (SC), a soja permaneceu em R$ 153 por saca, na modalidade FOB. O plantio estadual estava em 17,2%, conforme a referência semanal da Conab.
Em Mato Grosso do Sul, Dourados avançou R$ 1, para R$ 143 por saca. Campo Grande manteve R$ 142, na condição CIF. A semeadura atingia 60%, segundo a Conab.
As diferenças entre modalidades de entrega, localização e despesas logísticas impedem interpretar a distância entre essas cotações como ganho líquido automático.
Mato Grosso: altas no disponível e esmagamento recorde
Nas cinco praças do mercado disponível acompanhadas pelo Imea, os preços subiram entre R$ 0,45 e R$ 0,55 por saca. As referências variaram de R$ 133,40, em Lucas do Rio Verde, a R$ 139,85, em Rondonópolis.
O estado processou 10,42 milhões de toneladas de soja entre janeiro e setembro, recorde para o período e aumento de 4,74%.
Com 75,81% da área plantada, o prazo de recebimento das vendas também ganha importância para financiar os tratos da safra.
Frete e prazo de pagamento definem resultado das vendas
Segundo a TF Agroeconômica, a comparação entre ofertas deve considerar o valor efetivamente recebido após despesas de transporte e descontos, além da data de pagamento.
Durante a implantação da safra, uma proposta com cotação maior pode perder atratividade quando exige custos adicionais de entrega ou recebimento em prazo incompatível com as necessidades de caixa da propriedade.
A valorização do dólar frente ao real estimulou novas negociações da safra 2027 durante a semana, conforme a Pátria Agronegócio, compensando parte da pressão exercida pelas quedas em Chicago.
Clima brasileiro será decisivo nas próximas semanas
O desenvolvimento da soja apresenta condições favoráveis em diferentes regiões do Brasil, mas o excesso de chuvas em áreas do Sul e a irregularidade das precipitações no Centro-Norte mantêm incertezas sobre o potencial produtivo.
Na avaliação de Palavro, os próximos 30 a 40 dias serão importantes para dimensionar a safra, especialmente diante das divergências entre os modelos de previsão para novembro.
Para a comercialização brasileira, a combinação entre Chicago, câmbio, prêmios de exportação e custos logísticos continuará orientando as oportunidades. O fechamento desta sexta-feira definirá o desempenho semanal e mensal dos contratos internacionais, enquanto o avanço do plantio mantém o foco dos produtores sobre o fluxo de caixa.
Fonte: Portal do Agronegócio
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