USDA eleva projeção para soja, reduz estoques globais de milho e reforça cenário de volatilidade para o agronegócio
Relatório WASDE de julho aponta aumento da produção e das exportações de soja, aperto na oferta mundial de milho e mudanças relevantes para trigo e algodão; Brasil segue como protagonista nas exportações agrícolas.
Publicado em: 13/07/2026 às 11:40hs
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu mais recente relatório WASDE (World Agricultural Supply and Demand Estimates), trazendo novas revisões para os balanços globais de oferta e demanda de soja, milho, trigo e algodão. As atualizações reforçam um cenário de ajustes importantes para o comércio internacional e podem influenciar diretamente os preços das commodities agrícolas nos próximos meses.
Entre os principais destaques, o relatório confirma aumento da produção norte-americana de soja, redução dos estoques globais de milho, mudanças na oferta mundial de trigo e manutenção do protagonismo brasileiro nas exportações de grãos.
Soja: produção mundial cresce e Brasil amplia liderança nas exportações
O relatório elevou a estimativa da produção global de soja para 442 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 3% em relação ao ciclo anterior. A principal revisão ocorreu nos Estados Unidos, cuja safra foi elevada de 120,7 para 121,8 milhões de toneladas.
Outro fator relevante foi o aumento das exportações americanas, projetadas em 45,2 milhões de toneladas, além da revisão para cima das importações chinesas, que passaram para 115 milhões de toneladas, indicando demanda internacional ainda bastante aquecida.
Para o Brasil, o USDA manteve a expectativa de uma safra recorde de 186 milhões de toneladas, mas aumentou a projeção de exportações para 118 milhões de toneladas, reforçando a posição do país como maior fornecedor global da oleaginosa.
Apesar da produção recorde, os estoques finais mundiais recuaram ligeiramente para 124 milhões de toneladas, reflexo do crescimento do consumo global e da forte demanda internacional.
Milho: queda dos estoques globais aumenta atenção do mercado
No mercado de milho, o relatório trouxe um viés considerado mais altista para os preços internacionais.
O USDA reduziu os estoques globais de 281 para 275 milhões de toneladas, enquanto a produção mundial caiu para 1,297 bilhão de toneladas, principalmente devido à forte revisão negativa da safra da União Europeia, reduzida de 58 para 54 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo, houve aumento das exportações norte-americanas para 81,3 milhões de toneladas, demonstrando continuidade da forte demanda internacional pelo cereal.
No Brasil, praticamente não houve alterações relevantes. A produção permaneceu estimada em 139 milhões de toneladas, com exportações de 44 milhões de toneladas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais.
A redução da relação estoque/consumo mundial para cerca de 21% indica um mercado mais ajustado e potencialmente mais sensível a problemas climáticos durante o restante da temporada.
Trigo: consumo cresce e estoques seguem pressionados
O balanço mundial de trigo também apresentou mudanças importantes.
O USDA elevou levemente a projeção do consumo global para 821 milhões de toneladas, enquanto reduziu a estimativa de produção dos Estados Unidos para 41,8 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção da Rússia foi revisada para cima, alcançando 88,5 milhões de toneladas.
Mesmo com ajustes entre os principais produtores, os estoques globais continuam relativamente apertados, fator que mantém o mercado atento às condições climáticas nas principais regiões exportadoras.
Algodão: consumo supera produção e estoques continuam diminuindo
No mercado internacional de algodão, o relatório aponta aumento da produção mundial para 25,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo foi projetado em 26,6 milhões de toneladas.
Esse desequilíbrio continua reduzindo os estoques globais, estimados agora em 15,5 milhões de toneladas, com queda na relação estoque/consumo para aproximadamente 58%.
No Brasil, o USDA manteve praticamente inalterada a projeção de exportações em 3,3 milhões de toneladas, consolidando o país entre os maiores exportadores mundiais da fibra.
O que muda para o agronegócio brasileiro
As revisões do WASDE reforçam um ambiente de maior seletividade nos mercados internacionais.
Enquanto a soja continua sustentada pelo crescimento da demanda chinesa e pelo aumento das exportações brasileiras, o milho passa a conviver com estoques globais mais enxutos, cenário que pode ampliar a volatilidade das cotações ao longo da safra.
No trigo, o mercado permanece dependente do desempenho climático nas grandes regiões produtoras, enquanto o algodão segue com fundamentos relativamente firmes devido ao consumo superior à produção mundial.
Para o agronegócio brasileiro, o relatório mantém perspectivas positivas, principalmente para soja, milho e algodão, fortalecendo o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos e fibras em um cenário internacional cada vez mais dependente da produção nacional.
Principais números do WASDE de julho
- Produção mundial de soja: 442 milhões de toneladas.
- Exportações brasileiras de soja: 118 milhões de toneladas.
- Importações chinesas de soja: 115 milhões de toneladas.
- Estoques globais de milho: 275 milhões de toneladas.
- Produção brasileira de milho: 139 milhões de toneladas.
- Consumo mundial de trigo: 821 milhões de toneladas.
- Produção mundial de algodão: 25,5 milhões de toneladas.
- Estoques globais de algodão: 15,5 milhões de toneladas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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