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Brasil

Consumidor brasileiro segue pressionado por inflação, endividamento e riscos climáticos, aponta Rabobank

Relatório mostra desaceleração gradual da inflação, mas alerta para impactos do El Niño, custos de energia, alimentos e desafios ao consumo no segundo semestre de 2026.


Publicado em: 06/08/2026 às 20:00hs

Consumidor brasileiro segue pressionado por inflação, endividamento e riscos climáticos, aponta Rabobank

A economia brasileira apresenta sinais de melhora gradual da inflação, mas o consumidor continua enfrentando um cenário de elevado endividamento, perda de poder de compra e incertezas provocadas pelo ambiente geopolítico e climático. A avaliação é do novo relatório "O Consumidor Brasileiro em Foco", divulgado pelo RaboResearch, braço de pesquisas do Rabobank.

Segundo o estudo, embora a inflação tenha desacelerado nos últimos meses em razão da redução dos preços dos alimentos após fortes altas registradas anteriormente, o processo de convergência para a meta continua lento. Entre os principais fatores de risco para o restante de 2026 estão a possibilidade de um evento de El Niño, a volatilidade dos preços da energia e dos fertilizantes e os reflexos das tensões no Oriente Médio sobre os mercados globais.

Inflação dos alimentos pode voltar a acelerar

O relatório destaca que a inflação dos alimentos voltou a ganhar força no segundo trimestre de 2026, impulsionada principalmente pelos produtos in natura.

Para os próximos meses, a expectativa é de novas pressões sobre os preços dos alimentos caso o El Niño se confirme, afetando a produção agrícola e reduzindo a oferta de diversos produtos.

A projeção do RaboResearch é de que a inflação dos alimentos encerre 2026 em 6,4%, bem acima dos 1,4% registrados em 2025, com maior impacto sobre frutas, verduras e hortaliças.

Mercado de trabalho continua forte, mas renda perde fôlego

Apesar da taxa de desemprego permanecer em níveis historicamente baixos, o mercado de trabalho começou a apresentar sinais de desaceleração.

O rendimento médio habitual caiu para R$ 3.621 em junho, acumulando recuo de 1,6% em relação a março. Ainda assim, na comparação anual, a renda permanece 2,8% superior à observada há um ano.

O levantamento aponta que a política monetária restritiva e o menor ritmo de crescimento da economia explicam parte dessa desaceleração da renda das famílias.

Endividamento e inadimplência seguem elevados

Mesmo com renda superior à do ano passado, as famílias brasileiras continuam altamente comprometidas com dívidas.

Segundo o relatório, aproximadamente metade da renda permanece destinada ao pagamento de financiamentos e outras obrigações financeiras, enquanto os índices de inadimplência continuam próximos dos maiores níveis observados nos últimos anos.

O Rabobank também chama atenção para o crescimento dos gastos com apostas online, que pode ampliar a pressão financeira sobre os consumidores em um ambiente de inflação ainda elevada.

Poder de compra continua sob pressão

Outro indicador acompanhado pelo estudo mostra deterioração do poder de compra.

A relação entre o rendimento médio mensal e o custo da cesta básica voltou a cair, passando para o equivalente a 2,7 cestas básicas, após alcançar 2,8 no início do ano.

Embora o nível permaneça acima do pior momento observado em 2022, o consumidor ainda enfrenta dificuldades para ampliar o consumo, principalmente diante dos juros elevados e do crédito mais restrito.

Mercado de proteínas favorece frango e suínos

No setor de alimentos, o relatório aponta um cenário de maior competitividade para as carnes de frango e suína em relação à bovina.

O excesso de oferta nas cadeias de aves e suínos mantém os preços mais baixos ao consumidor, enquanto a carne bovina segue sustentada pelas exportações recordes registradas no primeiro semestre de 2026.

Segundo o Rabobank, praticamente todo o aumento da produção bovina foi absorvido pelo mercado externo, reduzindo a pressão sobre a oferta doméstica.

Leite deve ficar mais caro no segundo semestre

Os analistas também projetam continuidade da alta dos preços do leite e derivados.

Com a produção nacional próxima da estabilidade e possibilidade de impactos climáticos sobre a oferta, o preço pago ao produtor subiu de aproximadamente R$ 2,00 para R$ 2,74 por litro ao longo do primeiro semestre.

A tendência é que esse aumento seja repassado gradualmente ao consumidor nos próximos meses, pressionando o IPCA dos lácteos.

Café mais barato e bebidas em cenários distintos

Entre as bebidas, o levantamento mostra comportamentos diferentes entre as categorias.

Enquanto cervejas continuam registrando reajustes moderados, o mercado de café apresenta tendência de queda de preços ao consumidor devido à maior disponibilidade de café arábica.

O preço médio do café torrado e moído caiu de R$ 66,82 para R$ 53,20 por quilo na comparação anual, e o banco avalia que novas reduções ainda podem ocorrer ao longo do segundo semestre.

Perspectiva para o agronegócio e o consumo

O RaboResearch avalia que o terceiro trimestre será marcado por uma combinação de oportunidades e desafios para o agronegócio.

De um lado, a desaceleração gradual da inflação pode favorecer uma recuperação moderada do consumo. Por outro, riscos associados ao El Niño, aos preços da energia, dos fertilizantes e às tensões geopolíticas continuam ameaçando a estabilidade dos custos de produção e dos preços dos alimentos.

Nesse cenário, proteínas de menor custo tendem a permanecer mais competitivas, os lácteos devem continuar em trajetória de valorização e o varejo alimentar poderá apresentar recuperação gradual, desde que o poder de compra das famílias não seja novamente comprometido pelos choques climáticos e econômicos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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