Fenasucro & Agrocana 2026 bate recorde internacional com visitantes de mais de 80 países
Maior feira mundial dedicada à cadeia da bioenergia reuniu mais de 600 marcas, cerca de 3 mil produtos e 200 horas de conteúdo em Sertãozinho, com foco em biocombustíveis, transição energética, inteligência artificial e sustentabilidade
Publicado em: 20/08/2026 às 15:00hs
A Fenasucro & Agrocana 2026 encerrou sua 32ª edição com um novo recorde de alcance internacional. Realizada entre os dias 11 e 14 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP), a feira recebeu profissionais de mais de 80 países, consolidando-se como um dos principais pontos de conexão global para negócios, tecnologia e inovação na cadeia da bioenergia.
Durante quatro dias, o evento reuniu mais de 600 marcas expositoras, aproximadamente 3 mil produtos e soluções e mais de 200 horas de conteúdo técnico, além de promover encontros entre fornecedores, compradores, investidores, pesquisadores e lideranças do setor.
A programação colocou no centro das discussões temas estratégicos para o futuro da energia, como etanol, biometano, descarbonização dos transportes, inteligência artificial, automação, cibersegurança, sustentabilidade e novos mercados para os biocombustíveis.
Visitantes de mais de 80 países ampliam alcance da Fenasucro & Agrocana
O número recorde de países representados entre os visitantes reforçou a internacionalização da feira e a crescente importância do Brasil no desenvolvimento de soluções ligadas à transição energética.
Para Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, a participação de profissionais qualificados de mais de 80 mercados demonstra a capacidade do evento de conectar a indústria brasileira de bioenergia às principais cadeias internacionais.
Segundo o executivo, o Brasil reúne conhecimento técnico, tecnologia, matérias-primas e capacidade produtiva para responder a parte dos desafios globais da descarbonização. Nesse cenário, a feira funciona como plataforma para aproximar as soluções desenvolvidas no país de potenciais compradores, parceiros e investidores.
Biocombustíveis avançam sobre transporte marítimo e rodoviário
A expansão das aplicações dos biocombustíveis no transporte esteve entre os destaques do último dia da programação.
Durante encontro promovido pelo LIDE Agronegócios, especialistas discutiram o futuro do petróleo e as possibilidades abertas pelos combustíveis renováveis na redução das emissões dos transportes marítimo e rodoviário.
O debate, com o tema "Liberdade na Transição Energética e o Futuro do Petróleo", reuniu Jean-Paul Prates, sócio da Altiva Inteligência Estratégica, head do LIDE Energia e chairman do CERNE, e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar.
Etanol chega ao transporte marítimo
Uma das iniciativas apresentadas durante o encontro foi o uso do etanol como combustível marítimo.
Em julho, foi realizado no Brasil o primeiro abastecimento de um navio com etanol. A embarcação, com capacidade para aproximadamente 13 mil contêineres, recebeu 500 toneladas do biocombustível.
A experiência abre uma nova frente para a cadeia sucroenergética diante da busca mundial por alternativas capazes de reduzir a intensidade de carbono no transporte marítimo.
Para o setor brasileiro de bioenergia, a expansão do etanol para novas modalidades de transporte pode representar aumento da demanda e diversificação dos mercados consumidores.
Biometano abastece frota de caminhões no transporte de açúcar
No transporte rodoviário, o destaque foi o Programa BioRota, que utiliza biometano para substituir combustíveis fósseis em operações logísticas.
A iniciativa conta com aproximadamente 80 caminhões movidos a biometano, responsáveis pelo transporte de mais de 1 milhão de toneladas de açúcar das usinas até o Porto de Santos e terminais de transbordo.
O projeto demonstra o potencial do biometano para ganhar participação principalmente no transporte pesado, segmento considerado estratégico para os esforços de descarbonização da logística brasileira.
O avanço dessa tecnologia também cria novas possibilidades econômicas para o agronegócio, uma vez que o combustível renovável pode ser produzido a partir de resíduos e subprodutos das próprias cadeias agroindustriais.
Região de Ribeirão Preto ganha protagonismo na transição energética
Para Victor Bermudes, presidente do LIDE Ribeirão Preto, as discussões realizadas durante a Fenasucro & Agrocana estão diretamente relacionadas à vocação econômica da região.
