Guerra no Oriente Médio ameaça economia global: Banco Mundial alerta para crescimento de apenas 1,3% e inflação mais alta em 2026
Escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã pode elevar juros, pressionar preços de alimentos, fertilizantes e energia, além de ampliar os riscos para países emergentes e altamente endividados.
Publicado em: 22/07/2026 às 11:45hs
A intensificação da guerra no Oriente Médio passou a representar um dos principais riscos para a economia mundial. Segundo o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, caso o conflito entre Estados Unidos e Irã continue se agravando pelos próximos meses, o crescimento econômico global poderá desacelerar para apenas 1,3% em 2026, enquanto a inflação voltará a ganhar força em diversas economias.
A avaliação reforça a preocupação dos mercados financeiros diante da expansão das hostilidades na região, que já afetam rotas marítimas estratégicas para o comércio internacional, elevam a volatilidade dos preços do petróleo e aumentam os riscos para o abastecimento global de insumos essenciais à produção agrícola e industrial.
Banco Mundial projeta cenário mais pessimista para a economia mundial
De acordo com Gill, o Banco Mundial elaborou diferentes cenários para suas projeções econômicas divulgadas em junho, considerando a elevada incerteza geopolítica. No entanto, o cenário mais severo — com um conflito prolongado por seis meses ou mais — começa a se tornar cada vez mais provável.
Nesse ambiente, a inflação mundial poderá atingir 4,5%, obrigando bancos centrais de diversos países a manter ou até elevar as taxas de juros por um período mais longo.
O resultado seria uma combinação de crescimento econômico mais fraco, crédito mais caro, redução dos investimentos e perda do poder de compra das famílias.
Fertilizantes, energia e alimentos entram no radar dos impactos
Além das consequências sobre o mercado de petróleo, o Banco Mundial alerta que danos à infraestrutura energética e logística do Oriente Médio podem comprometer o fornecimento de produtos fundamentais para a economia mundial.
Entre os setores mais afetados estão:
- Fertilizantes;
- Enxofre;
- Hélio;
- Petróleo e derivados;
- Cadeias globais de transporte marítimo.
A interrupção dessas cadeias tende a elevar custos de produção em diversos segmentos, principalmente no agronegócio, pressionando os preços dos alimentos e aumentando os riscos de insegurança alimentar em países mais vulneráveis.
Estreito de Ormuz amplia tensão no comércio internacional
A deterioração do conflito ganhou força após novos ataques envolvendo forças norte-americanas e o Irã.
Ao mesmo tempo, permanecem os problemas no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação de petróleo do planeta. Também cresce a preocupação com o bloqueio anunciado pelos houthis, grupo alinhado ao Irã, na região do estreito de Bab el-Mandeb, acesso estratégico ao Mar Vermelho.
Esses gargalos elevam os custos do transporte marítimo, dos seguros internacionais e da logística global, ampliando as incertezas para empresas exportadoras e importadoras.
Países emergentes enfrentam risco crescente de crise da dívida
Segundo Gill, as economias mais vulneráveis serão justamente aquelas que ainda não conseguiram se recuperar plenamente dos efeitos da pandemia.
O economista destaca que o aumento dos juros internacionais poderá tornar ainda mais difícil o pagamento das dívidas públicas, reduzindo investimentos em áreas estratégicas como educação, saúde e infraestrutura.
Dados do Banco Mundial mostram que:
- Cerca de 40% dos países de baixa e média renda já apresentam elevado risco de sobreendividamento;
- Isso representa 32 países em situação considerada crítica;
- A relação média entre dívida e PIB nas economias emergentes alcançou 74% em 2025, muito acima dos níveis registrados antes da pandemia.
Para os países de baixa renda, esse indicador chegou a 67% do PIB, contra aproximadamente 40% antes da crise sanitária.
Segundo Gill, algumas nações poderão necessitar de programas de reestruturação ou até mesmo de perdão parcial da dívida para evitar uma deterioração ainda maior das condições econômicas.
Agronegócio também pode sentir os efeitos
Embora o conflito ocorra no Oriente Médio, seus impactos tendem a atingir diretamente o agronegócio mundial.
A possível interrupção do fornecimento de fertilizantes, o aumento do custo da energia, da logística internacional e do transporte marítimo podem elevar os custos de produção agrícola, pressionando margens dos produtores e aumentando os preços internacionais das commodities.
Para países exportadores como o Brasil, o cenário exige atenção redobrada, já que oscilações nos mercados financeiros, no câmbio e nos custos de insumos podem alterar significativamente a competitividade do setor.
Grandes economias mostram maior capacidade de resistência
Na avaliação do economista-chefe do Banco Mundial, economias como Estados Unidos, China e Índia possuem maior capacidade de absorver os impactos provocados pela guerra, graças ao tamanho de seus mercados internos e à diversificação econômica.
Já as economias emergentes e de menor renda permanecem mais expostas às turbulências, especialmente aquelas com elevado endividamento, forte dependência de importações de energia ou baixa capacidade fiscal para enfrentar choques externos.
Caso o conflito continue se prolongando, especialistas avaliam que a economia mundial poderá enfrentar um período de crescimento mais lento, inflação persistente, juros elevados e maior instabilidade nos mercados globais, cenário que também tende a influenciar diretamente o desempenho do comércio internacional e do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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