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Setor Sucroalcooleiro

Produção de açúcar no Nordeste deve crescer 10% na safra 2026/27 com avanço da tecnologia nos canaviais

Estudo do Banco do Nordeste aponta recuperação da produção regional impulsionada por maior oferta de cana-de-açúcar, expansão da irrigação, mecanização e uso de novas tecnologias agrícolas


Publicado em: 28/07/2026 às 17:00hs

Produção de açúcar no Nordeste deve crescer 10% na safra 2026/27 com avanço da tecnologia nos canaviais

A produção de açúcar no Nordeste deve registrar forte recuperação na safra 2026/2027, impulsionada pelo aumento da oferta de cana-de-açúcar e pela adoção crescente de tecnologias no campo. A projeção faz parte de estudo elaborado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, que destaca avanços em produtividade, mecanização, irrigação e sustentabilidade como fatores estratégicos para fortalecer a competitividade do setor sucroenergético regional.

Segundo o levantamento, a produção nordestina de açúcar está estimada em 3,63 milhões de toneladas na próxima safra, crescimento de 10,3% em relação ao ciclo anterior. O avanço deve ocorrer principalmente pela recuperação da disponibilidade de matéria-prima e pelos investimentos realizados pelos produtores para elevar a eficiência dos canaviais.

Cana-de-açúcar deve ampliar produção no Nordeste

O estudo aponta que a produção regional de cana-de-açúcar deverá crescer 3,7% na safra 2026/27, resultado da combinação entre expansão da área cultivada e aumento da produtividade.

Entre os fatores projetados estão:

  • crescimento de 1,3% na área plantada;
  • avanço de 2,3% na produtividade agrícola;
  • maior utilização de tecnologias de manejo;
  • ampliação da irrigação em áreas estratégicas.

O aumento da produtividade é considerado um dos principais desafios para o Nordeste, que historicamente apresenta rendimento médio inferior ao observado em importantes regiões produtoras do país.

Tecnologia transforma a produção de açúcar no Nordeste

A modernização dos canaviais vem ganhando espaço entre os produtores nordestinos como alternativa para reduzir custos, melhorar o desempenho das lavouras e aumentar a competitividade frente a outras regiões produtoras de açúcar e etanol.

Entre as principais tecnologias incorporadas pelo setor estão:

  • sistemas de irrigação;
  • mecanização da colheita;
  • aplicação de bioinsumos;
  • monitoramento por drones;
  • ferramentas digitais de gestão agrícola;
  • novas práticas de manejo sustentável.

O estudo destaca que a irrigação tem papel relevante no avanço da produtividade, especialmente em regiões como a Bahia, onde investimentos em disponibilidade hídrica têm contribuído para melhores resultados agrícolas.

Mecanização ganha força diante da falta de mão de obra

A mecanização da colheita também aparece como uma das principais tendências da cadeia sucroenergética nordestina. Além de aumentar a eficiência operacional, a tecnologia responde ao desafio da redução da disponibilidade de trabalhadores para o corte manual da cana.

A modernização permite maior controle das operações, redução de perdas e melhoria das condições de trabalho no campo.

Para a pesquisadora Maria de Fátima Vidal, autora do estudo, a adoção de tecnologias aliada à gestão eficiente das empresas é fundamental para ampliar a competitividade do setor.

Segundo ela, a transformação tecnológica é uma condição necessária para que o segmento sucroenergético nordestino consiga competir em igualdade com outras regiões produtoras de açúcar e etanol no Brasil.

Clima continua como principal fator de atenção

Apesar das perspectivas positivas para a safra 2026/27, o estudo alerta que as condições climáticas permanecem como um dos principais riscos para a produção regional.

As chuvas intensas registradas em Pernambuco e Paraíba em maio de 2026 podem impactar parte das áreas cultivadas, enquanto a possibilidade de influência do fenômeno El Niño aumenta a preocupação com possíveis irregularidades no regime de chuvas durante o ciclo produtivo.

Mesmo diante desses desafios, a expectativa predominante é de recuperação da oferta de cana-de-açúcar e crescimento da produção de açúcar no Nordeste.

Setor sucroenergético busca maior competitividade

A análise do Etene reforça que a combinação entre expansão agrícola, inovação tecnológica e gestão profissional deve ser determinante para o futuro da cadeia sucroenergética nordestina.

Com investimentos em produtividade, sustentabilidade e modernização dos processos produtivos, o Nordeste busca ampliar sua participação no mercado brasileiro de açúcar e fortalecer sua posição como região estratégica para a produção de derivados da cana-de-açúcar.

O estudo integra a série Cadernos Setoriais do Etene, publicação que acompanha tendências, desempenho e perspectivas das principais cadeias produtivas da economia nordestina.

Fonte: Portal do Agronegócio

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