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Mercado Financeiro

Selic cai para 14% ao ano, mas crédito rural continua caro e desafia produtores na safra 2026/27

Mesmo com o corte da taxa básica de juros pelo Copom, custo do financiamento segue elevado; especialistas apontam gestão financeira, cooperativas e planejamento como alternativas para reduzir despesas no agronegócio.


Publicado em: 06/08/2026 às 19:40hs

Selic cai para 14% ao ano, mas crédito rural continua caro e desafia produtores na safra 2026/27

A redução da taxa Selic para 14% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), trouxe um alívio moderado para o mercado financeiro, mas ainda está longe de representar uma queda significativa no custo do crédito para o agronegócio brasileiro. Mesmo após o novo corte, o financiamento da produção rural permanece em patamar elevado, pressionando produtores, cooperativas e toda a cadeia agroindustrial.

O cenário é especialmente desafiador em um momento em que o setor enfrenta margens mais apertadas, volatilidade nos preços das commodities, custos elevados de produção e maior seletividade na concessão de financiamentos para a safra 2026/27.

Crédito rural segue pressionado pelos juros elevados

Embora a redução de 0,25 ponto percentual na Selic represente um sinal de flexibilização da política monetária, especialistas avaliam que o impacto prático sobre o crédito rural ainda será limitado.

As instituições financeiras continuam operando com custos elevados de captação, refletindo diretamente nas taxas cobradas dos produtores rurais, tanto nas operações de custeio quanto nos investimentos em máquinas, equipamentos, armazenagem e expansão da produção.

Na avaliação do setor financeiro, o desafio atual não está apenas na obtenção do crédito, mas também na escolha da modalidade mais adequada ao perfil de cada propriedade e ao fluxo financeiro da atividade.

Inadimplência preocupa e recuperação deve ser lenta

O ambiente de juros elevados também se reflete nos indicadores de inadimplência.

Levantamento da Serasa Experian mostra que 8,2% dos produtores rurais encerraram 2025 inadimplentes, um aumento de um ponto percentual em relação ao ano anterior.

Entre os diferentes perfis de produtores, os grandes registraram o maior índice de inadimplência, com 9,8%, seguidos pelos médios (8,3%) e pequenos produtores (7,8%).

Segundo a consultoria L.E.K. Consulting, a normalização desse cenário deverá ocorrer apenas entre 2028 e 2030, dependendo da evolução dos preços das commodities agrícolas, dos custos de produção e da rentabilidade das propriedades rurais.

Planejamento financeiro pode reduzir o custo do crédito

Diante desse cenário, especialistas defendem que a gestão financeira passa a ser tão importante quanto a produtividade dentro da propriedade rural.

Para o diretor comercial do Sicoob Credicom, Orestes Miraglia, instituições financeiras que contam com equipes técnicas especializadas no agronegócio conseguem oferecer análises mais completas das operações, reduzindo riscos e permitindo acesso a linhas de crédito mais adequadas às necessidades do produtor.

Segundo ele, a participação de profissionais com conhecimento simultâneo em agronomia e finanças torna o processo de análise mais eficiente, acelerando a contratação e possibilitando melhores condições de financiamento.

Cooperativas ganham espaço na concessão de crédito

Outro diferencial apontado pelo setor é o papel das cooperativas financeiras.

Por manterem relacionamento próximo com seus cooperados, essas instituições conseguem compreender melhor o ciclo produtivo, a sazonalidade da receita e o fluxo de caixa de cada propriedade, permitindo estruturar operações mais compatíveis com a realidade de cada produtor.

Além da concessão de crédito, esse acompanhamento pode contribuir para reorganizar dívidas existentes, alongar prazos e reduzir o volume de recursos necessários para financiar a atividade.

Separar finanças pessoais e da propriedade é estratégia essencial

Entre as recomendações para enfrentar o atual cenário de juros elevados está a separação entre as finanças da pessoa física e da atividade rural.

Misturar recursos pessoais com os da empresa rural dificulta o controle financeiro, prejudica a análise da rentabilidade da propriedade e pode resultar na contratação de linhas de crédito inadequadas, já que pessoas físicas e jurídicas possuem condições, tarifas e custos distintos.

Uma gestão financeira organizada facilita o planejamento, melhora a capacidade de negociação com instituições financeiras e reduz o risco de inadimplência.

Crédito rural continua estratégico para o agronegócio

Responsável por movimentar cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o agronegócio depende diretamente da disponibilidade de crédito para financiar desde o plantio até a comercialização da produção.

Nesse contexto, preservar a qualidade das operações financeiras tornou-se prioridade tanto para produtores quanto para agentes financeiros.

Com a Selic ainda em patamar historicamente elevado, especialistas avaliam que o sucesso da safra 2026/27 dependerá não apenas da produtividade e dos preços das commodities, mas também da capacidade de planejamento financeiro, da escolha das linhas de crédito mais adequadas e do fortalecimento do relacionamento entre produtores e instituições financeiras especializadas no agro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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