Preço do açúcar oscila nas bolsas globais, cristal reage no Brasil e mercado acompanha clima na Índia
Cotações do açúcar recuam em Nova York e Londres, enquanto o açúcar cristal avança em São Paulo. Etanol segue pressionado pela maior oferta, e clima na Índia permanece no radar dos investidores.
Publicado em: 23/07/2026 às 11:50hs
O mercado internacional do açúcar voltou a registrar oscilações nesta quarta-feira (23), refletindo ajustes técnicos nas bolsas de commodities e a atenção dos investidores às condições climáticas da Índia, um dos maiores produtores mundiais da commodity. No Brasil, o açúcar cristal apresentou recuperação no mercado paulista, enquanto o etanol continuou em trajetória de queda diante do aumento da oferta no Centro-Sul.
O cenário reforça a volatilidade que vem marcando o setor sucroenergético, influenciado por fatores climáticos, ritmo da safra brasileira e expectativas para a produção global.
Açúcar fecha em baixa nas bolsas de Nova York e Londres
Após um início de semana marcado por recuperação dos preços, os contratos futuros do açúcar voltaram a registrar ajustes negativos nas principais bolsas internacionais.
Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato com vencimento em outubro de 2026 encerrou o pregão cotado a 14,74 cents por libra-peso, com recuo de 0,14 ponto. O contrato março de 2027 fechou em 15,65 cents/lbp, enquanto maio de 2027 terminou em 15,48 cents/lbp, ambos também com leves perdas.
O movimento foi acompanhado pela Bolsa de Londres, onde os contratos do açúcar branco também encerraram o dia em baixa.
O vencimento outubro de 2026 fechou em US$ 464,70 por tonelada, queda de US$ 4,60. Já o contrato dezembro de 2026 recuou para US$ 463,40, enquanto março de 2027 terminou negociado a US$ 463,80 por tonelada, com desvalorização de US$ 3,60.
As oscilações refletem ajustes de mercado após as recentes altas e o monitoramento constante das perspectivas para a oferta mundial.
Açúcar cristal sobe no mercado paulista
No mercado doméstico, o açúcar cristal apresentou desempenho positivo.
O Indicador CEPEA/ESALQ fechou o dia cotado a R$ 91,68 por saca de 50 quilos, avanço diário de 0,60%.
Apesar das oscilações recentes, o indicador acumula alta de 0,45% em julho, sinalizando um mercado relativamente equilibrado entre oferta e demanda, mesmo com o avanço da moagem da cana-de-açúcar na região Centro-Sul.
Especialistas destacam que o mercado interno continua reagindo à dinâmica das usinas, ao ritmo das vendas e ao comportamento das exportações brasileiras.
Etanol amplia perdas com avanço da safra
Enquanto o açúcar cristal registrou valorização, o etanol hidratado manteve trajetória de queda.
O Indicador Diário de Paulínia (SP) fechou em R$ 2.178,50 por metro cúbico, recuo de 0,64% na comparação diária.
No acumulado de julho, a desvalorização chega a 7,91%, refletindo principalmente:
- maior disponibilidade de produto;
- intensificação da moagem de cana;
- aumento da oferta no Centro-Sul;
- pressão competitiva sobre os preços.
O cenário indica que o mercado de biocombustíveis continua enfrentando forte pressão sazonal durante o pico da safra.
Clima na Índia segue como principal fator para o mercado global
Além do desempenho da safra brasileira, os agentes do mercado continuam atentos às condições climáticas da Índia.
As chuvas de monção apresentaram melhora nas últimas semanas, reduzindo parte das preocupações com possíveis perdas na produção de cana-de-açúcar e diminuindo, por enquanto, os riscos de restrição da oferta global.
Entretanto, os modelos meteorológicos ainda indicam possibilidade de precipitações abaixo da média histórica ao longo da temporada, mantendo elevado o nível de atenção dos investidores.
Como a fase atual é decisiva para o desenvolvimento da lavoura indiana, qualquer mudança no comportamento das monções poderá provocar novas oscilações nas bolsas internacionais nas próximas semanas.
Mercado deve permanecer volátil
A combinação entre o avanço da safra brasileira, a evolução das exportações e as condições climáticas na Índia deve continuar determinando o comportamento dos preços do açúcar no mercado internacional.
Enquanto o açúcar cristal demonstra sinais de recuperação no mercado interno, o etanol permanece pressionado pelo aumento da oferta, cenário que tende a manter elevada a volatilidade do setor sucroenergético durante o restante da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias