Açúcar cai em Nova York, mas preço no Brasil sobe 5,54% em setembro
Contratos internacionais encerram a semana pressionados, enquanto oferta restrita mantém o açúcar cristal acima de R$ 120 por saca no mercado paulista
Publicado em: 21/09/2026 às 11:50hs
O mercado de açúcar encerrou a semana com movimentos opostos entre as bolsas internacionais e o mercado físico brasileiro. Os contratos do açúcar bruto recuaram em Nova York na sexta-feira (18), prolongando parte das perdas da sessão anterior, enquanto o cristal branco negociado em São Paulo avançou pelo segundo pregão consecutivo.
O Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ fechou a sexta-feira a R$ 120,05 por saca de 50 quilos, valorização diária de 0,39%. Com o resultado, a referência acumulou alta de 5,54% em setembro e concluiu a terceira semana do mês em terreno positivo.
No mercado internacional, as atenções permanecem concentradas nas perspectivas para a produção da Tailândia, nas condições das monções na Índia e nos resultados da safra brasileira. A divisão da cana-de-açúcar entre a fabricação de açúcar e etanol também continua influenciando as expectativas de oferta.
Açúcar bruto recua nos principais contratos em Nova York
Na ICE Futures U.S., todos os principais vencimentos do açúcar bruto encerraram o pregão em baixa.
O contrato outubro de 2026 recuou 0,06 cent e terminou cotado a 17,36 centavos de dólar por libra-peso. Março de 2027, referência mais valorizada da curva apresentada, caiu 0,08 cent e fechou a 18,24 centavos por libra-peso.
O vencimento maio de 2027 perdeu 0,09 cent, para 17,67 centavos por libra-peso, enquanto julho do mesmo ano recuou 0,08 cent, encerrando a sessão a 17,43 centavos.
Os contratos mais distantes também acompanharam o movimento negativo. A queda manteve o mercado sob pressão após as perdas mais intensas registradas na quinta-feira.
Londres registra oscilações limitadas
Na ICE Futures Europe, os contratos do açúcar branco apresentaram variações reduzidas e comportamento misto.
Dezembro de 2026 avançou US$ 0,20 e fechou cotado a US$ 508,80 por tonelada. Março de 2027 recuou US$ 0,20, para US$ 514,90, enquanto maio caiu US$ 0,40 e terminou a US$ 516,70 por tonelada.
O contrato agosto de 2027 permaneceu estável em US$ 513,20. Outubro subiu US$ 0,20, para US$ 508,90 por tonelada. Entre os vencimentos mais longos, dezembro avançou US$ 0,10 e março de 2028 recuou US$ 0,20.
A baixa amplitude das variações mostrou um mercado mais equilibrado em Londres, em contraste com as perdas generalizadas registradas nos contratos do açúcar bruto em Nova York.
Açúcar cristal supera R$ 120 por saca em São Paulo
No mercado brasileiro, o açúcar cristal manteve a trajetória de valorização. A saca de 50 quilos foi cotada pelo Cepea/Esalq a R$ 120,05 na sexta-feira, equivalente a US$ 23,33.
A alta diária de 0,39% consolidou o segundo avanço consecutivo e elevou para 5,54% a valorização acumulada em setembro.
O desempenho mostra que os fatores internos continuam oferecendo sustentação às cotações, mesmo diante da correção observada nas bolsas internacionais. O comportamento da oferta disponível para negociação e as decisões das usinas sobre o direcionamento da cana permanecem determinantes para o mercado físico.
Tailândia, Índia e Brasil seguem no radar
De acordo com análise publicada pelo Notícias Agrícolas, as projeções de menor produção na Tailândia ajudam a manter as preocupações com a oferta mundial.
Na Índia, o mercado acompanha o comportamento das monções e seus efeitos sobre o desenvolvimento dos canaviais. No Brasil, os agentes avaliam o ritmo da produção, a disponibilidade do produto e a proporção da matéria-prima destinada ao açúcar e ao etanol.
Esses fatores devem continuar orientando as cotações nas próximas sessões. Enquanto o mercado internacional busca uma direção mais clara, a oferta interna e a estratégia produtiva das usinas sustentam o preço do açúcar cristal no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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