PIB do Brasil deve crescer 2% em 2026, aponta CNI; agro e indústria extrativa sustentam economia apesar dos juros elevados
Confederação Nacional da Indústria mantém projeção para o PIB de 2026 e destaca força da agropecuária, da produção de petróleo e das exportações de commodities, enquanto juros altos e inflação limitam expansão da atividade econômica.
Publicado em: 22/07/2026 às 11:05hs
A economia brasileira deve registrar crescimento de 2% em 2026, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A projeção foi mantida no Informe Conjuntural divulgado nesta terça-feira e reforça um cenário de expansão moderada, sustentado principalmente pelo desempenho do agronegócio, da indústria extrativa e do setor de serviços.
Apesar das perspectivas positivas para alguns segmentos, a entidade alerta que o ambiente econômico continuará pressionado por juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e desafios fiscais, fatores que reduzem o ritmo da recuperação econômica.
Agropecuária ganha força com expectativa de nova safra recorde
A CNI revisou para cima sua expectativa para a agropecuária em 2026. O setor agora deverá crescer 1,8%, impulsionado pela perspectiva de mais uma safra recorde de grãos, especialmente da soja, além da expansão da produção pecuária.
Mesmo diante do aumento dos custos de fertilizantes, combustíveis e demais insumos provocado pelas tensões geopolíticas internacionais, o agronegócio continua sendo um dos principais pilares da economia brasileira, sustentando exportações, geração de renda e atividade no interior do país.
Indústria extrativa lidera crescimento industrial
A indústria apresentou melhora nas projeções para 2026, com crescimento estimado em 2,1%.
O principal destaque continua sendo a indústria extrativa, beneficiada pelo aumento da produção nacional de petróleo e pela menor sensibilidade aos elevados juros. O segmento deverá registrar uma das maiores taxas de expansão entre todos os setores da economia.
Já a indústria de transformação permanece enfrentando desafios importantes, como:
- aumento das importações de produtos industrializados;
- custos elevados de produção;
- juros restritivos;
- impacto da alta dos preços internacionais de energia e matérias-primas.
Mesmo assim, alguns segmentos específicos, como derivados de petróleo, indústria farmacêutica e setor automotivo, contribuíram para uma revisão positiva das estimativas.
Construção civil também melhora perspectivas
A construção civil teve sua projeção elevada graças ao avanço dos investimentos públicos e às medidas de estímulo ao crédito imobiliário.
Programas habitacionais, expansão do financiamento e investimentos em infraestrutura deverão ajudar o setor a manter crescimento ao longo de 2026, apesar do ambiente financeiro ainda restritivo.
Serviços continuam crescendo, mas em ritmo menor
O setor de serviços segue como o maior componente do PIB brasileiro, porém a expectativa foi reduzida.
Segundo a CNI, o consumo das famílias ainda recebe apoio do mercado de trabalho e de medidas de estímulo à renda. Entretanto, fatores como:
- elevado endividamento;
- inadimplência;
- crédito caro;
- juros elevados devem limitar uma expansão mais acelerada do segmento.
Inflação permanece acima da meta
A entidade revisou para cima sua expectativa para a inflação oficial em 2026.
Entre os principais fatores de pressão aparecem:
- alta dos alimentos;
- combustíveis mais caros;
- inflação persistente no setor de serviços.
Esse cenário dificulta um ciclo mais intenso de redução da taxa Selic.
Juros elevados continuam sendo obstáculo para investimentos
A avaliação da CNI é de que o Banco Central deverá promover apenas reduções graduais da taxa básica de juros ao longo de 2026.
Mesmo com cortes adicionais, os juros reais permaneceriam em patamar considerado elevado, mantendo restrições para investimentos privados, expansão do crédito e crescimento da atividade produtiva.
Contas públicas seguem pressionadas
Outro ponto de atenção é o cenário fiscal.
Embora a arrecadação federal deva crescer, a expansão das despesas públicas continuará pressionando as contas do governo. Como consequência, a dívida pública deverá permanecer em trajetória de alta, mantendo incertezas sobre o ambiente econômico e limitando uma redução mais acelerada dos juros.
Guerra no Oriente Médio e importações preocupam indústria
No cenário internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como um dos principais fatores de risco para a economia brasileira.
O conflito elevou os custos de energia, combustíveis e fertilizantes durante o primeiro semestre, aumentando a pressão sobre diversos segmentos produtivos.
Além disso, a indústria nacional acompanha com preocupação o avanço das importações de bens de consumo, que cresceram significativamente e ampliam a concorrência com a produção doméstica.
Exportações de commodities seguem favorecendo o Brasil
Apesar das incertezas externas, a CNI projeta crescimento das exportações brasileiras em 2026, impulsionado pelos preços internacionais de commodities agrícolas e minerais.
Produtos como soja, petróleo e outros itens do agronegócio deverão continuar sustentando o desempenho da balança comercial brasileira, embora a entidade ressalte que possíveis mudanças nas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos podem alterar esse cenário nos próximos meses.
Cenário para 2026
A avaliação da CNI indica que a economia brasileira continuará crescendo em ritmo moderado, apoiada principalmente pelo agronegócio, pela produção de petróleo e pelas exportações de commodities. No entanto, inflação elevada, juros ainda restritivos, aumento das importações e desafios fiscais permanecem como os principais fatores que limitam uma aceleração mais consistente do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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