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COI discute produção de azeite no Brasil e reforço da fiscalização contra fraudes em importados

Em terceira visita consecutiva ao país, Conselho Oleícola Internacional percorreu olivais e lagares do Rio Grande do Sul, debateu a estabilidade da safra, a formação de especialistas em análise sensorial e o avanço da adesão brasileira ao organismo.


Publicado em: 30/10/2026 às 12:30hs

COI discute produção de azeite no Brasil e reforço da fiscalização contra fraudes em importados

A estabilidade da produção nacional de azeite de oliva, o combate a irregularidades na classificação de produtos importados e a preparação do Brasil para integrar o Conselho Oleícola Internacional (COI) estiveram no centro das discussões durante a terceira visita consecutiva de representantes do organismo ao país.

A missão passou por propriedades nas regiões de Bagé e Canguçu, no Rio Grande do Sul, para conhecer pomares, lagares e tecnologias utilizadas pelos produtores brasileiros. A agenda também incluiu reuniões com olivicultores e atividades voltadas à formação de profissionais especializados na avaliação da qualidade dos azeites.

A iniciativa reforça a aproximação entre o setor brasileiro e uma das principais organizações internacionais ligadas à cadeia produtiva da olivicultura, em um momento de expansão da produção nacional e de atenção crescente à qualidade dos produtos comercializados no mercado interno.

Estabilidade da produção é desafio para a olivicultura brasileira

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, a visita permitiu apresentar os avanços tecnológicos do setor e discutir obstáculos que ainda limitam seu desenvolvimento.

Um dos principais desafios é reduzir as oscilações no volume produzido entre as safras. A irregularidade dificulta o planejamento comercial e pode comprometer o fornecimento contínuo aos consumidores e aos estabelecimentos que já incorporaram o azeite brasileiro ao portfólio.

“Tivemos a oportunidade de mostrar nossos modernos lagares, nossos pomares e discutir um pouco sobre os desafios. Eles envolvem ter estabilidade produtiva, ou seja, repetir anualmente uma produção de azeite que nos permita manter os clientes conquistados”, afirma Obino Filho.

A consolidação de uma oferta mais regular é considerada importante para ampliar a presença do produto nacional no mercado, fortalecer os canais de comercialização e dar maior previsibilidade aos negócios dos olivicultores.

Azeite brasileiro e valorização da qualidade

Outro ponto central da agenda foi o reconhecimento das características dos azeites produzidos no Brasil. Segundo o Ibraoliva, os produtores nacionais priorizaram sistemas de cultivo e processamento voltados à obtenção de azeites extravirgens de alta qualidade, ainda que a produção brasileira permaneça reduzida quando comparada à dos principais países produtores.

“Demonstramos que o nosso azeite brasileiro, na média, é o melhor azeite do mundo, porque fizemos a opção pela qualidade e não pela quantidade”, relata o presidente da entidade.

A avaliação reflete a posição defendida pelo setor brasileiro sobre a importância de diferenciar seus produtos pela qualidade sensorial e pelos padrões de processamento. Para ampliar a competitividade, porém, a valorização do azeite nacional também depende da regularidade da oferta, da confiança do consumidor e de critérios de classificação aplicados de maneira consistente a todos os produtos disponíveis no mercado.

Fiscalização de azeites importados entra no centro do debate

A qualidade dos azeites importados foi um dos temas de maior destaque nas conversas com os representantes do COI. A preocupação do setor está relacionada à identificação de produtos cuja qualidade, segundo o Ibraoliva, pode não corresponder à categoria indicada nos rótulos.

A entidade afirma que trabalha com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para ampliar o controle sobre esses produtos e combater situações em que azeites de qualidade inferior são comercializados como extravirgens.

“Não podemos mais admitir que azeites de baixíssima qualidade, às vezes lampantes, entrem no país rotulados como extravirgens para concorrer com o verdadeiro extravirgem que é feito no Brasil”, salienta Obino Filho.

O azeite lampante é uma categoria que não atende aos requisitos para ser comercializada diretamente como azeite de oliva virgem para consumo, exigindo tratamento adequado antes de eventual destinação alimentar.

