Alta do gás na Europa ameaça encarecer fertilizantes para a safra 2027/28
Estoques reduzidos e restrições ao fornecimento de gás pressionam a produção de nitrogenados e podem elevar os custos do produtor brasileiro
Publicado em: 30/10/2026 às 11:55hs
A escalada dos preços do gás natural na Europa acende um alerta para o custo dos fertilizantes nitrogenados no Brasil. Insumo essencial à fabricação de amônia e ureia, o combustível mais caro pode comprometer a produção europeia e pressionar os preços internacionais dos adubos.
Segundo o economista André Galhardo Fernandes, esse cenário pode afetar a janela de compras de fertilizantes para a safra 2027/2028. A dependência brasileira de importações de nitrogenados amplia a exposição do produtor rural às oscilações do mercado externo.
Gás europeu atinge maior cotação desde dezembro de 2022
O contrato de gás natural do mercado holandês TTF, com entrega em novembro, avançou mais de 4% na quarta-feira (28), chegando a 100,25 euros por megawatt-hora. Foi o maior patamar desde dezembro de 2022.
Antes do início da guerra com o Irã, no fim de fevereiro, a cotação estava próxima de 32 euros por megawatt-hora. Apesar da forte valorização, o preço permanece abaixo do recorde de aproximadamente 340 euros registrado em agosto de 2022.
O movimento ocorre em um momento de menor segurança no abastecimento europeu, com reservas reduzidas e limitações à oferta internacional.
Estoques menores ampliam disputa por gás antes do inverno
Em 21 de outubro, os estoques europeus de gás estavam com 75% da capacidade ocupada, abaixo da referência habitual de 90% para o início de novembro.
A recomposição das reservas começou a partir de uma base mais baixa. Ao término do inverno anterior, o nível de armazenamento era de 28%, enquanto a média dos últimos nove anos se aproximava de 40%.
Ao mesmo tempo, as restrições aos embarques de gás natural liquefeito (GNL) do Golfo Pérsico, especialmente do Catar, limitam a disponibilidade do combustível. Esse quadro intensifica a concorrência entre Europa e Ásia pelos carregamentos disponíveis.
Como a alta do gás pode encarecer ureia e amônia
O gás natural tem papel central na produção de fertilizantes nitrogenados. Quando seu preço sobe, os custos industriais aumentam e as margens das fábricas ficam mais apertadas.
Na Europa, essa pressão pode levar à redução da atividade industrial, diminuindo a oferta de nitrogenados no mercado global. Para o Brasil, que importa a maior parte desses fertilizantes, uma eventual restrição de disponibilidade representa risco de encarecimento das compras externas.
O impacto sobre o produtor brasileiro dependerá da evolução dos preços internacionais, da oferta de fertilizantes e do câmbio no período de aquisição dos insumos. Por isso, a trajetória do gás passa a integrar os fatores de atenção no planejamento da safra 2027/28.
Pressão também alcança energia e indústria química
Os efeitos da crise de abastecimento vão além dos fertilizantes. Segundo estimativa da Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER), o conflito teria acrescentado entre 18 bilhões e 33 bilhões de euros à conta de importação de gás do bloco.
No Brasil, a pressão sobre os custos também aparece nos bens intermediários, que acumulam alta de 6,51% em 12 meses no IPA-M de outubro, a maior variação entre os estágios de processamento.
Na avaliação de Galhardo, a transmissão dos custos de energia e da química de base, combinada à defasagem do diesel e às oscilações cambiais da semana, reforça a pressão sobre os custos brasileiros no encerramento do ano. Para o agronegócio, o cenário exige atenção ao orçamento de insumos e às condições de compra para os próximos ciclos produtivos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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