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Brasil

Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto com alta das exportações de soja, café e petróleo

Vendas externas brasileiras cresceram 12,2% no mês, enquanto agropecuária movimentou US$ 7,4 bilhões; corrente de comércio atingiu recorde para agosto


Publicado em: 14/09/2026 às 10:50hs

Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto com alta das exportações de soja, café e petróleo

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto de 2026, com contribuição decisiva das exportações de soja, café, petróleo, cobre, carnes de aves e farelo de soja. O saldo ficou 23,8% acima do apurado no mesmo mês de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado foi o terceiro maior já registrado para meses de agosto desde o início da série histórica. O desempenho ficou atrás apenas dos saldos alcançados em agosto de 2023, de US$ 9,6 bilhões, e de 2021, quando o superávit chegou a US$ 7,7 bilhões.

As exportações brasileiras somaram US$ 33,2 bilhões, crescimento de 12,2% na comparação anual. As importações avançaram 9,2%, para US$ 25,8 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio — resultado da soma das exportações com as importações — atingiu US$ 58,9 bilhões, alta de 10,9% e maior valor já contabilizado para um mês de agosto.

Agropecuária exporta US$ 7,4 bilhões em agosto

As exportações cresceram nos três grandes setores da economia. A indústria extrativa apresentou o avanço mais intenso, seguida pela agropecuária e pela indústria de transformação.

A agropecuária exportou US$ 7,4 bilhões em agosto, aumento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi sustentado principalmente pelo crescimento das vendas externas de soja, café não torrado e animais vivos.

As exportações de soja avançaram 14%, reforçando o peso do agronegócio no saldo comercial brasileiro. Já os embarques de café não torrado cresceram 24,1%, beneficiados pela valorização internacional e pelo maior ritmo de comercialização.

As vendas externas de animais vivos, exceto pescados e crustáceos, tiveram expansão de 174,3%, configurando uma das maiores altas entre os produtos agropecuários exportados pelo país.

Carne de frango e farelo de soja ganham espaço

Na indústria de transformação, as exportações atingiram US$ 17,2 bilhões, crescimento de 10,2% na comparação com agosto de 2025.

Entre os destaques ligados ao agronegócio, as vendas externas de carne de aves avançaram 40,5%. Os embarques de farelo de soja e de outros produtos utilizados na alimentação animal aumentaram 36,6%.

O desempenho indica que o complexo soja continuou exercendo papel estratégico no comércio exterior, tanto por meio das exportações do grão quanto dos produtos processados.

Os combustíveis também contribuíram para o avanço da indústria de transformação, com crescimento de 61,6% na receita obtida no mercado internacional.

Petróleo e cobre impulsionam indústria extrativa

A indústria extrativa exportou US$ 8,3 bilhões em agosto, alta de 16,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

As vendas de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 223,1%, enquanto as exportações de minérios de níquel e concentrados avançaram 120,7%. O petróleo bruto também apresentou expansão de 18%.

Em sentido contrário, as exportações de minério de ferro recuaram 10,8%. O resultado foi influenciado pela queda de 4,4% no preço médio e pela redução de 6,7% no volume embarcado.

Exportações de carne bovina recuam 19,7%

Apesar do crescimento das vendas externas brasileiras, as exportações de carne bovina diminuíram 19,7% em relação a agosto de 2025.

A retração ocorreu em meio aos efeitos da cota estabelecida pela China, principal destino internacional da proteína brasileira. O limite definido pelo mercado chinês é de 1,106 milhão de toneladas. Os volumes que ultrapassarem essa quantidade ficam sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.

O mecanismo pode reduzir a competitividade do produto brasileiro e influenciar o ritmo dos embarques durante os próximos meses, especialmente porque a China exerce forte peso sobre o desempenho do setor frigorífico nacional.

Exportações brasileiras crescem para Europa e América do Norte

As vendas externas avançaram para a maioria dos principais destinos comerciais do Brasil. A Europa apresentou um dos maiores crescimentos, com aumento de 22,1% e movimentação de US$ 7,3 bilhões.

A Ásia, sem considerar o Oriente Médio, permaneceu como principal destino dos produtos brasileiros, com US$ 13,6 bilhões em compras e avanço de 0,7%.

As exportações para a América do Norte somaram US$ 4,6 bilhões, alta de 11,5%. Para a África, as vendas cresceram 20,5%, alcançando US$ 1,7 bilhão, enquanto o Oriente Médio comprou US$ 1,4 bilhão, aumento de 12,6%.

A América do Sul foi a única entre as grandes regiões analisadas a registrar retração. As exportações totalizaram US$ 3,6 bilhões, redução de 1,5% ante agosto do ano passado.

Vendas para os Estados Unidos avançam mesmo com tarifas

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% na comparação anual, mesmo diante das tensões comerciais e da aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos originários do Brasil.

O resultado mostra que, apesar das barreiras tarifárias, a demanda norte-americana por determinados produtos brasileiros permaneceu aquecida em agosto. Os impactos das medidas, entretanto, podem variar de acordo com o setor e com o nível de exposição de cada cadeia produtiva ao mercado dos Estados Unidos.

Importações crescem 9,2% e chegam a US$ 25,8 bilhões

As importações brasileiras também avançaram em agosto, impulsionadas principalmente pelas compras de bens de capital e de consumo.

As aquisições de bens intermediários somaram US$ 15 bilhões, crescimento de 3,1%. Os bens de consumo movimentaram US$ 3,9 bilhões, com alta de 15%.

As importações de bens de capital também chegaram a US$ 3,9 bilhões, mas apresentaram expansão mais intensa, de 29,3%. Já as compras externas de combustíveis alcançaram US$ 3 bilhões, avanço de 7,4%.

O aumento das importações de máquinas, equipamentos e outros bens de capital pode sinalizar ampliação dos investimentos produtivos, enquanto a expansão dos bens intermediários reflete a demanda por insumos utilizados pela indústria nacional.

Superávit comercial alcança US$ 55,3 bilhões em 2026

No acumulado entre janeiro e agosto, a balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 55,3 bilhões, crescimento de 28,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

As exportações alcançaram US$ 250,9 bilhões nos oito primeiros meses do ano, alta de 10,3%. As importações totalizaram US$ 195,5 bilhões, com crescimento de 6,1%.

O superávit acumulado é o segundo maior da série histórica para o período, iniciada em 1989. O resultado fica abaixo apenas do registrado entre janeiro e agosto de 2023, quando o saldo positivo havia alcançado US$ 62,4 bilhões.

MDIC projeta superávit de US$ 90 bilhões em 2026

Diante do desempenho do comércio exterior, o MDIC elevou sua projeção para o saldo da balança comercial brasileira em 2026. A estimativa passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões.

A previsão para as exportações foi ampliada de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões. Para as importações, a estimativa subiu de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões. Uma nova atualização das projeções deverá ser apresentada em outubro.

A estimativa oficial está acima da expectativa das instituições financeiras consultadas pelo Banco Central. Conforme o Boletim Focus, o mercado projeta superávit comercial de US$ 78 bilhões para 2026.

O desempenho nos próximos meses dependerá do comportamento dos preços internacionais, da demanda dos principais parceiros comerciais e do ritmo dos embarques de commodities. Para o agronegócio, soja, café, carnes e derivados permanecem entre os principais produtos capazes de sustentar a geração de divisas e o saldo positivo do comércio exterior brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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