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Milho e Sorgo

Milho sobe em Chicago com piora das lavouras nos EUA, enquanto colheita pressiona preços no Brasil

Clima adverso reduz a qualidade da safra norte-americana e impulsiona a CBOT; no mercado brasileiro, avanço da colheita limita altas, mas exportações e demanda por bioenergia sustentam as cotações


Publicado em: 26/08/2026 às 11:30hs

Milho sobe em Chicago com piora das lavouras nos EUA, enquanto colheita pressiona preços no Brasil

O mercado de milho encerrou a sessão em alta na Bolsa de Chicago, apoiado pela deterioração das lavouras dos Estados Unidos e pelas incertezas climáticas nas principais regiões produtoras. No Brasil, porém, o avanço da colheita da segunda safra aumenta a disponibilidade do cereal e provoca ajustes nos preços da B3 e do mercado físico.

A combinação entre menor potencial produtivo norte-americano, crescimento da demanda internacional e redução da folga entre oferta e consumo vem ampliando a volatilidade. Enquanto Chicago reage ao risco climático, os preços brasileiros encontram sustentação nas exportações, na retenção de vendas pelos produtores e no consumo das indústrias de bioenergia.

Condições das lavouras dos EUA pioram e impulsionam o milho

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 57% das lavouras norte-americanas de milho estavam classificadas em condições boas ou excelentes até 23 de agosto. Na semana anterior, esse percentual era de 60%.

A parcela das áreas em condições regulares aumentou de 25% para 26%, enquanto as lavouras consideradas ruins ou muito ruins passaram de 15% para 17%. A deterioração foi mais intensa do que o mercado esperava e reforçou as dúvidas sobre o rendimento da safra dos Estados Unidos.

Levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) já havia apontado que o índice de lavouras em boas ou excelentes condições estava 14 pontos percentuais abaixo do observado na temporada anterior.

A piora das plantações ganhou relevância porque ocorre em um momento de fortalecimento da demanda mundial. Com estoques potencialmente mais apertados, qualquer redução na produção norte-americana pode alterar o equilíbrio global e aumentar a pressão sobre os preços.

Milho fecha com alta superior a 1,5% em Chicago

Os contratos futuros do milho avançaram na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), também beneficiados pela desvalorização do dólar diante de outras moedas, movimento que tende a aumentar a competitividade das commodities agrícolas dos Estados Unidos.

O contrato com vencimento em dezembro encerrou a sessão cotado a US$ 5,23½ por bushel, alta de 8 centavos, equivalente a 1,55%. A posição março fechou a US$ 5,38½ por bushel, também com valorização de 1,55%.

Na média semanal acompanhada pelo Imea, o contrato corrente alcançou 447,80 centavos de dólar por bushel — ou US$ 4,4780 por bushel —, avanço de 1,48% na comparação com a semana anterior.

A evolução do clima, das condições das lavouras e das exportações dos Estados Unidos continuará no centro das atenções. Em um cenário de menor margem entre oferta e demanda, novas revisões na produtividade podem provocar movimentos mais intensos na CBOT.

B3 tem ajustes com pressão da colheita brasileira

No Brasil, os contratos futuros do milho apresentaram desempenho misto na B3. Os primeiros vencimentos recuaram diante do crescimento da oferta provocado pela colheita, enquanto as posições mais longas encontraram suporte na possibilidade de maior procura internacional pelo cereal brasileiro e argentino.

O contrato para setembro de 2026 terminou cotado a R$ 71,70 por saca, queda diária de R$ 0,09. Novembro fechou a R$ 77,90, também com baixa de R$ 0,09, enquanto janeiro de 2027 recuou R$ 0,11, para R$ 81,14 por saca.

Segundo a TF Agroeconômica, o avanço da colheita exerce pressão principalmente sobre os vencimentos mais próximos. Por outro lado, a menor disposição dos produtores para negociar e as perspectivas de exportação ajudam a impedir quedas mais acentuadas.

Mercado físico de milho mantém negócios pontuais

As negociações no mercado disponível brasileiro seguem limitadas pelas diferenças entre os valores pedidos pelos vendedores e as ofertas apresentadas pelos compradores.

No Rio Grande do Sul, as indicações variam de R$ 58 a R$ 65 por saca, com preço médio estadual de R$ 59,32. A demanda doméstica permanece seletiva, enquanto o avanço dos embarques amplia a influência das exportações sobre a formação das cotações.

Em Santa Catarina, vendedores trabalham com referências próximas de R$ 60 por saca, mas os compradores indicam valores ao redor de R$ 55. A diferença reduz a liquidez e mantém os negócios restritos às necessidades mais imediatas.

Preço ao produtor avança no Paraná

No Paraná, as ofertas também estão próximas de R$ 60 por saca, diante de compradores posicionados em torno de R$ 55, na modalidade CIF. Mesmo com a dificuldade para fechar negócios, o preço médio recebido pelos produtores alcançou R$ 56,79 por saca.

O valor representa aumento de 7,8% em relação a julho e de 11% na comparação com agosto de 2025. A colheita da segunda safra chegou a 73% da área cultivada, ampliando a disponibilidade regional e limitando movimentos mais fortes de valorização no curto prazo.

Bioenergia sustenta milho em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilam entre R$ 50 e R$ 55 por saca. A demanda das indústrias de etanol de milho e de outros segmentos de bioenergia oferece sustentação ao mercado, mesmo com a entrada da produção da segunda safra.

A colheita alcançou 80% da área estadual, mas os trabalhos foram interrompidos em parte da região oeste devido à falta de espaço nos armazéns. O gargalo logístico dificulta a retirada do cereal das lavouras e pode alterar temporariamente a oferta em algumas localidades.

Exportações e clima devem definir a direção dos preços

A trajetória do milho nas próximas semanas dependerá de dois movimentos principais. No exterior, o mercado acompanhará o clima e o potencial produtivo da safra norte-americana. No Brasil, o foco estará no ritmo da colheita, na capacidade de armazenagem, na demanda das indústrias e no desempenho das exportações.

A piora das lavouras dos Estados Unidos favorece Chicago e pode oferecer suporte indireto aos preços brasileiros. Entretanto, a entrada da segunda safra mantém pressão sobre o mercado interno, especialmente nas regiões com maior disponibilidade do cereal.

Nesse cenário, exportações mais fortes e maior consumo para produção de bioenergia podem absorver parte da oferta e reduzir o impacto da colheita sobre as cotações. Caso a safra dos Estados Unidos enfrente novas perdas, o milho brasileiro também poderá ganhar competitividade no comércio internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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