Carnes bovina e suína caem em julho, enquanto frango ganha força no atacado, aponta Cepea
Consumo doméstico ainda moderado pressiona os preços da carne bovina e suína na primeira quinzena de julho, enquanto o frango amplia competitividade e registra valorização no mercado atacadista.
Publicado em: 16/07/2026 às 12:00hs
Os preços das carnes bovina e suína seguem pressionados no mercado atacadista brasileiro neste início da segunda quinzena de julho, refletindo o ritmo ainda lento do consumo interno. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que, entre 30 de junho e 14 de julho, as cotações da carne bovina com osso e da carne suína recuaram na Grande São Paulo, principal referência nacional para o setor. Em sentido oposto, o frango resfriado apresentou valorização, impulsionado pela maior competitividade frente às demais proteínas.
O cenário evidencia um comportamento típico do período, quando atacadistas realizam a reposição de estoques de forma mais cautelosa devido ao menor fluxo de consumo na primeira metade do mês. A combinação entre demanda doméstica limitada e dificuldade de repasse dos preços ao varejo continua influenciando diretamente a formação das cotações.
Carne bovina enfrenta mercado mais lento, mas exportações limitam quedas
Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado da carne bovina permanece equilibrado entre fatores de baixa e de sustentação.
A redução dos preços da arroba do boi gordo e a resistência do varejo em absorver reajustes dificultam o avanço das negociações no atacado. Por outro lado, a oferta relativamente restrita de animais terminados para abate, aliada ao forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, impede desvalorizações mais expressivas.
Esse equilíbrio mantém o mercado atento ao comportamento do consumo interno nas próximas semanas, fator considerado decisivo para a definição da tendência dos preços.
Carne suína também sofre pressão da demanda doméstica
No segmento suíno, o mercado apresenta dinâmica semelhante. Apesar do bom desempenho das exportações brasileiras, que seguem em ritmo elevado, a demanda interna continua enfraquecida, limitando a recuperação das cotações no atacado.
De acordo com o Cepea, o consumo doméstico ainda não demonstra força suficiente para compensar a maior disponibilidade de produto no mercado interno, mantendo pressão sobre os preços da proteína.
Frango amplia competitividade e registra valorização
Enquanto bovinos e suínos enfrentam dificuldades, a carne de frango segue em trajetória mais positiva.
Pesquisadores do Cepea destacam que o frango continua sendo a proteína animal de menor custo para o consumidor brasileiro, favorecendo o movimento de substituição nas compras das famílias.
Essa vantagem competitiva mantém a demanda aquecida tanto no atacado quanto no varejo, sustentando a valorização do frango resfriado na Grande São Paulo.
Além disso, o bom desempenho das exportações brasileiras de carne de frango contribui para reduzir a oferta disponível no mercado interno, fortalecendo ainda mais os preços.
Perspectivas para a segunda quinzena de julho
As expectativas para o restante do mês permanecem diretamente ligadas ao comportamento do consumo doméstico.
Segundo o Cepea, o mercado da carne bovina dependerá principalmente da intensidade da demanda das famílias e do ritmo da oferta de animais para abate.
Caso o consumo interno continue abaixo do esperado, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços da carne bovina e da carne suína no atacado.
Já o frango deve continuar encontrando sustentação, desde que permaneça como a alternativa de proteína mais acessível ao consumidor e mantenha o atual nível de demanda.
Mercado acompanha consumo, exportações e custos de produção
Além do comportamento do consumidor brasileiro, agentes do setor acompanham atentamente o desempenho das exportações, a evolução dos custos de produção, especialmente da alimentação animal, e as oscilações cambiais, fatores que influenciam diretamente a competitividade das proteínas brasileiras no mercado internacional.
Para produtores, frigoríficos e distribuidores, os próximos dias serão decisivos para avaliar se haverá recuperação da demanda interna ou se o mercado continuará operando sob pressão durante o restante de julho.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias