Boa Safra bate recorde de R$ 1,8 bilhão em pedidos de sementes de soja e acelera diversificação
Carteira de pedidos cresce 4% e alcança maior nível da história da companhia no segundo trimestre de 2026; milho, pastagens, feijão, sorgo, trigo, serviços e insumos ampliam participação nos negócios
Publicado em: 20/08/2026 às 14:30hs
A Boa Safra (SOJA3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com recorde de R$ 1,8 bilhão em sua carteira de pedidos de sementes de soja, reforçando as expectativas da companhia para a safra 2026/27. O montante representa crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2025 e ocorre em um cenário de menor disponibilidade de sementes após episódios de instabilidade climática.
Os resultados divulgados pela empresa mostram também uma transformação importante no perfil dos negócios. Embora a soja continue como principal atividade, milho, sementes forrageiras, mix de cobertura, feijão, sorgo e trigo, além de serviços e insumos, estão aumentando sua participação na receita e na carteira comercial.
A diversificação é considerada estratégica para reduzir a concentração da operação e aproveitar o crescimento do mercado brasileiro de sementes.
Safra de soja sustenta perspectiva positiva para sementes
O cenário projetado para a soja brasileira continua sendo um dos principais pilares das perspectivas da companhia.
As estimativas citadas pela Boa Safra apontam para uma área cultivada próxima de 49 milhões de hectares, com produção ao redor de 180 milhões de toneladas.
Além do crescimento da produção, a demanda internacional continua desempenhando papel relevante na sustentação do mercado brasileiro da oleaginosa.
Entre junho de 2025 e junho de 2026, o Brasil exportou aproximadamente 113 milhões de toneladas de soja, sendo 76% destinadas à China, segundo os dados apresentados pela companhia.
A combinação entre elevada área cultivada, produção próxima de níveis recordes e forte demanda externa mantém a necessidade por sementes com maior qualidade, tecnologia e potencial produtivo.
Carteira de pedidos de soja chega a R$ 1,8 bilhão
A perspectiva para a próxima temporada já aparece nos números comerciais da Boa Safra.
Ao final de junho, a carteira de pedidos atingiu R$ 1,8 bilhão, novo recorde para a companhia e avanço de aproximadamente 4% na comparação com o segundo trimestre de 2025.
Segundo o CEO da Boa Safra, Marino Colpo, a demanda está relacionada tanto ao tamanho do mercado brasileiro de soja quanto à procura dos produtores por sementes de maior qualidade.
As análises iniciais realizadas pela empresa também indicam índices elevados de qualidade das sementes produzidas, com expectativa de melhor aproveitamento dos big bags considerados aptos à comercialização.
Para a companhia, essa condição pode contribuir para aumentar a eficiência operacional e melhorar a oferta aos produtores na safra 2026/27.
Sazonalidade concentra custos no primeiro semestre
Os resultados trimestrais da Boa Safra precisam ser analisados considerando uma característica importante do negócio: a forte sazonalidade do mercado de sementes.
Como a operação permanece concentrada principalmente na soja, o primeiro semestre costuma reunir uma parcela relevante dos custos relacionados ao preparo, processamento e organização das sementes.
As entregas aos produtores, por sua vez, ficam concentradas principalmente no terceiro e no quarto trimestres, acompanhando o calendário de implantação da safra brasileira.
Por essa razão, a empresa considera a análise acumulada dos últimos 12 meses uma referência mais adequada para avaliar seu desempenho operacional.
Receita líquida cresce 39% em 12 meses
Na comparação acumulada em 12 meses, os principais indicadores financeiros apresentaram crescimento.
A Receita Operacional Bruta alcançou R$ 2,9 bilhões, expansão de 34% em relação ao período comparável.
Já a Receita Operacional Líquida chegou a R$ 2,6 bilhões, com crescimento de 39%.
O lucro bruto atingiu R$ 280 milhões, avanço de 24% em um ano.
Os números refletem não apenas a expansão das vendas relacionadas à soja, mas também o crescimento de novas culturas e atividades incorporadas ao portfólio da empresa.
Novas culturas crescem 90% e ganham espaço na Boa Safra
A diversificação aparece como um dos destaques do balanço do segundo trimestre.
As vendas provenientes de novas culturas, serviços e insumos alcançaram R$ 59 milhões no 2T26, crescimento de aproximadamente 90% sobre os R$ 31 milhões registrados no mesmo trimestre de 2025.
O avanço também aparece na composição da carteira de pedidos.
Essas novas frentes, que anteriormente representavam cerca de 3% da carteira, passaram a responder por quase 19% do total de pedidos.
A evolução mostra que a companhia começa a construir uma operação menos dependente exclusivamente das sementes de soja.
Sementes de milho avançam e carteira chega a R$ 104 milhões
O milho é uma das principais apostas desse processo de diversificação.
A Bestway Seeds, controlada pela Boa Safra, praticamente dobrou sua receita durante o primeiro semestre de 2026, alcançando aproximadamente R$ 20 milhões.
A carteira de pedidos de sementes de milho já soma R$ 104 milhões.
A operação ainda se encontra em processo de ganho de escala, com estratégia voltada para ampliar a utilização da capacidade instalada.
O crescimento ocorre em um mercado expressivo. As estimativas citadas pela companhia indicam que a produção brasileira de milho na temporada 2025/26 pode alcançar aproximadamente 140 milhões de toneladas, cultivadas em cerca de 23 milhões de hectares.
O tamanho da área plantada cria espaço relevante para empresas fornecedoras de sementes, especialmente em um ambiente de busca crescente por produtividade e tecnologias adaptadas às diferentes regiões produtoras.
Sementes para pastagens e cobertura somam R$ 60 milhões em pedidos
Outra frente em expansão está relacionada às sementes de pastagens e aos mixes utilizados para cobertura do solo.
Nesse segmento, a Boa Safra atua por meio da SBS Green Seeds, joint venture formada com a Sementes Nobre e a Semembrás.
A operação já possui R$ 60 milhões em carteira de pedidos para a safra 2026/27.
O mercado é considerado estratégico diante da dimensão da pecuária brasileira, da recuperação de pastagens e da crescente adoção de sistemas integrados de produção e práticas relacionadas à conservação e cobertura do solo.
Além das forrageiras, o portfólio diversificado inclui sementes de feijão, sorgo e trigo.
Estratégia é transformar empresa em “one stop shop” de sementes
A ampliação do portfólio faz parte da estratégia da Boa Safra de consolidar uma plataforma capaz de atender diferentes necessidades dos produtores.
Segundo Felipe Marques, CFO da companhia, o crescimento das operações de milho, forrageiras, feijão, sorgo e trigo, combinado à posição da empresa no mercado de soja, fortalece o modelo de “one stop shop” de sementes.
Na prática, a estratégia busca concentrar em uma única plataforma comercial diferentes soluções para culturas utilizadas ao longo do calendário agrícola.
Esse posicionamento também permite aproveitar a mesma base de clientes, infraestrutura, relacionamento comercial e conhecimento das principais regiões agrícolas brasileiras.
Mercado de sementes ganha importância com safra brasileira próxima de recordes
O desempenho da Boa Safra ocorre em um momento de expansão estrutural da agricultura brasileira.
Com a soja próxima de 180 milhões de toneladas e o milho caminhando para uma produção ao redor de 140 milhões de toneladas, conforme as estimativas utilizadas pela companhia, o mercado de sementes tende a ganhar importância estratégica.
Além do crescimento da área cultivada, o produtor busca materiais capazes de oferecer maior produtividade, estabilidade e adaptação às condições climáticas de cada região.
A disponibilidade de sementes de qualidade também ganha relevância após problemas climáticos reduzirem a oferta destinada à temporada 2026/27.
Boa Safra aposta em soja e diversificação para crescer
O recorde de R$ 1,8 bilhão na carteira de pedidos de sementes de soja confirma a oleaginosa como principal motor dos negócios da Boa Safra, mas o balanço do segundo trimestre mostra que a expansão futura deverá ocorrer também por meio da diversificação.
O salto de 90% nas vendas de novas culturas, serviços e insumos, a carteira de R$ 104 milhões em milho e os R$ 60 milhões em sementes de pastagem e cobertura mostram uma participação crescente dessas atividades.
Com uma agricultura brasileira cada vez mais intensiva em tecnologia e produtividade, a companhia busca ampliar sua presença ao longo do calendário agrícola, combinando sua posição no mercado de sementes de soja com novas oportunidades em milho, forrageiras, feijão, sorgo e trigo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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