Semana do Fazendeiro 2026 destaca pesquisa da UFV que acelera melhoramento genético de pimentas e aproxima ciência dos agricultorespimenta_SF_pimenta_SF_
Projeto de extensão da Universidade Federal de Viçosa apresentou resultados científicos, recebeu cerca de 500 visitantes e ampliou a divulgação de tecnologias para uma agricultura mais produtiva e sustentável
Publicado em: 29/07/2026 às 11:45hs
A 96ª Semana do Fazendeiro, realizada entre os dias 18 e 26 de julho de 2026, no Campus Viçosa da Universidade Federal de Viçosa (UFV), reforçou o papel da universidade na geração e difusão de conhecimento para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária brasileira.
Entre os destaques do evento esteve a participação do projeto de extensão “Melhoramento genético participativo das pimentas”, que apresentou ao público as ações desenvolvidas junto aos agricultores, divulgou resultados de pesquisas e promoveu a integração entre ciência, produtores rurais e comunidade.
Com o tema “Formando pessoas e transformando a agricultura e a pecuária que alimentam o Brasil e o mundo”, a Semana do Fazendeiro reuniu estudantes, pesquisadores, produtores, profissionais do setor agropecuário e visitantes interessados em inovação no campo.
Projeto da UFV aproxima pesquisa científica dos agricultores
A participação do projeto teve como principal objetivo ampliar a divulgação das ações extensionistas, aproximar a universidade da sociedade e compartilhar conhecimentos científicos de forma acessível.
Durante os nove dias de programação, a equipe permaneceu em um estande dedicado ao projeto, onde apresentou as metodologias utilizadas, os impactos das pesquisas e a importância do melhoramento genético participativo para o fortalecimento da agricultura.
Os visitantes puderam conhecer mais sobre o desenvolvimento de novas variedades de pimentas, a conservação da diversidade genética e as estratégias utilizadas para selecionar plantas com maior potencial produtivo.
Estande recebeu cerca de 500 visitantes durante o evento
Ao longo da Semana do Fazendeiro, o estande do projeto recebeu aproximadamente 500 pessoas, incluindo estudantes, professores, pesquisadores, agricultores, profissionais de diferentes áreas e membros da comunidade.
A interação proporcionou uma ampla troca de experiências, permitindo que a equipe apresentasse os resultados obtidos e também recebesse sugestões, dúvidas e contribuições dos participantes.
Um dos públicos que mais chamou atenção foi o infantil. Crianças demonstraram grande interesse pelas atividades e pelos materiais apresentados, indicando o potencial do projeto para ampliar ações de educação científica e divulgação do conhecimento agrícola.
Também houve procura de pessoas interessadas em participar das atividades do projeto e acompanhar as ações pelas redes sociais. Além disso, muitos visitantes demonstraram interesse na aquisição das plantas utilizadas durante a exposição.

Redes sociais ampliam alcance da pesquisa científica
A participação na Semana do Fazendeiro também trouxe impactos positivos para a comunicação digital do projeto.
O perfil oficial do projeto de extensão registrou um crescimento de 75,9% nas visitas ao Instagram durante o período do evento, indicando aumento significativo da visibilidade e do interesse do público pelas pesquisas desenvolvidas.
O resultado demonstra a importância das estratégias de divulgação científica para aproximar projetos acadêmicos da sociedade e ampliar o acesso às informações produzidas dentro da universidade.
Pesquisa identifica genes ligados à produtividade das pimentas
Um dos principais destaques apresentados durante o evento foi uma pesquisa que identificou marcadores moleculares (SNPs) associados à produtividade e ao desempenho fisiológico de pimentas da espécie Capsicum chinense.
A espécie reúne variedades amplamente conhecidas no mercado brasileiro, como:
- Pimenta habanero;
- Pimenta biquinho;
- Pimenta bode;
- Pimentas-de-cheiro.
O estudo representa um avanço importante para os programas de melhoramento genético, pois permite identificar plantas superiores ainda nas fases iniciais de desenvolvimento, reduzindo tempo e custos na criação de novas cultivares.
Entre as características relacionadas aos marcadores identificados estão:
- Maior rendimento de frutos;
- Maior concentração de clorofila;
- Produção de carotenoides;
- Eficiência no metabolismo da glicose;
- Melhor desempenho fisiológico das plantas.
Segundo os pesquisadores, essas informações podem acelerar o desenvolvimento de variedades mais produtivas, adaptadas às diferentes condições ambientais e com maior potencial comercial.
Diversidade genética abre novas oportunidades para horticultura
Outro resultado relevante da pesquisa foi a identificação de ampla diversidade genética entre os materiais avaliados.
As diferenças observadas envolveram características como:
- Formato dos frutos;
- Tamanho;
- Coloração;
- Produtividade;
- Composição bioquímica.
Essa diversidade representa uma importante fonte de recursos para o desenvolvimento de cultivares destinadas a diferentes mercados e sistemas produtivos.
O estudo também indicou que a diversidade genética encontrada não está necessariamente relacionada à origem geográfica das plantas, resultado que sugere intensa circulação e troca de sementes entre agricultores ao longo do tempo.

Ambiente influencia desempenho das plantas
As análises realizadas pelos pesquisadores também demonstraram que fatores ambientais exercem influência direta sobre o desenvolvimento das pimenteiras.
Condições como:
- Temperatura;
- Radiação solar;
- Distribuição das chuvas;
- interferiram nas características fisiológicas e produtivas das plantas avaliadas.
Mesmo diante das variações ambientais, alguns materiais apresentaram maior estabilidade produtiva, característica considerada estratégica para agricultores que buscam segurança e previsibilidade na produção.
Os genótipos mais promissores alcançaram produtividade entre aproximadamente 3 e 3,8 quilos de frutos por planta, sendo considerados prioritários para futuras etapas de seleção genética.
Capacitação de agricultores fortalece inovação no campo
Além da pesquisa científica, o projeto de extensão da UFV também possui como foco a formação de agricultores, estudantes e profissionais das ciências agrárias.
Estão previstas ações de capacitação envolvendo temas como:
- Melhoramento genético participativo;
- Produção de sementes;
- Avaliação de cultivares;
- Manejo sustentável;
- Coleta e análise de dados em campo.
Estudantes do curso de Agronomia da UFV também participam diretamente das atividades, fortalecendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão.
A iniciativa contribui para formar profissionais mais preparados para enfrentar os desafios da agricultura moderna e desenvolver soluções aplicáveis ao setor produtivo.
Ciência, extensão e agricultura caminham juntas
A participação na 96ª Semana do Fazendeiro consolidou o projeto “Melhoramento genético participativo das pimentas” como uma importante ferramenta de aproximação entre universidade e sociedade.
Entre os principais resultados alcançados estão:
- Maior divulgação das ações do projeto;
- Fortalecimento da relação entre UFV e comunidade;
- Ampliação do alcance nas redes sociais;
- Compartilhamento de conhecimento sobre melhoramento genético;
- Desenvolvimento das habilidades de comunicação científica da equipe.
A iniciativa reforça o papel da extensão universitária como ponte entre a pesquisa acadêmica e os desafios enfrentados diariamente pelos agricultores brasileiros.
Mais informações sobre o projeto, pesquisas e disponibilidade de sementes de pimenta podem ser obtidas pelo site do grupo Fisiologia Molecular de Plantas da UFV.
- Contato: Prof. Agustin Zsogon
- E-mail: agustin.zsogon@ufv.br
Fonte: Portal do Agronegócio
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