O entorno de Ribeirão Preto e Sertãozinho concentra uma das mais importantes estruturas brasileiras ligadas à cana-de-açúcar, produção de etanol, açúcar, equipamentos industriais e tecnologias para bioenergia.
A possibilidade de ampliar o uso do etanol em áreas como a navegação e avançar com outros combustíveis renováveis abre novas perspectivas para empresas instaladas nesse polo industrial e agroenergético.
Inteligência artificial e automação entram no futuro da bioenergia
A transformação digital também ganhou espaço relevante na Fenasucro & Agrocana 2026.
No último dia da feira, estudantes do ensino técnico do Senai, da Fatec e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) participaram da 34ª Conferência de Automação Assistida, Inteligência Artificial e Cibersegurança.
A programação abordou aplicações de automação, inteligência artificial e segurança de dados na indústria de bioenergia.
O avanço dessas tecnologias tende a ganhar importância à medida que usinas e empresas do setor buscam aumentar eficiência operacional, reduzir custos, antecipar falhas, otimizar processos industriais e ampliar a segurança de suas operações digitais.
Para Paulo Montabone, aproximar os jovens dessas tecnologias é fundamental para preparar uma nova geração de profissionais capaz de desenvolver soluções para o setor de bioenergia.
Congresso latino-americano fortalece intercâmbio tecnológico
Outro destaque da edição foi a realização, pela primeira vez no Brasil, do 13º Congresso Latino-Americano da ATALAC.
Promovido paralelamente à Fenasucro & Agrocana, o encontro acadêmico reuniu profissionais brasileiros e estrangeiros e fortaleceu o intercâmbio científico, tecnológico e comercial.
Além das atividades do congresso, os participantes puderam conhecer as tecnologias apresentadas na feira e realizar visitas técnicas a usinas e centros de pesquisa da região.
Segundo Raffaella Rossetto, presidente da STAB, a realização conjunta dos eventos criou uma integração entre soluções já disponíveis comercialmente e pesquisas que podem contribuir para as próximas transformações da cadeia sucroenergética.
Preservação ambiental pode gerar valor para produtores de cana
A sustentabilidade também esteve entre os temas centrais da Fenasucro & Agrocana.
Nesta edição, o Canaoeste Green compensou 154,9 mil quilos de CO₂ relacionados à montagem dos estandes de 15 empresas participantes.
A compensação utilizou como referência 59,8 hectares de vegetação nativa preservados por produtores associados.
A iniciativa busca transformar a conservação ambiental realizada dentro das propriedades rurais em um ativo capaz de gerar reconhecimento e oportunidades econômicas aos produtores.
Para Almir Torcato, diretor executivo da Canaoeste, a preservação de áreas de vegetação representa um serviço ambiental que possui custos para o produtor e precisa ser considerado dentro das estratégias de sustentabilidade.
Bioenergia brasileira mira novos mercados
O balanço da Fenasucro & Agrocana 2026 evidencia uma transformação que ultrapassa a tradicional produção de açúcar e etanol.
A cadeia sucroenergética brasileira avança sobre mercados ligados a biometano, combustíveis marítimos, geração de energia renovável, economia de baixo carbono, digitalização industrial e serviços ambientais.
Ao reunir representantes de mais de 80 países em Sertãozinho, a feira amplia a exposição internacional dessas tecnologias e fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor de soluções para uma economia global em processo de descarbonização.
Fenasucro & Agrocana 2026 em números
- Visitantes internacionais: profissionais de mais de 80 países;
- Marcas expositoras: mais de 600;
- Produtos e soluções apresentados: cerca de 3 mil;
- Conteúdo técnico: mais de 200 horas;
- Navio abastecido com etanol: 500 toneladas do biocombustível;
- Programa BioRota: cerca de 80 caminhões movidos a biometano;
- Açúcar transportado pelo BioRota: mais de 1 milhão de toneladas;
- CO₂ compensado pelo Canaoeste Green: 154,9 mil quilos;
- Vegetação nativa vinculada à compensação: 59,8 hectares.
Com negócios, inovação e debates sobre novas aplicações dos combustíveis renováveis, a Fenasucro & Agrocana 2026 encerra sua 32ª edição reforçando a conexão entre agronegócio, bioenergia e transição energética, setores nos quais o Brasil possui condições de ampliar sua presença no mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias