Publicidade
Brasil

FMI reduz previsão do PIB do Brasil para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027

Juros elevados, retirada de estímulos fiscais e incertezas externas limitam crescimento; relatório também destaca efeitos do petróleo e das chuvas em Minas Gerais sobre o café.


Publicado em: 15/10/2026 às 11:25hs

FMI reduz previsão do PIB do Brasil para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira para 2,2% em 2026, ante os 2,4% estimados em julho. Para 2027, a projeção passou de 2,2% para 1,9%, conforme o relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado na noite de segunda-feira (12).

A revisão reflete condições monetárias ainda restritivas, retirada de estímulos fiscais e incertezas internacionais. Apesar do corte, o FMI mantém uma estimativa para este ano superior às projeções do governo brasileiro e do mercado financeiro.

O documento também aborda fatores relevantes para o agronegócio, como o encarecimento da energia e dos alimentos e os problemas climáticos que afetaram a colheita de café em Minas Gerais.

Projeção do FMI supera estimativas do governo e do Focus

No Boletim Macrofiscal divulgado em setembro, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda reduziu sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% para 2,0% em 2026.

Já o Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com instituições do mercado financeiro, aponta expansão de 1,85% neste ano e de 1,40% em 2027.

As diferenças mostram avaliações distintas sobre o ritmo da atividade econômica. Enquanto o FMI projeta crescimento de 2,2% em 2026, o mercado trabalha com uma expansão mais moderada.

Juros altos restringem consumo e investimento

Na avaliação dos técnicos do FMI, as condições monetárias seguem entre os principais obstáculos ao crescimento brasileiro.

A Selic, taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano, após iniciar uma trajetória de redução em março de 2026, quando se encontrava em 15%.

Juros elevados encarecem o crédito e tendem a conter o consumo e os investimentos produtivos. Esse efeito integra a estratégia de controle da inflação, mas também limita a expansão da atividade econômica.

Além da política monetária, o Fundo aponta a retirada de estímulos fiscais e as incertezas externas como fatores de desaceleração.

FMI prevê inflação de 4,4% em 2026

O relatório estima que a inflação brasileira termine 2026 em 4,4% e 2027 em 4,1%. As duas projeções ficam dentro do intervalo de tolerância da meta, cujo centro é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

As estimativas diferem das apresentadas pelo Ministério da Fazenda, que prevê inflação de 4,9% neste ano e de 3,8% no próximo.

No Focus, as projeções são de 5,22% para 2026 e de 4,30% para 2027. O FMI também alerta para riscos de novas pressões inflacionárias decorrentes da alta internacional da energia e dos alimentos.

Petróleo brasileiro ganha destaque no cenário internacional

Ao analisar as commodities, o FMI destaca a oscilação dos preços do petróleo em meio ao conflito no Golfo Pérsico.

Antes da guerra iniciada no primeiro trimestre, o Estreito de Ormuz era passagem para cerca de 20% da produção global de petróleo e derivados, segundo o documento.

O relatório aponta que o mercado respondeu ao cenário com aumento da produção fora da região, destacando Brasil, Cazaquistão, Estados Unidos e Venezuela.

Chuvas em Minas Gerais influenciaram preços do café

Na análise dos produtos agrícolas, o Fundo relaciona a alta dos preços ao aumento das cotações de cereais e bebidas.

No caso do café, o relatório registra valorização de 8% entre março e agosto. O movimento ocorreu após fortes chuvas em Minas Gerais, que atrasaram a colheita e ampliaram as preocupações com a qualidade dos grãos.

A referência evidencia como problemas climáticos em uma importante região produtora brasileira podem repercutir no mercado internacional.

Desemprego projetado em 6,2% neste ano

Para o mercado de trabalho, o FMI prevê taxa de desemprego de 6,2% em 2026 e de 6,8% em 2027.

O dado doméstico mais recente citado no material aponta taxa de 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.

Esse foi o menor resultado para o período desde o início da série histórica, em 2012. As projeções do FMI e o indicador do IBGE correspondem a referências temporais diferentes e devem ser analisados considerando essa distinção.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias