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Brasil

Serviços reagem em julho, mas varejo amplia sinais de desaceleração, aponta IGet Getnet/Santander

Índice mostra recuperação parcial do setor de serviços, enquanto varejo registra a segunda queda consecutiva em meio aos efeitos dos juros elevados, menor impulso fiscal e consumo mais fraco das famílias.


Publicado em: 07/08/2026 às 10:45hs

Serviços reagem em julho, mas varejo amplia sinais de desaceleração, aponta IGet Getnet/Santander
Serviços lideram recuperação parcial da atividade econômica em julho

O setor de serviços voltou a apresentar crescimento em julho, enquanto o varejo manteve trajetória de enfraquecimento pelo segundo mês consecutivo, reforçando os sinais de desaceleração da economia brasileira. É o que revela o Índice Getnet (IGet), desenvolvido pela Getnet em parceria com o Santander, que acompanha o comportamento da atividade econômica a partir das transações eletrônicas realizadas no país.

Os dados mostram um cenário de recuperação parcial nos serviços, impulsionado principalmente pelos segmentos voltados às famílias. Em contrapartida, o comércio varejista segue pressionado pelos juros elevados, pela redução dos estímulos fiscais e pela perda de força do consumo.

Segundo a análise dos economistas responsáveis pelo levantamento, embora o mercado de trabalho continue relativamente resiliente, a política monetária restritiva já produz impactos mais evidentes sobre a atividade econômica, tendência que deve continuar ao longo do segundo semestre.

Setor de serviços cresce quase 3% em julho

O IGet Serviços registrou alta de 2,8% na comparação com junho, recuperando parte das perdas observadas no mês anterior, quando o setor sofreu forte retração.

Apesar do avanço mensal, o indicador ainda permanece abaixo do desempenho observado nos últimos meses. Na comparação com julho do ano passado, o índice continua negativo, acumulando queda de 3,4%.

Os principais destaques positivos foram os serviços diretamente ligados ao consumo das famílias:

  • Alojamento e alimentação: alta de 2,9%;
  • Outros serviços às famílias: crescimento de 3,1%.

Mesmo com a recuperação, os analistas avaliam que o setor continua enfrentando os efeitos da política monetária restritiva, que reduz o ritmo do consumo e limita a expansão das atividades.

Varejo registra segunda queda consecutiva

Enquanto os serviços mostraram reação, o varejo voltou a perder força em julho.

O IGet Varejo Ampliado apresentou recuo de 0,1% frente ao mês anterior, marcando a segunda retração consecutiva.

Já o varejo restrito, que exclui segmentos como veículos e materiais de construção, teve desempenho significativamente pior, com queda de 1,5% no mês.

Na comparação anual, os números permanecem negativos:

  • Varejo ampliado: retração de 2,2%;
  • Varejo restrito: queda de 9,5%.

O resultado evidencia que a desaceleração do consumo das famílias continua afetando principalmente os segmentos mais sensíveis às condições de crédito.

Móveis, eletrodomésticos e supermercados lideram perdas

Entre os setores que mais pressionaram o desempenho do varejo em julho, destacam-se:

  • Móveis e eletrodomésticos: -4,4%;
  • Outros artigos de uso pessoal: -2,1%;
  • Supermercados: -1,0%.

Segundo os economistas, esses segmentos refletem diretamente o impacto dos juros elevados sobre as decisões de consumo das famílias.

Automóveis, farmácias e combustíveis apresentam desempenho positivo

Apesar do cenário de desaceleração, alguns segmentos conseguiram registrar crescimento no período.

Os destaques positivos foram:

  • Automóveis, partes e peças: +2,0%;
  • Artigos farmacêuticos: +1,9%;
  • Combustíveis: +1,7%;
  • Materiais de construção: +0,9%;
  • Vestuário: +0,4%.

No varejo ampliado, automóveis e materiais de construção ajudaram a reduzir as perdas do índice geral.

Juros elevados continuam limitando o ritmo da economia

Na avaliação dos especialistas da Getnet e do Santander, os resultados de julho reforçam a expectativa de desaceleração gradual da economia brasileira.

A combinação entre taxas de juros ainda elevadas, redução do impulso fiscal iniciado no primeiro trimestre de 2026 e consumo mais moderado das famílias continua restringindo o avanço da atividade econômica.

Embora o mercado de trabalho permaneça relativamente aquecido, os economistas observam que esse fator já não é suficiente para compensar os efeitos da política monetária contracionista.

Perspectiva para o segundo semestre

Os indicadores de julho apontam um cenário de crescimento desigual entre os principais setores da economia.

Enquanto os serviços demonstram alguma capacidade de recuperação, impulsionados principalmente pelas atividades ligadas às famílias, o varejo continua apresentando perda de dinamismo, especialmente nos segmentos dependentes de crédito e renda disponível.

A leitura predominante entre os analistas é de que a economia brasileira deverá seguir em ritmo mais moderado ao longo do segundo semestre, com os efeitos dos juros elevados e da redução dos estímulos fiscais limitando o avanço da atividade econômica.

Fonte: Portal do Agronegócio

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