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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo de melhor qualidade fica escasso no Sul e preços chegam a R$ 1.650 por tonelada

TF Agroeconômica projeta forte redução da safra gaúcha; perdas de qualidade restringem oferta para panificação e mantêm mercado paranaense próximo da paridade de importação


Publicado em: 30/10/2026 às 11:50hs

Trigo de melhor qualidade fica escasso no Sul e preços chegam a R$ 1.650 por tonelada

A oferta restrita de trigo com qualidade para panificação amplia as diferenças de preços no Sul do Brasil. Segundo a TF Agroeconômica, as perdas qualitativas reduzem a disponibilidade de cereal adequado aos moinhos, enquanto a perspectiva de quebra na produção gaúcha e a necessidade de abastecimento do Paraná reforçam a atenção sobre as importações.

No Paraná, as indicações para o trigo tipo 1 chegam a R$ 1.650 por tonelada. Em Santa Catarina, houve negócio a R$ 1.600 por tonelada para a mesma classificação. No Rio Grande do Sul, o trigo da safra nova destinado à moagem gira em torno de R$ 1.400 por tonelada.

Os valores refletem condições distintas de qualidade, localização, frete e pagamento, fatores que precisam ser considerados na comparação entre as propostas.

Safra de trigo do Rio Grande do Sul pode cair quase pela metade

A TF Agroeconômica estima que a produção gaúcha poderá alcançar 1,87 milhão de toneladas, considerando produtividade de 2.400 quilos por hectare. O volume ficaria aproximadamente 48% abaixo dos 3,58 milhões de toneladas colhidos no ano anterior.

A projeção da consultoria também é inferior à estimativa de 2,26 milhões de toneladas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citada no levantamento.

A colheita chega a 43% da área no estado, mas apresenta avanço desigual. Nas regiões de Missões e Santa Rosa, os trabalhos já superam 85%.

Além da redução do volume, a classificação do cereal colhido evidencia a limitação da oferta de melhor padrão. Segundo a consultoria, 14% corresponde ao tipo 1, enquanto 67% é classificado como tipo 2 e 19% como tipo 3.

Trigo para ração encontra resistência com milho mais barato

No mercado gaúcho, o trigo destinado à alimentação animal atingiu R$ 1.210 por tonelada no porto, para janeiro, com suporte do câmbio.

Entretanto, os preços mais baixos do milho reduzem a atratividade do trigo para as indústrias locais de ração. A presença elevada de DON, micotoxina que afeta a qualidade do cereal, também aparece como entrave às negociações, conforme a TF Agroeconômica.

Em Panambi, o preço de balcão recuou para R$ 71 por saca. No mercado de importação, foram registradas ofertas de trigo argentino a US$ 290 por tonelada em Rio Grande, com o produto descarregado e nacionalizado.

Santa Catarina registra negócio a R$ 1.600 por tonelada

Em Campos Novos, Santa Catarina, houve comercialização de trigo tipo 1 a R$ 1.600 por tonelada, segundo o levantamento.

As lavouras da região com colheita prevista para novembro apresentam bom desenvolvimento. Fontes locais ouvidas pela consultoria avaliam que as chuvas previstas não devem comprometer as áreas que ainda estão em enchimento de grãos.

O quadro mantém a atenção sobre a evolução das lavouras e a qualidade do produto que chegará ao mercado nas próximas semanas.

Paraná tem produção abaixo da necessidade de abastecimento

No Paraná, a produção de trigo é estimada em 2,2 milhões de toneladas, diante de uma necessidade de 3,85 milhões de toneladas. A diferença corresponde a 1,65 milhão de toneladas.

A escassez de cereal com padrão adequado à panificação mantém as cotações próximas da paridade de importação, de acordo com a TF Agroeconômica.

Para entrega em outubro e pagamento em novembro, as indicações apresentadas pela consultoria são:

  • Trigo tipo 1: R$ 1.650 por tonelada.
  • Trigo tipo 2: R$ 1.450 por tonelada, com frete incluído.
  • Trigo tipo 3: R$ 1.200 por tonelada, com frete incluído.

A diferença entre as classificações mostra o peso da qualidade na formação dos preços e nas condições de acesso ao mercado de moagem.

Qualidade e importações orientam o mercado do trigo

O cenário descrito pela consultoria reúne dois fatores centrais: menor produção no Rio Grande do Sul e disponibilidade limitada de trigo panificável no Paraná.

Nesse ambiente, a classificação do cereal ganha relevância nas negociações. Os lotes de melhor qualidade encontram um mercado mais restrito em oferta, enquanto o trigo destinado à ração enfrenta a concorrência do milho e limitações relacionadas ao padrão sanitário.

As ofertas de produto argentino e a paridade de importação seguem como referências para o abastecimento dos moinhos e a formação dos preços no Sul.

Fonte: Portal do Agronegócio

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