Bolsas globais avançam com impulso da tecnologia, enquanto Ibovespa mira sexta alta consecutiva
Mercados asiáticos acompanham recuperação das ações ligadas à inteligência artificial; na Europa, bolsas operam sem direção única, enquanto investidores monitoram inflação, juros, Nvidia e queda do petróleo
Publicado em: 26/08/2026 às 10:55hs
Os mercados financeiros internacionais apresentam desempenho predominantemente positivo nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, apoiados pela recuperação das ações de tecnologia e pela melhora do apetite por risco. No Brasil, o Ibovespa inicia a sessão próximo da estabilidade, depois de acumular cinco altas consecutivas, enquanto o dólar oscila ao redor de R$ 5,15.
O cenário ainda inspira cautela. Investidores avaliam novos indicadores de inflação e atividade econômica, acompanham a trajetória dos juros nos Estados Unidos e aguardam o balanço da Nvidia, considerado um importante termômetro para o mercado de inteligência artificial.
Ibovespa acumula cinco altas e supera 174 mil pontos
O Ibovespa encerrou a terça-feira (25) em alta de 1,55%, aos 174.576,80 pontos, com ganho de 2.670,08 pontos. Foi a quinta valorização consecutiva do principal índice da B3.
Na semana, o indicador acumula avanço de 2,42%. Apesar da recuperação recente, ainda registra queda de 1,92% em agosto, mas mantém valorização de 8,35% em 2026.
A sessão anterior movimentou aproximadamente R$ 28 bilhões, com o índice oscilando entre 171.178,87 e 174.784,92 pontos. Vale e ações do setor bancário estiveram entre os principais suportes da alta.
Nesta quarta-feira, o Ibovespa futuro operava próximo da estabilidade antes da abertura do mercado à vista, refletindo a cautela no exterior e a expectativa pelos novos dados econômicos.
Dólar oscila próximo de R$ 5,15
O dólar comercial encerrou o último pregão vendido a R$ 5,1404, com queda de 0,25%. Nesta quarta-feira, a moeda norte-americana abriu ao redor de R$ 5,15, sem apresentar uma direção definida nos primeiros negócios.
O comportamento do câmbio reflete forças distintas. A melhora da percepção sobre a inflação brasileira favorece o real, enquanto a cautela internacional e os juros elevados nos Estados Unidos limitam uma queda mais intensa da moeda.
IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto
No cenário doméstico, o principal destaque é o IPCA-15. A prévia da inflação brasileira recuou 0,40% em agosto, registrando a primeira deflação em um ano e a maior queda para o indicador desde agosto de 2022.
O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado, que apontava redução de aproximadamente 0,32%. Em 12 meses, o IPCA-15 desacelerou de 4,52% para 4,24%, retornando ao intervalo da meta perseguida pelo Banco Central.
A redução das tarifas de energia elétrica, influenciada pelo Bônus de Itaipu, foi o principal fator de baixa. Alimentos, passagens aéreas e combustíveis também contribuíram para a desaceleração.
O dado reforça a expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização monetária, embora o Banco Central mantenha uma postura cautelosa diante das pressões sobre os preços e dos riscos externos.
Wall Street aguarda balanço da Nvidia
As bolsas de Nova York fecharam em alta na terça-feira, com destaque para as empresas de tecnologia. O Dow Jones avançou 0,34%, o S&P 500 subiu 0,30% e o Nasdaq ganhou 0,64%.
A Nvidia interrompeu uma sequência de sete quedas e avançou mais de 2%, ajudando a impulsionar empresas ligadas à produção de semicondutores e à cadeia global de inteligência artificial.
Nesta quarta-feira, porém, os índices futuros operavam perto da estabilidade ou em leve queda. Por volta das 8h33 no horário de Nova York, os futuros do Dow Jones avançavam 0,04%, enquanto os contratos do S&P 500 recuavam 0,11% e os do Nasdaq 100 caíam 0,35%.
O mercado concentra as atenções na divulgação dos resultados trimestrais da Nvidia após o fechamento de Wall Street. O balanço poderá indicar se os investimentos globais em inteligência artificial continuam sustentando o crescimento acelerado do setor de tecnologia.
