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Mercado Financeiro

Payroll forte nos EUA pressiona bolsas globais; Ibovespa oscila e dólar ganha força

Economia norte-americana criou 162 mil vagas em agosto, quase três vezes acima do esperado, reacendendo apostas de alta dos juros pelo Federal Reserve; Europa recua, Ásia fecha sem direção única e mercado brasileiro monitora dólar, petróleo e minério de ferro


Publicado em: 04/09/2026 às 10:55hs

Payroll forte nos EUA pressiona bolsas globais; Ibovespa oscila e dólar ganha força

Os mercados financeiros operam com cautela nesta sexta-feira (4), após o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos surpreender os investidores e mostrar uma criação de vagas muito superior à esperada em agosto.

A economia norte-americana abriu 162 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês, ante projeção de aproximadamente 56 mil vagas. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, enquanto o resultado de julho foi revisado de uma perda de 23 mil para a criação de 21 mil empregos.

O desempenho reforçou a percepção de que o mercado de trabalho dos Estados Unidos continua resistente, apesar dos juros elevados e das incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas, pelos preços da energia e pelas tarifas comerciais.

Payroll acima do esperado muda expectativas para os juros dos EUA

Antes da divulgação do payroll, parte dos investidores havia reduzido as apostas em uma elevação dos juros pelo Federal Reserve em setembro. O movimento ganhou força após declarações do diretor do Fed Christopher Waller, que indicou apoio à manutenção das taxas caso os próximos indicadores confirmassem uma desaceleração da inflação.

A criação de 162 mil empregos, no entanto, voltou a colocar uma possível alta de 0,25 ponto percentual no radar do mercado. A probabilidade atribuída a esse movimento subiu para perto de 60% após a publicação dos dados.

A leitura dos investidores é que uma economia aquecida pode dificultar a convergência da inflação à meta de 2%, obrigando o banco central norte-americano a manter uma política monetária mais restritiva.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançaram depois do relatório. A taxa dos Treasuries de dois anos, especialmente sensível às expectativas para os juros, aproximou-se de 4,41%.

Wall Street reduz ganhos após criação de empregos surpreender

Os contratos futuros de Wall Street perderam força imediatamente depois da divulgação dos números. Por volta das 8h33 no horário de Nova York, o futuro do Dow Jones recuava 0,28%, enquanto o S&P 500 futuro caía 0,22%. O Nasdaq 100 futuro ainda sustentava leve avanço de 0,07%.

Antes do payroll, os índices norte-americanos operavam próximos da estabilidade, com viés predominantemente positivo. O resultado mais forte alterou o humor porque aumenta a possibilidade de novos apertos monetários nos Estados Unidos.

Na sessão anterior, as bolsas de Nova York haviam avançado com a redução dos rendimentos dos Treasuries e com as declarações de Waller. O Dow Jones ganhou 1,18%, o Nasdaq subiu 1,40% e o S&P 500 avançou 1,06%.

Bolsas europeias recuam com cautela sobre política monetária

Na Europa, as bolsas operavam em leve queda antes da divulgação do relatório norte-americano. Por volta das 9h40, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,2%.

O DAX, da Alemanha, caía 0,1%, enquanto o FTSE 100, de Londres, e o CAC 40, de Paris, registravam perdas de 0,2%. As ações dos bancos europeus recuavam aproximadamente 0,7%, devolvendo parte dos ganhos acumulados nos pregões anteriores.

A principal exceção era a Volkswagen. As ações da montadora alemã disparavam cerca de 5,7% após a aprovação de um plano de reestruturação destinado a reduzir custos e melhorar os resultados da companhia. O movimento impulsionava o setor automotivo europeu, que avançava 4,3%.

Além da política monetária dos Estados Unidos, os mercados europeus acompanham a valorização acumulada do petróleo, que amplia os riscos de inflação em economias dependentes da importação de energia.

Bolsas da Ásia fecham sem direção única

Os mercados asiáticos encerraram o pregão desta sexta-feira com desempenho misto. As bolsas da China continental recuaram, pressionadas pela realização de lucros nas empresas ligadas à inteligência artificial e pelo aumento dos rendimentos dos títulos norte-americanos.

O índice de Xangai caiu 0,30%, aos 3.930 pontos, enquanto o CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, perdeu 0,10%, aos 4.548 pontos. Na semana, o CSI 300 acumulou desvalorização de 1,3%.