O aperfeiçoamento da fiscalização e a verificação da classificação declarada nos rótulos são considerados fundamentais para proteger os consumidores e evitar que produtos com características diferentes concorram sob a mesma denominação comercial.

Como um dos grandes importadores mundiais de azeite, o Brasil tem interesse em fortalecer os mecanismos de controle e assegurar maior transparência sobre a qualidade dos produtos nacionais e estrangeiros.

Adesão do Brasil ao Conselho Oleícola Internacional avança

A entrada brasileira no Conselho Oleícola Internacional também esteve entre os assuntos tratados durante a missão. De acordo com o presidente do Ibraoliva, produtores e Ministério da Agricultura vêm trabalhando em conjunto para viabilizar a participação do país no organismo.

“O COI trabalha pela adesão do Brasil ao Conselho e estamos na reta final dessa adesão. Com isso, estaremos junto dos principais participantes do mercado mundial para tratar de assuntos relacionados ao nosso mercado”, explica Obino Filho.

A participação no conselho poderá ampliar a integração brasileira às discussões internacionais sobre qualidade, padrões técnicos, mercado e desenvolvimento da olivicultura. O processo também representa uma oportunidade para aproximar o país de iniciativas de cooperação e capacitação ligadas à cadeia do azeite.

Formação de especialistas vai reforçar a análise sensorial

A terceira visita do COI dá continuidade a uma agenda iniciada em 2024. Na primeira etapa, representantes do organismo estiveram no Rio Grande do Sul para conhecer propriedades e unidades de processamento e participar de reuniões com autoridades federais. Na ocasião, o foco esteve no relacionamento institucional e nas possibilidades de adesão brasileira.

Em 2025, a programação chegou a produtores da região da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais, e incorporou ações de capacitação voltadas a profissionais do varejo e da gastronomia.

Neste ano, além das visitas aos olivais gaúchos e de encontros com produtores em Porto Alegre e Bagé, a missão incluiu uma nova etapa de formação de especialistas em análise sensorial.

Esses profissionais poderão atuar em painéis técnicos responsáveis por avaliar atributos e identificar possíveis defeitos nos azeites. O trabalho contribui para a classificação dos produtos nas categorias virgem e extravirgem e pode fortalecer os procedimentos de controle de qualidade.

Para Obino Filho, ampliar a disponibilidade de especialistas é especialmente importante diante do volume de azeites importados e do crescimento da olivicultura nacional.

“Esses painéis são importantíssimos quando se fala em qualidade, quando se pensa em ter rastreabilidade do azeite importado e análise sensorial dos azeites produzidos no Brasil e no exterior, para que o consumidor seja protegido e saiba que está consumindo o verdadeiro azeite extravirgem”, observa.

Campanha busca ampliar o conhecimento sobre o azeite extravirgem

A agenda do Conselho Oleícola Internacional no Brasil também prevê atividades com profissionais de restaurantes e representantes do varejo no Rio de Janeiro. O objetivo é dar continuidade à divulgação das características do azeite extravirgem e ampliar o conhecimento sobre qualidade, classificação e consumo.

A campanha internacional de promoção do consumo de azeite no mercado brasileiro está prevista para o período de 2024 a 2027, em parceria com o Ibraoliva e o Ministério da Agricultura.

Com ações de capacitação, aproximação institucional e discussão sobre fiscalização, a iniciativa busca contribuir para um mercado mais transparente e para o fortalecimento da produção brasileira.

O avanço do setor dependerá, entre outros fatores, da capacidade de estabilizar a oferta entre as safras, manter os padrões de qualidade e assegurar que os produtos comercializados no país sejam corretamente classificados e identificados.

O que está em jogo para o setor: a consolidação do azeite brasileiro passa não apenas pela qualidade dos produtos, mas também pela regularidade produtiva, pela formação de especialistas, pelo combate a irregularidades e pela integração do país às discussões internacionais da olivicultura.

Fonte: Portal do Agronegócio

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