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Preço do açúcar dispara 24% em agosto e supera R$ 113 por saca com oferta global no radar

Açúcar cristal renova máximas em São Paulo, enquanto contratos negociados em Nova York acumulam ganho de 21% no mês; déficits projetados para a safra 2026/27, chuvas no Brasil e alta do petróleo sustentam as cotações


Publicado em: 01/09/2026 às 11:30hs

Preço do açúcar dispara 24% em agosto e supera R$ 113 por saca com oferta global no radar

O mercado de açúcar encerrou agosto em forte valorização, impulsionado pela perspectiva de uma oferta mundial mais apertada na temporada 2026/27, pelas condições climáticas no Centro-Sul do Brasil e pela recuperação das cotações internacionais. Em São Paulo, o açúcar cristal branco superou R$ 113 por saca de 50 quilos, enquanto os contratos futuros negociados em Nova York acumularam alta de 21% no mês.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado externo foi o principal responsável pela sustentação dos preços domésticos. O movimento também ganhou força diante das projeções de déficit mundial de açúcar e das incertezas sobre o ritmo da colheita brasileira.

Açúcar cristal alcança R$ 113,75 por saca em São Paulo

O Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ, referente ao mercado paulista, encerrou a segunda-feira (31) cotado a R$ 113,75 por saca de 50 quilos. O valor representou avanço diário de 1,51%.

Com a nova alta, o indicador acumulou valorização de 24,32% em agosto. Convertida para a moeda norte-americana, a cotação chegou a US$ 21,95 por saca.

O avanço mantém os preços do açúcar cristal bem acima dos R$ 105 por saca e confirma a recuperação observada ao longo do mês no mercado interno. Além da influência de Nova York, a disponibilidade mais restrita para negociações imediatas contribuiu para fortalecer as cotações no estado de São Paulo.

Açúcar sobe 21% em agosto na Bolsa de Nova York

Na ICE Futures US, o contrato do açúcar bruto com vencimento em outubro de 2026 fechou a 17,81 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,25 centavo, equivalente a 1,4% frente ao pregão anterior.

A posição março de 2027 também avançou 0,25 centavo, para 18,83 centavos de dólar por libra-peso. O vencimento maio de 2027 ganhou 0,22 centavo e terminou cotado a 18,33 centavos.

O contrato outubro acumulou valorização de aproximadamente 21% em agosto. Durante uma sessão marcada por forte volatilidade, a posição chegou a atingir 18,66 centavos de dólar por libra-peso, maior patamar em mais de um ano.

Parte da disparada foi atribuída à cobertura de posições vendidas por fundos de investimento. Posteriormente, as cotações perderam força com as vendas de usinas do Brasil e da Tailândia, que aproveitaram os preços mais elevados para fixar valores de exportação.

Açúcar branco recua em Londres após altas recentes

Enquanto Nova York terminou o pregão no campo positivo, o açúcar branco registrou realização de lucros na ICE Futures Europe, em Londres.

O contrato outubro de 2026 caiu US$ 9,90, para US$ 514,40 por tonelada. A posição dezembro de 2026 recuou US$ 8,50 e encerrou a US$ 520,30, enquanto março de 2027 perdeu US$ 9,80, fechando a US$ 523 por tonelada.

As quedas foram interpretadas como uma correção após as fortes valorizações acumuladas nas sessões anteriores, sem alterar, por enquanto, a percepção de maior aperto na oferta internacional.

Projeções de déficit sustentam preços do açúcar

As estimativas para o balanço mundial de açúcar na safra 2026/27 continuam divergentes em relação à intensidade do déficit, mas convergem para uma oferta mais ajustada.

A Green Pool projeta saldo negativo de 3,2 milhões de toneladas. A StoneX estima déficit de 1,7 milhão de toneladas, enquanto a Covrig aponta insuficiência de 300 mil toneladas. A Czarnikow trabalha com déficit mais moderado, de aproximadamente 100 mil toneladas.

Mesmo com diferenças expressivas entre as previsões, os números reforçam a preocupação dos agentes com a capacidade da produção global de acompanhar o consumo. Problemas climáticos na Europa também aumentam as incertezas sobre o volume disponível na próxima temporada.

Chuvas atrasam colheita e reduzem concentração de açúcar na cana

No Brasil, o mercado acompanha os efeitos das chuvas sobre a colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do país. O excesso de umidade desacelerou os trabalhos em algumas áreas, e novas precipitações são esperadas nas próximas semanas.

Além de dificultar as operações no campo, a chuva pode diminuir a concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) na matéria-prima. Uma cana com menor teor de sacarose reduz o potencial de fabricação de açúcar por tonelada processada, contribuindo para limitar a oferta.

As condições associadas ao El Niño adicionam volatilidade às previsões climáticas e mantêm o setor atento ao desenvolvimento da safra brasileira.

Petróleo e etanol influenciam decisões das usinas

A valorização do petróleo também ajudou a impulsionar o açúcar em Nova York. Quando os combustíveis fósseis ficam mais caros, o etanol tende a ganhar competitividade, aumentando a possibilidade de as usinas brasileiras destinarem uma parcela maior da cana à fabricação do biocombustível.

Esse movimento poderia reduzir a quantidade de matéria-prima utilizada na produção de açúcar e limitar as exportações brasileiras.

No entanto, o cenário permanece dividido. Os preços ainda relativamente baixos do etanol de cana no mercado doméstico favorecem, no curto prazo, uma maior produção de açúcar. Dessa forma, a definição do mix das usinas dependerá da evolução do petróleo, das cotações internacionais da commodity e da remuneração do biocombustível no Brasil.

Preço do etanol também encerra agosto em forte alta

Apesar da concorrência com o açúcar pela matéria-prima, o etanol iniciou a semana valorizado no mercado paulista. O Indicador Diário do Etanol Hidratado de Paulínia registrou cotação de R$ 2.470,50 por metro cúbico, avanço de 1,13% sobre o pregão anterior.

No acumulado de agosto, o biocombustível apresentou alta de 15,99%, reforçando o movimento de recuperação observado durante o mês.

Perspectiva mantém mercado açucareiro volátil

A combinação entre projeções de déficit mundial, chuvas no Centro-Sul, menor concentração de sacarose na cana e valorização do petróleo tende a continuar oferecendo suporte ao preço do açúcar.

Por outro lado, a possibilidade de as usinas brasileiras ampliarem o mix açucareiro, além das vendas de produtores diante das cotações mais elevadas, pode limitar novos avanços.

Com esses fatores atuando em direções distintas, o mercado deve permanecer volátil. Ainda assim, o salto de mais de 24% do açúcar cristal em São Paulo e o ganho de 21% dos contratos em Nova York durante agosto confirmam uma mudança importante no cenário de preços da commodity.

Fonte: Portal do Agronegócio

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