Os investidores também repercutem o núcleo do índice de preços de gastos com consumo, o PCE, que avançou 0,2% no mês e 3,3% em 12 meses, em linha com as projeções. A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre, conforme a nova leitura do Produto Interno Bruto.
Bolsas da Europa operam sem direção única
Na Europa, o mercado apresenta variações moderadas nesta quarta-feira. O índice STOXX 600 operava próximo da estabilidade, com alta ao redor de 0,1%, depois de subir 0,38% na sessão anterior.
As empresas de luxo e alguns bancos sustentavam os ganhos, enquanto as ações de tecnologia e energia exerciam pressão negativa. Os papéis do setor petrolífero recuavam diante da forte queda das cotações internacionais do petróleo.
Entre os principais mercados europeus, Paris, Frankfurt e Madri operavam em terreno positivo, enquanto a Bolsa de Londres registrava pequena baixa.
Os investidores acompanham indicadores econômicos, balanços corporativos e as perspectivas para os juros do Banco Central Europeu. A possibilidade de uma nova elevação das taxas permanece no radar, especialmente diante dos impactos econômicos das tensões no Oriente Médio.
Bolsas asiáticas sobem com tecnologia e inteligência artificial
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta, acompanhando a recuperação das ações de tecnologia em Wall Street. O movimento foi liderado por empresas associadas à inteligência artificial e à fabricação de semicondutores.
Na China, o índice de Xangai avançou 0,59%, aos 3.912 pontos, enquanto o CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,85%, aos 4.590 pontos. O indicador se recuperou após atingir recentemente o menor patamar em quase um mês.
Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,56%, aos 25.652 pontos. As corretoras chinesas negociadas tanto no mercado doméstico quanto em Hong Kong também se destacaram, impulsionadas por resultados semestrais positivos, maior volume de negociações e anúncios de dividendos.
O índice STAR 50, com forte concentração de empresas de tecnologia, avançou 1,7%, enquanto o indicador CSI de Semicondutores registrou valorização de 1,8%.
Tóquio, Seul e Taiwan acompanham recuperação global
Em Tóquio, o Nikkei encerrou o pregão com alta de 0,62%, aos 66.262 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,97%, aos 6.808 pontos.
Taiwan apresentou o melhor desempenho entre as principais bolsas asiáticas. O Taiex subiu 1,47%, aos 45.832 pontos, beneficiado pela valorização das fabricantes de componentes eletrônicos e semicondutores.
Na contramão, o Straits Times, de Cingapura, caiu 0,24%, aos 5.721 pontos, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,40%.
Petróleo cai com expectativa de alívio no Estreito de Ormuz
As cotações do petróleo registram forte baixa nesta quarta-feira. O Brent chegou a operar abaixo de US$ 85 por barril, pressionado pela expectativa de avanços diplomáticos envolvendo Estados Unidos, Irã e países do Oriente Médio.
O mercado avalia a possibilidade de normalização gradual do tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo e derivados. Uma eventual redução das tensões diminuiria o prêmio de risco incorporado às cotações.
A queda da commodity pressiona as ações de empresas petrolíferas na Europa e mantém os papéis da Petrobras sob atenção na B3. Ao mesmo tempo, combustíveis mais baratos podem ajudar a conter pressões inflacionárias em diferentes economias.
Tecnologia, inflação e juros definem rumo dos mercados
O desempenho das bolsas de valores nesta quarta-feira combina melhora do apetite por ações de tecnologia com cautela diante da inflação e das decisões dos principais bancos centrais.
No Brasil, a deflação do IPCA-15 favorece as expectativas de novos cortes da Selic, mas o comportamento do dólar, do petróleo e dos juros norte-americanos continuará influenciando o mercado.
No exterior, os resultados da Nvidia devem ser decisivos para avaliar a sustentabilidade da valorização das empresas ligadas à inteligência artificial. Até a divulgação do balanço, a tendência é de volatilidade moderada e movimentos mais seletivos entre os principais índices globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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