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Internacional

Tarifa dos EUA ao Brasil: Marco Rubio acusa Lula de agir por "ego" e diz que governo não negociou de boa-fé

Secretário de Estado dos Estados Unidos afirma que tarifa de 25% sobre produtos brasileiros é consequência da condução das negociações por Brasília; governo brasileiro reage e promete recorrer à OMC


Publicado em: 16/07/2026 às 11:15hs

Tarifa dos EUA ao Brasil: Marco Rubio acusa Lula de agir por "ego" e diz que governo não negociou de boa-fé

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras ganhou novos contornos políticos nesta semana. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorizou interesses políticos em vez de buscar um entendimento comercial com Washington.

Segundo Rubio, o governo brasileiro não conduziu as negociações de forma construtiva ao longo dos últimos meses, tornando inevitável a adoção das medidas tarifárias anunciadas pela administração do presidente Donald Trump.

Marco Rubio responsabiliza governo brasileiro pelo tarifaço

Em publicação na rede social X, Marco Rubio declarou que as tarifas refletem o comportamento adotado pelo governo brasileiro durante as negociações comerciais entre os dois países.

De acordo com o secretário de Estado, as conversas não evoluíram porque, na avaliação americana, Brasília não negociou "de boa-fé". Rubio também afirmou que as políticas econômicas adotadas pelo governo Lula seriam prejudiciais tanto para os Estados Unidos quanto para o próprio Brasil.

As declarações reforçam o posicionamento da ala mais conservadora da política externa americana, da qual Rubio é um dos principais representantes, especialmente em temas relacionados à América Latina.

Governo brasileiro contesta versão dos Estados Unidos

Integrantes do governo brasileiro, ouvidos pela imprensa sob condição de anonimato, afirmam que a versão apresentada por Washington não corresponde ao que ocorreu durante as negociações.

Segundo essas fontes, os representantes americanos teriam mantido uma posição predominantemente política durante todo o processo, sem demonstrar abertura para discutir os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil sobre os pontos investigados.

Na avaliação de integrantes do Palácio do Planalto, a decisão já estaria praticamente definida antes mesmo do encerramento da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.

Investigação do USTR resultou na nova tarifa

A cobrança foi anunciada após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974.

Esse instrumento permite que o governo dos Estados Unidos investigue práticas comerciais consideradas discriminatórias ou prejudiciais às empresas norte-americanas e, caso entenda haver irregularidades, aplique medidas de retaliação, como tarifas de importação.

A nova tarifa passa a valer em 22 de julho.

Motivos apontados pelos Estados Unidos

Segundo o USTR, a decisão foi fundamentada em uma série de questionamentos relacionados às políticas brasileiras, entre eles:

funcionamento e supostos impactos concorrenciais do Pix;

  • decisões judiciais envolvendo plataformas digitais norte-americanas;
  • acesso ao mercado brasileiro de etanol;
  • tratamento tarifário concedido pelo Brasil a produtos de outros países;
  • ações relacionadas ao combate à corrupção;
  • medidas contra pirataria;
  • fiscalização do desmatamento ilegal.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que as negociações realizadas ao longo do último ano não foram suficientes para eliminar as divergências comerciais entre os dois países, embora Washington continue disposto a manter o diálogo.

Quais produtos serão afetados

A tarifa adicional atingirá diversos segmentos exportadores brasileiros.

Entre os produtos incluídos na medida estão:

  • etanol;
  • máquinas agrícolas;
  • equipamentos elétricos;
  • roupas;
  • calçados;
  • diversos produtos industrializados.

Por outro lado, importantes itens do agronegócio brasileiro ficaram fora da nova cobrança, entre eles:

  • café;
  • carne bovina;
  • laranja;
  • suco de laranja.

A exclusão desses produtos reduz parcialmente os impactos imediatos sobre parte das exportações do setor agropecuário brasileiro para o mercado norte-americano.

Brasil anuncia reação e recorrerá à OMC

Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a decisão como um episódio negativo nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

O Executivo informou que iniciará os procedimentos para aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, além de preparar uma contestação formal junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que vinha tentando negociar uma solução até os últimos dias antes da decisão, embora já admitisse a possibilidade de um desfecho desfavorável.

Repercussão política no Brasil

O anúncio também provocou reações no cenário político brasileiro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) compartilhou a publicação de Marco Rubio nas redes sociais e criticou a condução da política externa do governo Lula, afirmando que o presidente seria responsável pelo agravamento da relação bilateral.

O presidente Lula, por sua vez, tem acusado integrantes da oposição de atuarem junto ao governo americano em defesa da aplicação das tarifas. Flávio Bolsonaro nega essa versão e afirma que buscou convencer autoridades norte-americanas a suspenderem a medida.

Impacto para as relações comerciais

A nova rodada de tarifas amplia a tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos e inaugura uma nova fase nas negociações bilaterais. Embora importantes produtos do agronegócio tenham permanecido fora da lista de sobretaxação, setores industriais e exportadores acompanham com preocupação os possíveis desdobramentos da disputa.

Especialistas avaliam que os próximos movimentos dependerão tanto das negociações diplomáticas quanto das medidas que poderão ser adotadas pelo governo brasileiro no âmbito da OMC e da legislação de reciprocidade econômica, enquanto empresas dos dois países aguardam definições sobre o futuro das relações comerciais entre as duas maiores economias do continente.

Fonte: Portal do Agronegócio

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