A correção foi mais intensa entre as empresas de tecnologia. O índice STAR 50 recuou 2,1% na sessão e acumulou queda de 5,1% na semana, enquanto o indicador CSI de Inteligência Artificial perdeu 1,6%.

Na direção contrária, as ações chinesas de bens de consumo básico avançaram 2,7%. Os papéis da fabricante de bebidas Kweichow Moutai subiram 2,4%.

Em Hong Kong, o Hang Seng encerrou em alta de 1,74%, aos 25.650 pontos, acumulando ganho semanal de 0,3%.

Nikkei e Kospi lideram ganhos entre mercados asiáticos

O Nikkei, da Bolsa de Tóquio, avançou 1,26%, aos 65.020 pontos. O Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 1,64%, aos 6.687 pontos, e o Taiex, de Taiwan, subiu 1,51%, aos 46.551 pontos.

Em Singapura, o Straits Times teve valorização de 0,94%, aos 5.801 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 destoou do movimento positivo e recuou 0,16%, aos 9.005 pontos.

A redução das apostas em uma alta imediata dos juros norte-americanos havia favorecido parte das bolsas asiáticas durante a madrugada. Esse cenário, entretanto, poderá ser revisto após o payroll mais forte que o previsto.

Ibovespa oscila e dólar sobe após payroll

No Brasil, o Ibovespa futuro abriu com avanço de 0,17%, aos 188.150 pontos, antes de perder força com a repercussão do mercado de trabalho norte-americano. O dólar à vista iniciou o pregão em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,1107.

A criação de empregos acima das projeções fortaleceu a moeda norte-americana no exterior. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,37%, aos 99,33 pontos. O euro recuou para US$ 1,1592, enquanto o dólar passou a ser negociado próximo de 156,45 ienes.

A alta dos juros dos Treasuries e o fortalecimento global do dólar tendem a reduzir a procura por ativos de países emergentes, como o Brasil. Por outro lado, o mercado doméstico ainda encontra sustentação no desempenho recente do Ibovespa e na valorização de ações ligadas às commodities.

Ibovespa interrompe sequência de 11 pregões positivos

Na quinta-feira (3), o Ibovespa encerrou praticamente estável, com leve baixa de 0,01%, aos 185.188 pontos. O resultado interrompeu uma sequência de 11 pregões consecutivos de valorização, período em que o principal índice da B3 acumulou ganho de aproximadamente 11,3%.

O dólar comercial fechou a sessão anterior em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,105, completando o quarto pregão consecutivo de desvalorização diante do real.

Nesta sexta-feira, além do cenário internacional, os investidores acompanham a divulgação da balança comercial brasileira e os desdobramentos do ambiente político e eleitoral.

Vale, Petrobras e Embraer ficam no radar da B3

Entre as empresas brasileiras, a Vale é acompanhada após o minério de ferro encerrar o pregão na China com alta de 1,04%, a 727 iuanes, equivalentes a aproximadamente US$ 108,25 por tonelada. Na semana, a commodity acumulou valorização de 0,62%.

O mercado também monitora a decisão judicial envolvendo a Samarco e o rompimento da barragem de Fundão, tema com possíveis reflexos para Vale e BHP.

A Petrobras segue sensível às oscilações do petróleo. O Brent operava próximo de US$ 95 por barril, em leve baixa no dia, mas caminhava para registrar seu maior ganho semanal desde meados de julho. As tensões no Oriente Médio e as incertezas sobre o fornecimento pelo Estreito de Ormuz continuam sustentando elevada volatilidade.

Outro destaque é a Embraer. A japonesa ANA Holdings ampliou de 15 para 23 aeronaves seu pedido firme do modelo E190-E2. As primeiras entregas estão programadas para 2028, e o acordo ainda prevê opções para outras cinco unidades.

Juros dos EUA devem definir rumo dos mercados

O payroll de agosto tornou-se o principal fator de influência sobre as bolsas globais nesta sexta-feira. Embora a criação de empregos sinalize resistência da maior economia do mundo, o resultado também amplia o risco de juros mais altos por um período prolongado.

Para o mercado brasileiro, o cenário combina forças opostas: o minério de ferro oferece suporte às empresas exportadoras, enquanto o dólar fortalecido, os juros elevados nos Estados Unidos e a incerteza sobre o petróleo podem aumentar a volatilidade do Ibovespa.

As próximas horas deverão ser marcadas por ajustes nas expectativas para a reunião do Federal Reserve dos dias 15 e 16 de setembro, além da abertura efetiva de Wall Street e da divulgação da balança comercial do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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