Focus reduz projeção da Selic para 13,50% em 2026, mas eleva inflação para 4,92%
Mercado prevê novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros até dezembro, enquanto reduz estimativas para o PIB e mantém dólar em R$ 5,20 no fim do ano
Publicado em: 21/09/2026 às 11:18hs
As instituições financeiras reduziram de 13,75% para 13,50% ao ano a projeção para a taxa Selic no encerramento de 2026. Ao mesmo tempo, elevaram de 4,90% para 4,92% a estimativa para a inflação oficial, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro, pelo Banco Central.
A revisão das expectativas ocorreu depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na reunião da semana passada. Com a nova projeção, o mercado espera mais um corte de igual magnitude até dezembro. O Banco Central confirmou a Selic em 13,75% ao ano após a última reunião.
Para 2027, a previsão permaneceu em 12% ao ano. As projeções indicam que o processo de redução dos juros deverá continuar gradual, condicionado principalmente ao comportamento da inflação, da atividade econômica e das contas públicas.
Inflação prevista supera o teto da meta
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 passou de 4,90% para 4,92%. O resultado esperado permanece acima do limite superior da meta de inflação.
A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, o teto considerado para o cumprimento da meta é de 4,5%.
Para 2027, a expectativa do mercado foi mantida em 4,30%. A estimativa para 2028 também permaneceu inalterada, em 3,80%.
Nos preços administrados, que incluem tarifas e valores regulados por contratos ou pelo poder público, a projeção para 2026 continuou em 4,61%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 3,85%.
Já a previsão para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu de 4,54% para 4,73% neste ano. Para 2027, foi mantida em 4,11%.
Copom mantém cautela sobre novos cortes da Selic
Apesar da redução dos juros na última reunião, o Copom evitou antecipar os próximos movimentos da política monetária. No comunicado, o colegiado destacou que o ambiente de incerteza exige serenidade e cautela.
O Banco Central identificou sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica, mas adotou uma avaliação ligeiramente mais desfavorável para a trajetória da inflação.
Esse quadro ajuda a explicar por que o mercado projeta apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026. A previsão de Selic em 13,50% ainda representa um nível elevado de juros reais, especialmente diante do crescimento econômico moderado.
A ata da reunião do Copom deverá trazer mais detalhes sobre as condições consideradas necessárias para a continuidade do ciclo de cortes. A redução da projeção para 13,50% foi confirmada no levantamento semanal com economistas.
PIB deve crescer menos em 2026 e 2027
O mercado reduziu de 1,89% para 1,88% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2026.
Para 2027, a estimativa recuou de 1,45% para 1,43%. As revisões reforçam a perspectiva de atividade econômica moderada nos próximos dois anos.
O Banco Central, por sua vez, ainda trabalha com previsão de crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026, conforme a edição mais recente do Relatório de Política Monetária.
Juros elevados por um período prolongado tendem a limitar o consumo, os investimentos produtivos e a contratação de crédito. No agronegócio, o impacto é percebido no financiamento de máquinas, armazenagem, irrigação, custeio e expansão das propriedades.
Dólar deve encerrar 2026 em R$ 5,20
A projeção para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, a estimativa foi mantida em R$ 5,28.
A estabilidade da previsão cambial indica que os analistas ainda esperam um real relativamente sustentado, apesar das incertezas fiscais, eleitorais e externas.
Para o agronegócio, o câmbio influencia tanto as receitas das exportações quanto os custos de produção. Um dólar mais valorizado aumenta a conversão para reais das vendas externas de soja, milho, café, algodão, açúcar e carnes, mas também encarece fertilizantes, defensivos e componentes importados.
Balança comercial sobe para US$ 77 bilhões
A estimativa para o superávit da balança comercial brasileira em 2026 teve leve aumento, de US$ 76,95 bilhões para US$ 77 bilhões. Para 2027, a projeção permaneceu em US$ 79 bilhões.
A previsão para o déficit em conta corrente foi mantida em US$ 60 bilhões neste ano e em US$ 59,30 bilhões no próximo.
Em relação aos investimentos diretos no país, o mercado continuou projetando entrada de US$ 80 bilhões em 2026. Para 2027, a estimativa permaneceu em US$ 79,25 bilhões.
A projeção para a dívida líquida do setor público ficou estável em 70% do PIB em 2026 e 73,70% em 2027.
Selic menor ainda terá efeito limitado no crédito rural
Uma nova redução da Selic para 13,50% poderá contribuir para diminuir parcialmente o custo do dinheiro, mas o patamar continuará restritivo para produtores e empresas do agronegócio.
O efeito sobre o crédito rural não ocorre de maneira automática. As taxas finais também dependem da disponibilidade de recursos equalizados, do risco das operações, das garantias apresentadas e das condições adotadas por bancos e cooperativas.
Ao mesmo tempo, a inflação prevista em 4,92%, acima do teto da meta, reduz o espaço para cortes mais intensos. Custos elevados de alimentos, energia, transportes e serviços podem levar o Banco Central a manter uma postura cautelosa.
O novo Boletim Focus, portanto, combina expectativa de juros ligeiramente menores com inflação mais alta e crescimento econômico mais fraco. Para o agronegócio, o cenário indica que crédito, câmbio e custos financeiros continuarão no centro das decisões de investimento e comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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