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Cana de Açucar

Genética e planejamento varietal impulsionam produtividade dos canaviais

CTC e Atvos apresentam avanços em variedades de cana-de-açúcar, inteligência agronômica e manejo integrado para elevar a produção de açúcar por hectare e reduzir riscos no setor sucroenergético


Publicado em: 18/09/2026 às 14:00hs

Genética e planejamento varietal impulsionam produtividade dos canaviais

O avanço da genética aliado ao planejamento varietal e ao manejo orientado por dados está abrindo novas oportunidades para elevar a produtividade dos canaviais brasileiros. A estratégia ganha importância diante da maior ocorrência de eventos climáticos extremos, da pressão sobre as margens e da necessidade de ampliar a eficiência no setor sucroenergético.

O tema foi debatido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e pela Atvos durante o 20º Grande Encontro sobre Variedades de Cana-de-Açúcar & Novas Técnicas de Fertilização. Promovido pelo Grupo IDEA, o evento foi realizado nos dias 2 e 3 de setembro, no Multiplan Hall, em Ribeirão Preto (SP).

As empresas mostraram como novas variedades de cana-de-açúcar, planejamento de longo prazo e decisões agronômicas baseadas em informações de campo podem contribuir para formar lavouras mais produtivas, adaptadas e consistentes.

Produtividade ajuda a reduzir custos no setor sucroenergético

Na avaliação do CTC, aumentar a produção por hectare é uma das principais alternativas disponíveis para melhorar a rentabilidade da atividade. Embora preços, clima e outras variáveis externas não estejam sob o controle direto do produtor, a produtividade permite diluir custos fixos e elevar a eficiência operacional.

Para transformar esse potencial em resultados no campo, a genética deve estar integrada ao manejo, à qualidade das sementes, à biotecnologia, às ferramentas digitais e ao suporte técnico.

“Genética sozinha não ganha jogo. Ela define o potencial produtivo, mas o manejo otimizado transforma esse potencial em ganho real. Por isso, o desenvolvimento de variedades precisa estar conectado a um pacote tecnológico, planejamento varietal, agronomia digital e ao suporte técnico ao produtor”, afirma Henrique D’Avila, gerente de Desenvolvimento de Mercado do CTC.

Inteligência artificial acelera ganho genético da cana-de-açúcar

O programa de melhoramento genético do CTC passou por uma transformação com a incorporação de ciência de dados e inteligência artificial ao processo de seleção de variedades. Segundo a companhia, o ganho genético anual avançou de 0,4% para 3,3%.

Essa evolução resultou em uma nova geração de materiais, entre eles a CTCAdvana1. Lançada em 2025, a variedade foi adotada por mais de 260 clientes durante o primeiro ano no mercado.

Nos comparativos apresentados durante o encontro, a CTCAdvana1 alcançou 95% de vitórias, proporcionou ganho de 2,1 toneladas de açúcar por hectare (TAH) e registrou desempenho 16% superior aos padrões de referência utilizados pelo CTC.

Para áreas com condições mais restritivas, a empresa destacou a CTCAdvana2, lançada em 2026. A variedade obteve 87% de vitórias nos comparativos e reúne atributos relacionados à produtividade, sanidade, colheitabilidade, flexibilidade de colheita e concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR).

Atvos projeta elevar produção de açúcar por hectare até 2031

A aplicação prática das novas tecnologias genéticas foi demonstrada pela Atvos. A companhia utiliza planejamento varietal, dados e conhecimento agronômico em seu Plano Diretor, que reúne ações de manejo, irrigação, escolha de variedades e redução do pisoteio das lavouras.

A estratégia orienta a implantação do chamado “canavial do futuro” e estabelece metas para 2031. Entre os objetivos estão elevar em 17% a produção de açúcar por hectare e aumentar em 16,6% a produtividade agrícola medida em toneladas de cana por hectare (TCH).

A empresa também pretende reduzir em 38% o Índice de Concentração Varietal (ICV). A diversificação ajuda a diminuir a exposição dos canaviais a problemas climáticos, fitossanitários e operacionais. A expectativa é alcançar retorno de 4,7 vezes sobre os investimentos previstos em variedades.

Censo Ideal orienta escolha das variedades de cana

Uma das ferramentas adotadas pela Atvos é o Censo Ideal. O instrumento cruza o histórico das variedades, as características do ambiente de produção, o desempenho observado nas lavouras e o conhecimento acumulado pelas equipes técnicas.

As informações orientam as decisões de plantio e permitem tratar o planejamento varietal como um processo contínuo. O modelo envolve planejar, executar, acompanhar os resultados e ajustar periodicamente a composição dos canaviais.

“Escolher a variedade certa é uma condição necessária, mas não é uma condição suficiente. O Censo Ideal foi construído olhando para o futuro, mas começando pelo campo. No final, não construímos apenas uma distribuição de variedades. Construímos uma direção para o canavial que a Atvos quer ter”, afirma Dorivan Rios, especialista de Variedades da Atvos.

Posicionamento correto transforma genética em produtividade

Os resultados apresentados reforçam que o desempenho de uma nova variedade depende diretamente de seu posicionamento agronômico. Características do ambiente de produção, época de plantio e colheita, manejo e qualidade da execução precisam ser consideradas para que o potencial genético seja convertido em produtividade efetiva.

A integração entre genética, dados e planejamento varietal amplia a capacidade de resposta das empresas e dos produtores diante das mudanças climáticas e das oscilações do mercado. Ao combinar variedades adequadas com decisões técnicas mais precisas, o setor sucroenergético pode aumentar a produção por área, controlar custos e construir canaviais mais resilientes.

Fonte: Portal do Agronegócio

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