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Preço do açúcar recua em Nova York e Londres, mas dispara 22,47% no Brasil em agosto

Realização de lucros pressiona contratos internacionais após máximas de até 17 meses, enquanto perspectiva de déficit global e menor produção europeia mantém mercado em alerta


Publicado em: 31/08/2026 às 11:20hs

Preço do açúcar recua em Nova York e Londres, mas dispara 22,47% no Brasil em agosto

Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (28) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, devolvendo parte dos fortes ganhos registrados na sessão anterior. O movimento foi atribuído à realização de lucros depois que os contratos alcançaram os maiores níveis em mais de um ano.

No mercado brasileiro, entretanto, o cenário permaneceu altista. O Indicador do Açúcar Cristal Branco Cepea/Esalq avançou novamente e acumulou valorização de 22,47% em agosto, ampliando a diferença em relação ao comportamento das cotações internacionais no fechamento da semana.

Apesar da correção nas bolsas, as preocupações com a oferta mundial continuam sustentando as perspectivas para o mercado. Consultorias reduziram suas projeções de disponibilidade e passaram a estimar déficits na temporada 2026/27.

Açúcar bruto cai na Bolsa de Nova York

Na ICE Futures U.S., em Nova York, os contratos do açúcar bruto recuaram de forma generalizada. O vencimento outubro de 2026 perdeu 0,63 centavo de dólar e fechou cotado a 17,56 centavos de dólar por libra-peso.

O contrato março de 2027 caiu 0,61 centavo, para 18,58 centavos de dólar por libra-peso. Maio de 2027 recuou 0,43 centavo, encerrando a 18,11 centavos, enquanto julho de 2027 perdeu 0,31 centavo e terminou negociado a 17,75 centavos por libra-peso.

Os demais vencimentos também fecharam no campo negativo, com baixas entre 0,11 e 0,27 centavo, conforme informações da plataforma CZ App.

A pressão vendedora surgiu após a valorização intensa da quinta-feira (27). Antes da correção, o contrato negociado em Nova York chegou a renovar a máxima dos últimos 16 meses e meio.

Açúcar branco acompanha queda em Londres

Na ICE Futures Europe, em Londres, os contratos do açúcar branco acompanharam o movimento de baixa.

O vencimento outubro de 2026 caiu US$ 9,90 e encerrou cotado a US$ 514,40 por tonelada. Dezembro de 2026 perdeu US$ 8,50, terminando a US$ 520,30 por tonelada.

O contrato março de 2027 recuou US$ 9,80, para US$ 523 por tonelada. Maio de 2027 teve baixa de US$ 8,90 e fechou a US$ 523,30 por tonelada.

As posições mais distantes registraram perdas entre US$ 7,70 e US$ 8,70. Na sessão anterior, o açúcar branco havia alcançado o maior patamar em 17 meses.

Preço do açúcar cristal sobe no Brasil

Enquanto as bolsas internacionais passaram por uma correção, o mercado físico brasileiro manteve a trajetória de valorização.

O Indicador do Açúcar Cristal Branco Cepea/Esalq, referente ao mercado de São Paulo, encerrou a sexta-feira com a saca de 50 quilos cotada a R$ 112,06. O preço representou alta diária de 1,33%.

No acumulado de agosto, a valorização chegou a 22,47%. Convertida para a moeda norte-americana, a referência ficou em US$ 21,54 por saca.

O desempenho mostra que fatores específicos do mercado doméstico continuam oferecendo sustentação aos preços, mesmo diante da realização de lucros observada no exterior.

Oferta mundial mais apertada sustenta mercado

A queda da sexta-feira ocorreu depois de um mês marcado por forte valorização. O movimento foi impulsionado principalmente pela expectativa de menor disponibilidade global de açúcar na temporada 2026/27.

Um dos principais fatores de atenção é a produção da União Europeia. O Observatório do Mercado de Açúcar do bloco estimou que a safra europeia poderá recuar 19% em relação ao ciclo anterior, totalizando 13,4 milhões de toneladas.

A perspectiva de menor produção europeia se soma às revisões feitas por diferentes consultorias para o balanço mundial da commodity.

Consultorias projetam déficit global de açúcar em 2026/27

A Green Pool Commodity Specialists estima déficit mundial de 3,2 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2026/27. Para o ciclo 2025/26, a consultoria reduziu a projeção de superávit de 4,93 milhões para 4,85 milhões de toneladas.

A Covrig Analytics também revisou seus números e passou a projetar déficit de 300 mil toneladas na próxima temporada. Anteriormente, a empresa estimava superávit de 100 mil toneladas.

A StoneX elevou sua previsão de déficit de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas. A Czarnikow, por sua vez, abandonou a expectativa de superávit de 1,4 milhão de toneladas e passou a calcular déficit de 100 mil toneladas.

Embora as estimativas apresentem diferenças expressivas, as revisões apontam para uma mesma direção: redução da disponibilidade mundial e maior risco de desequilíbrio entre oferta e demanda.

Maior produção de etanol pode reduzir exportação brasileira

No Brasil, um dos fatores acompanhados pelo mercado é a divisão da cana-de-açúcar entre a fabricação de açúcar e etanol.

Segundo a Czarnikow, o maior direcionamento da matéria-prima para o biocombustível pode reduzir o volume de açúcar produzido e disponível para exportação. Uma alteração no mix das usinas brasileiras teria reflexos relevantes no mercado global, considerando a liderança do país na produção e nos embarques da commodity.

A decisão das unidades industriais depende da rentabilidade relativa entre açúcar e etanol, das condições do mercado doméstico de combustíveis, do câmbio e dos preços internacionais.

Com as projeções de déficit para 2026/27, os operadores devem continuar atentos à produção brasileira, ao mix das usinas, ao desempenho da safra europeia e às novas estimativas para o balanço global. Esses fatores podem manter a volatilidade elevada, mesmo após a correção registrada no encerramento da semana.

Fonte: Portal do Agronegócio

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