Conflito entre EUA e Irã amplia tensão nos mercados e mantém petróleo perto de US$ 90, aponta StoneX
Escalada militar no Oriente Médio reforça aversão ao risco global, pressiona expectativas de inflação e mantém investidores atentos aos impactos sobre commodities, câmbio e mercados financeiros.
Publicado em: 21/07/2026 às 11:18hs
A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã continua sendo o principal fator de preocupação para os mercados internacionais nesta terça-feira (21). Segundo análise da StoneX, a sequência de ataques entre os dois países, que já chega à décima noite consecutiva, mantém o petróleo negociado próximo de US$ 90 por barril, elevando a percepção de risco global e fortalecendo as preocupações com a inflação.
Embora iniciativas diplomáticas busquem estabelecer uma trégua de dez dias, o cenário permanece instável diante do endurecimento da retórica do presidente norte-americano Donald Trump e da ampliação dos focos de tensão no Oriente Médio.
Petróleo elevado amplia incertezas no cenário global
De acordo com o economista Álvaro Maia, da StoneX, os riscos geopolíticos continuam sendo o principal vetor para os mercados financeiros.
Além dos confrontos diretos entre Estados Unidos e Irã, investidores acompanham atentamente possíveis impactos envolvendo os Houthis, além da segurança no Estreito de Ormuz e em Bab el-Mandeb, duas das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte mundial de petróleo.
A possibilidade de interrupções no fluxo de energia mantém os preços internacionais da commodity sustentados e aumenta o receio de novas pressões inflacionárias em diversas economias.
Bolsas internacionais operam em direções opostas
Nos Estados Unidos, o ambiente de maior cautela levou os principais índices acionários a encerrarem o pregão em queda moderada. Ao mesmo tempo, os títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) voltaram a registrar valorização, refletindo a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros.
Na China, o movimento foi inverso. As bolsas asiáticas apresentaram recuperação consistente, impulsionadas pela atuação coordenada de instituições estatais e pela manutenção da política monetária expansionista conduzida pelo Banco Popular da China (PBoC).
Mercado brasileiro demonstra maior resiliência
Mesmo diante do ambiente internacional mais desafiador, os ativos brasileiros apresentaram desempenho relativamente estável.
O dólar encerrou o dia cotado próximo de R$ 5,09, enquanto o Ibovespa registrou recuo limitado de 0,20%. O índice foi parcialmente sustentado pela valorização das ações da Petrobras, favorecidas pela alta do petróleo no mercado internacional.
Tarifas dos EUA e cenário político seguem no radar
No mercado doméstico, os investidores também monitoram fatores internos que podem influenciar os preços dos ativos nas próximas sessões.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros;
- A evolução das pesquisas eleitorais para 2026;
- A participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento previsto para sexta-feira;
- A divulgação do relatório operacional da Vale, programada para ocorrer após o fechamento do mercado.
Segundo Álvaro Maia, da StoneX, a combinação entre tensões geopolíticas, incertezas comerciais e expectativas em relação à política monetária continuará determinando o comportamento dos mercados financeiros e das commodities nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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