Publicado em: 10/06/2026 às 18:20hs
A atividade econômica brasileira apresentou crescimento em maio, impulsionada principalmente pelo desempenho do varejo e pela continuidade da recuperação dos serviços prestados às famílias. Os dados são do Índice Getnet de Atividade Econômica (IGet), desenvolvido pela Getnet em parceria com o Santander.
O levantamento mostra que o setor de serviços avançou 0,4% na comparação com abril, enquanto o varejo ampliado registrou alta de 1,9%, consolidando o segundo mês consecutivo de crescimento. Apesar dos resultados positivos, economistas alertam para um cenário de desaceleração gradual da economia diante dos efeitos combinados da política monetária restritiva e dos estímulos fiscais implementados no início do ano.
O IGet Serviços registrou crescimento mensal de 0,4% em maio. O segmento de serviços prestados às famílias apresentou expansão pelo terceiro mês consecutivo, demonstrando certa resiliência do consumo.
Entretanto, os resultados ainda não foram suficientes para compensar as perdas registradas em fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o indicador segue em terreno negativo, acumulando queda de 3,3%.
Entre os segmentos analisados, os resultados foram heterogêneos. O setor de alojamento e alimentação recuou 0,1% em maio, enquanto a categoria de outros serviços prestados às famílias registrou retração de 2,3%, praticamente devolvendo os ganhos observados no mês anterior.
Segundo os analistas, o comportamento do setor sugere que os juros elevados continuam afetando a demanda por serviços, enquanto os estímulos fiscais e a força do mercado de trabalho começam a perder intensidade.
O destaque do levantamento ficou com o varejo ampliado, que avançou 1,9% em maio na comparação mensal. O resultado representa o segundo mês seguido de expansão do indicador.
Já o varejo restrito cresceu 1,7%, registrando o primeiro desempenho positivo de 2026 na comparação mensal. Apesar disso, os indicadores ainda mostram retração na comparação anual: queda de 0,7% no varejo ampliado e de 6,0% no varejo restrito.
Entre os segmentos que mais contribuíram para o avanço do comércio estão:
Por outro lado, os setores de combustíveis (-2,7%) e artigos farmacêuticos (-1,9%) apresentaram retração no período.
De acordo com Gabriel Couto, economista do Santander, os dados de maio mostram um cenário de crescimento, mas ainda marcado por diferenças significativas entre os setores da economia.
"O avanço observado em serviços e varejo confirma uma atividade econômica ainda resiliente. No entanto, a abertura dos indicadores revela um comportamento heterogêneo entre os segmentos, refletindo os efeitos simultâneos da política monetária restritiva e dos estímulos fiscais implementados no início do ano", destaca.
Apesar dos resultados positivos registrados em maio, a avaliação dos economistas responsáveis pelo estudo é de que a atividade econômica brasileira deverá apresentar desaceleração gradual ao longo do segundo trimestre.
A expectativa é que os efeitos dos juros elevados continuem limitando o consumo e os investimentos, enquanto os impactos dos estímulos fiscais tendem a perder força nos próximos meses.
Nesse contexto, os próximos indicadores econômicos serão acompanhados de perto pelo mercado para avaliar a intensidade do ritmo de crescimento da economia brasileira ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias