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Brasil

Agronegócio gera superávit de US$ 13,49 bilhões em agosto, mas exportações paulistas recuam

Vendas externas do agro brasileiro cresceram 6,7%, impulsionadas por soja, café, celulose e frango; em São Paulo, queda do complexo sucroenergético reduziu o saldo setorial em 21,7%


Publicado em: 17/09/2026 às 19:00hs

Agronegócio gera superávit de US$ 13,49 bilhões em agosto, mas exportações paulistas recuam

O agronegócio brasileiro encerrou agosto de 2026 com superávit comercial de US$ 13,49 bilhões, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo mês de 2025. As exportações do setor alcançaram US$ 15,18 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 1,68 bilhão.

Os dados, divulgados pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), mostram que o agro teve participação decisiva no desempenho do comércio exterior brasileiro.

A balança comercial total do país registrou saldo positivo de US$ 7,39 bilhões em agosto, resultado 23,8% superior ao apurado no mesmo período do ano passado.

Em São Paulo, entretanto, o cenário foi diferente. As exportações do agronegócio recuaram 16,6%, pressionadas principalmente pelo açúcar, etanol e suco de laranja. Apesar da retração, o setor paulista manteve superávit de US$ 1,6 bilhão.

Exportações do agronegócio crescem 6,7%

As vendas externas do agronegócio brasileiro avançaram 6,7% na comparação anual. As importações do setor também cresceram, mas em ritmo menor, com alta de 5%, para US$ 1,68 bilhão.

A soja em grãos permaneceu como o principal produto da pauta exportadora. Os embarques movimentaram US$ 4,41 bilhões, aumento de 14% frente a agosto de 2025.

Também contribuíram para o resultado positivo:

  • Café verde, com crescimento de 24,1%;
  • Celulose, com avanço de 30,2%;
  • Carne de frango in natura, com alta de 39,4%;
  • Farelo de soja, com aumento de 35,9%.

Outro destaque foi a exportação de bovinos vivos, que cresceu 182,6% e alcançou o maior valor mensal da série histórica para o produto.

Carne de frango avança com retomada das compras chinesas

As exportações brasileiras de carne de frango in natura cresceram 39,4% em agosto, tendo a China como principal destino.

O desempenho contrasta com o cenário observado em 2025, quando o mercado chinês suspendeu as compras da proteína brasileira entre maio e novembro em razão da ocorrência de gripe aviária.

A retomada do fluxo comercial com a China contribuiu para ampliar a receita do segmento e fortalecer a participação das proteínas animais na pauta exportadora do agronegócio.

Carne bovina, milho e açúcar perdem receita no exterior

Apesar do resultado positivo do setor, produtos relevantes registraram retração nas vendas externas.

A receita obtida com a carne bovina in natura caiu 19,7%, totalizando US$ 1,21 bilhão. As exportações de milho recuaram 25,3%, enquanto as vendas de açúcar de cana em bruto diminuíram 41,9%.

O suco de laranja apresentou a maior queda entre os principais itens analisados, com retração de 47,4% na comparação com agosto do ano passado.

Déficit comercial de São Paulo sobe para US$ 1,9 bilhão

A balança comercial paulista registrou aumento do déficit em agosto. As exportações totais do estado somaram US$ 6,43 bilhões, avanço de 6,4%, enquanto as importações cresceram 17,1%, para US$ 8,38 bilhões.

Como resultado, o déficit comercial de São Paulo passou de US$ 1,1 bilhão em agosto de 2025 para US$ 1,9 bilhão no mesmo mês de 2026.

O agronegócio estadual manteve saldo positivo de US$ 1,6 bilhão, mas o resultado ficou 21,7% abaixo do registrado um ano antes.

As exportações paulistas do setor totalizaram US$ 2,04 bilhões, com queda anual de 16,6%. As importações de produtos do agronegócio chegaram a US$ 485,5 milhões, crescimento de 5,6%.

Açúcar e etanol pressionam exportações paulistas

O complexo sucroenergético exerceu forte influência sobre a queda das exportações do agronegócio de São Paulo.

As vendas externas de açúcar de cana em bruto recuaram 45%, enquanto as exportações de açúcar refinado caíram 21,2%. No caso do álcool etílico, a retração chegou a 58,9%.

A redução da receita ocorreu tanto pela queda das quantidades embarcadas quanto pela diminuição dos preços médios. De acordo com a análise da Faesp, o menor volume comercializado teve peso maior sobre o resultado.

As exportações paulistas de suco de laranja também caíram 58,5%. Outros recuos foram observados na carne bovina in natura, com baixa de 30,6%; no sebo bovino, com 28%; e no café verde, com 18,8%.

Farelo de soja, algodão e café solúvel avançam em São Paulo

Embora o resultado geral tenha sido negativo, alguns produtos apresentaram crescimento expressivo nas exportações paulistas.

O farelo de soja liderou o avanço, com alta de 160,9%. As vendas externas de algodão não cardado nem penteado aumentaram 136,8%, enquanto as exportações de café solúvel cresceram 169,8%.

O óleo essencial de laranja também se destacou, com expansão de 101,6%. Na maioria desses produtos, a elevação da receita foi sustentada principalmente pelo aumento das quantidades embarcadas.

Importações paulistas de trigo e leite em pó aumentam

As compras paulistas de produtos do agronegócio cresceram 5,6% em agosto, alcançando US$ 485,5 milhões.

Os salmões assumiram a liderança da pauta de importações, com alta de 48,4%. Também houve aumento nas compras de:

  • Papel, com avanço de 14,9%;
  • Vestuário e outros produtos de algodão, com alta de 41,8%;
  • Trigo, com crescimento de 46,7%;
  • Leite em pó, com elevação de 25,8%.

O avanço foi associado principalmente ao aumento das quantidades importadas. Nos casos do trigo e do salmão, a elevação dos preços médios também contribuiu para ampliar os valores desembolsados.

Agro nacional avança, enquanto São Paulo perde receita

Os resultados de agosto revelam trajetórias distintas no comércio exterior do agronegócio. Em âmbito nacional, a expansão dos embarques de soja, café, celulose, frango e farelo de soja elevou as exportações e o superávit comercial.

Em São Paulo, por outro lado, a queda das vendas de açúcar, etanol e suco de laranja reduziu a receita externa e o saldo do setor. Mesmo assim, o agronegócio paulista permaneceu superavitário e continuou ajudando a compensar o déficit comercial total do estado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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