China endurece regras para importação de proteína animal e aumenta exigências para avicultura brasileira
Novas normas ampliam a importância da rastreabilidade, dos dados auditáveis e dos controles em toda a cadeia produtiva; tema será destaque da Conbrasfran 2026
Publicado em: 21/07/2026 às 14:00hs
A estratégia da China para fortalecer o controle sobre as importações de proteína animal deve elevar as exigências para empresas brasileiras que exportam carne de frango ao país. O novo modelo regulatório amplia a fiscalização sobre toda a cadeia produtiva, exigindo sistemas robustos de rastreabilidade, autocontroles e informações auditáveis para garantir acesso ao maior mercado consumidor do mundo.
As mudanças serão debatidas durante a Conbrasfran 2026 (Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango), promovida pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), entre os dias 23 e 25 de novembro, em Gramado (RS). Especialistas avaliam que o novo cenário representa uma transformação na forma como o mercado chinês analisa fornecedores internacionais de proteína animal.
Nova regulamentação da China amplia controle sobre exportadores
O governo chinês vem reformulando sua política de importação de alimentos com o objetivo de reduzir a dependência externa, fortalecer a produção doméstica e diversificar fornecedores.
Dentro dessa estratégia, o país substitui avaliações pontuais por uma análise sistêmica das empresas exportadoras, levando em consideração toda a cadeia de produção — desde o campo até o processamento industrial.
Segundo a consultora em Estratégia Internacional para o Agro Global, Maria Eduarda Blaiklock, a mudança representa uma nova etapa para os exportadores brasileiros.
"A China deixa de ser um mercado orientado principalmente pelo volume e passa a priorizar cada vez mais aspectos regulatórios. O Brasil já possui qualidade produtiva, mas agora precisará transformar seus processos em informações auditáveis e verificáveis", afirma.
Rastreabilidade passa a ser requisito estratégico para manter mercado
A alteração regulatória ocorre com a substituição do Decreto 248 pelo Decreto 280, modificando a forma como as autoridades chinesas avaliam os estabelecimentos habilitados para exportação.
Na prática, a fiscalização deixa de observar apenas o produto final e passa a considerar a eficiência dos sistemas de gestão, controle sanitário, registros e rastreabilidade adotados pelas empresas.
Isso significa que frigoríficos, cooperativas, integradoras e produtores rurais precisarão demonstrar, por meio de documentação organizada e sistemas confiáveis, todas as etapas do processo produtivo.
Segundo Maria Eduarda Blaiklock, a rastreabilidade passa a ser um dos principais diferenciais competitivos para permanência no mercado chinês.
Controle deverá alcançar toda a cadeia da avicultura
As novas exigências não deverão ficar restritas às indústrias frigoríficas.
Os controles precisarão abranger toda a cadeia de produção, incluindo propriedades rurais, integração, transporte, manejo, alimentação animal e processamento industrial.
O objetivo é garantir que qualquer ocorrência sanitária possa ser rapidamente identificada e rastreada, oferecendo maior transparência às autoridades chinesas.
"Não basta mais analisar apenas a qualidade do produto final. Todo o sistema de integração precisa funcionar como ferramenta de rastreabilidade e controle. As práticas realizadas no campo devem ser registradas e transformadas em dados verificáveis", destaca a especialista.
Conbrasfran 2026 discutirá impactos das novas exigências chinesas
O tema será um dos principais debates da Conbrasfran 2026, evento que reunirá especialistas, lideranças da indústria, produtores e representantes da cadeia avícola para discutir tendências do mercado internacional.
Durante a conferência, Maria Eduarda Blaiklock apresentará uma análise sobre o novo posicionamento da China no comércio global de proteína animal e os reflexos para os exportadores brasileiros.
A expectativa é discutir estratégias para adequação das empresas às novas exigências regulatórias e aos desafios impostos pelos principais mercados compradores.
Competitividade passa a depender também de governança e transparência
Para o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, a mudança amplia o conceito de competitividade internacional.
Segundo ele, eficiência produtiva e qualidade sanitária continuam sendo fundamentais, mas já não são suficientes para garantir acesso aos mercados mais exigentes.
"O Brasil consolidou sua posição global pela eficiência produtiva e pela excelência sanitária. Agora será necessário comprovar, por meio de informações organizadas e auditáveis, todos os controles existentes ao longo da cadeia produtiva", afirma.
Exportações de carne de frango entram em nova fase regulatória
A evolução das exigências chinesas reforça uma tendência observada em diversos mercados internacionais: além da qualidade do produto, compradores passam a exigir maior transparência sobre a origem, os processos produtivos, a sustentabilidade e os controles sanitários.
Para a avicultura brasileira, líder mundial nas exportações de carne de frango, investir em rastreabilidade digital, governança, gestão de dados e certificações deverá se tornar cada vez mais estratégico para preservar mercados, ampliar competitividade e atender aos novos padrões do comércio global de proteína animal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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