Soja sobe em Chicago, ganha força em Mato Grosso e mantém diferença de até R$ 17 por saca no Brasil
Clima adverso nos Estados Unidos, demanda chinesa e valorização internacional sustentam as cotações, mas preços variam amplamente entre balcão, lotes e portos brasileiros
Publicado em: 26/08/2026 às 11:40hs
O mercado da soja iniciou esta quarta-feira (26) com leve valorização na Bolsa de Chicago, após acumular ganhos expressivos nos últimos pregões. No Brasil, o movimento internacional oferece sustentação às cotações, mas os preços continuam apresentando diferenças relevantes entre negociações de balcão, lotes, referências comerciais e portos.
Levantamentos da TF Agroeconômica e do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que localização, modalidade de comercialização, câmbio e prêmios de exportação permanecem determinantes para a formação dos preços da soja. No Sul do País, a distância entre o valor pago diretamente ao produtor e as referências dos portos chegou a superar R$ 20 por saca em algumas praças.
Soja opera em alta moderada na Bolsa de Chicago
Os contratos futuros da soja registravam leves ganhos na manhã desta quarta-feira na Bolsa de Chicago. Por volta das 7h40, no horário de Brasília, os principais vencimentos avançavam pouco mais de 3 pontos.
O contrato para novembro era negociado próximo de US$ 12,40 por bushel, enquanto o vencimento de março alcançava US$ 12,60 por bushel. O movimento ocorreu após a oleaginosa encerrar a terça-feira (25) com valorização superior a 1%.
A sessão apresenta ajustes e consolidação dos ganhos recentes. Os investidores avaliam, de um lado, a piora das condições das lavouras norte-americanas e a expectativa de novas compras da China. Do outro, permanece no radar a possibilidade de uma oferta volumosa nos Estados Unidos.
Farelo sobe quase 2%, enquanto óleo de soja recua
O comportamento dos derivados também influencia o desempenho do grão em Chicago. Os futuros do farelo de soja avançavam perto de 2% nesta quarta-feira, enquanto o óleo registrava queda superior a 1%.
Essa movimentação divergente reduz a força de uma direção única para o complexo e ajuda a explicar a variação moderada dos futuros da soja. Na sessão anterior, a recuperação do farelo já havia contribuído para sustentar as cotações da oleaginosa.
Clima nos Estados Unidos amplia incertezas sobre a safra
As condições da safra norte-americana permanecem no centro das atenções. Segundo o Imea, 60% das lavouras de soja dos Estados Unidos estavam classificadas como boas ou excelentes, proporção nove pontos percentuais inferior à observada na temporada 2025/26.
Os levantamentos de campo também indicam rendimento abaixo do registrado no ciclo anterior. O cenário climático desfavorável aumentou as dúvidas sobre o volume efetivamente disponível na safra atual e fortaleceu as cotações internacionais.
Além do clima, a demanda chinesa pela soja norte-americana oferece suporte adicional ao mercado. A combinação entre compras firmes e relação mais apertada entre estoques e consumo contribuiu para que Chicago acumulasse valorização semanal de 4,36%, com média de US$ 12,14 por bushel.
Preço da soja em Mato Grosso avança 3,19%
A alta em Chicago repercutiu diretamente no mercado de soja de Mato Grosso. Conforme o Imea, o preço médio estadual alcançou R$ 127,85 por saca na última semana, crescimento de 3,19% sobre o período anterior. A máxima diária chegou a R$ 128,95.
Os valores semanais calculados pelo instituto, contudo, diferem das referências comerciais registradas em praças específicas no dia 25 de agosto. Em Rondonópolis, a soja foi indicada a R$ 141 por saca no mercado comercial, R$ 3,15 acima da referência de R$ 137,85 do Imea para a localidade.
Em Sorriso, a referência comercial atingiu R$ 131 por saca, contra R$ 129,40 no levantamento do instituto. As diferenças refletem condições específicas de entrega, prazo, qualidade, logística e modalidade de negociação.
Rio Grande do Sul tem diferença de R$ 17 entre balcão e lotes
No Rio Grande do Sul, as cotações mostraram uma das maiores disparidades do mercado nacional. Em Não-Me-Toque e Nonoai, o preço de balcão ficou em R$ 130 por saca de 60 quilos.
Ijuí e Passo Fundo registraram R$ 147, enquanto Cruz Alta e Santa Rosa chegaram a R$ 147,50 por saca. No porto de Rio Grande, a referência alcançou R$ 154,50.
A diferença entre o balcão e o mercado de lotes chegou a R$ 17 por saca. Quando comparado o menor preço do interior com a cotação portuária, o afastamento atingiu R$ 24,50.
Preço da soja supera R$ 150 em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a soja foi cotada a R$ 133,50 por saca em Palma Sola e a R$ 133 em Rio do Sul. A referência FOB em Abelardo Luz ficou em R$ 150, com indicações que chegaram a R$ 154.
São Francisco do Sul também registrou R$ 154 por saca. Com isso, a distância entre Palma Sola e as maiores referências estaduais alcançou R$ 20,50. Considerando o valor-base de Abelardo Luz, a diferença ficou em R$ 16,50.
Paranaguá chega a R$ 155 por saca
No Paraná, o Indicador Cepea/Esalq para o mercado de lotes fechou em R$ 146,08 por saca. Em Cascavel, a referência comercial foi de R$ 144, enquanto Paranaguá alcançou R$ 155.
No balcão, Ubiratã e Marechal Cândido Rondon registraram R$ 131 por saca. A distância entre essas praças e o porto paranaense chegou a R$ 24.
Compradores domésticos intensificaram a recomposição dos estoques, mas os vendedores permaneceram retraídos. Essa postura limitou o volume de negócios e sustentou as ofertas nos principais corredores de comercialização.
Mato Grosso do Sul apresenta menor diferença entre referências
Em Mato Grosso do Sul, as cotações ficaram mais próximas. Campo Grande registrou R$ 137 por saca no mercado físico local, enquanto a referência CIF foi de R$ 135,50, diferença de apenas R$ 1,50.
O comportamento contrasta com os afastamentos observados no Sul, onde custos logísticos, acesso aos portos, demanda regional e modalidade de venda provocaram variações superiores a R$ 20 por saca.
Chicago, dólar e prêmios orientam mercado brasileiro
A formação do preço da soja no Brasil continua condicionada a três fatores principais: Bolsa de Chicago, dólar e prêmios pagos nos portos. Quando esses componentes avançam simultaneamente, as referências portuárias encontram espaço para permanecer próximas ou acima de R$ 150 por saca.
A valorização internacional oferece suporte ao mercado doméstico, especialmente diante das incertezas sobre a safra dos Estados Unidos e da demanda chinesa. Entretanto, o potencial de novas altas dependerá do comportamento do câmbio, das exportações, dos prêmios e das próximas avaliações sobre produtividade e produção norte-americanas.
No mercado interno, as diferenças entre balcão, lotes e portos devem continuar expressivas. Além das oscilações externas, disponibilidade regional, necessidade dos compradores, custos de transporte e estratégia dos vendedores seguirão determinando o preço efetivamente recebido pelo produtor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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