Exportações de açúcar ganham força: line-up supera 1,8 milhão de toneladas nos portos brasileiros, enquanto receita recua em julho
Movimentação nos principais terminais de exportação cresce em agosto, liderada pelo Porto de Santos, mas embarques de julho registram queda no faturamento, volume exportado e preços médios em comparação com o ano passado.
Publicado em: 07/08/2026 às 15:30hs
O setor sucroenergético brasileiro iniciou agosto com um ritmo mais intenso de embarques de açúcar nos principais portos do país. O mais recente levantamento do line-up portuário mostra que 1,883 milhão de toneladas do produto estão programadas para exportação, volume superior ao registrado na semana anterior, quando estavam previstas 1,587 milhão de toneladas.
Ao mesmo tempo em que a logística de exportação ganha força, os números consolidados de julho divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam um cenário de menor faturamento, redução do volume embarcado e queda dos preços médios internacionais, refletindo o ambiente de maior oferta global e pressão sobre as cotações.
Line-up registra crescimento dos embarques de açúcar
Na semana encerrada em 5 de agosto, havia 44 navios programados para carregar açúcar nos portos brasileiros.
O Porto de Santos (SP) concentra a maior parte das operações, com previsão de embarque de 1,394 milhão de toneladas, reafirmando sua liderança nas exportações do complexo sucroenergético nacional.
Na sequência aparecem:
- Porto de Paranaguá (PR): 433,7 mil toneladas;
- Porto de Maceió (AL): 37 mil toneladas;
- Porto de Suape (PE): 12 mil toneladas;
- Porto de Santana (AP): 7 mil toneladas.
O relatório considera embarcações já atracadas, fundeadas, aguardando atracação e navios com chegada prevista até o início de setembro.
Açúcar VHP domina os embarques
Entre os tipos de açúcar programados para exportação, o destaque permanece para o VHP (Very High Polarization), principal produto destinado ao mercado internacional.
A composição da carga prevista é a seguinte:
- Açúcar VHP: 1,662 milhão de toneladas;
- Cristal B-150: 184 mil toneladas;
- Refinado A45: 37 mil toneladas.
O predomínio do VHP confirma o forte perfil exportador da indústria brasileira, especialmente para mercados asiáticos, africanos e do Oriente Médio.
Exportações de julho somam quase 3 milhões de toneladas
Apesar do aumento do line-up para agosto, os dados consolidados de julho mostram desempenho inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
Segundo a Secex, o Brasil exportou 2,992 milhões de toneladas de açúcar e melaços ao longo do mês, gerando uma receita de US$ 1,029 bilhão.
Os principais indicadores do período foram:
- Receita média diária: US$ 44,778 milhões;
- Volume médio diário: 130,099 mil toneladas;
- Preço médio de exportação: US$ 344,20 por tonelada.
Receita e preços internacionais registram queda
Na comparação com julho de 2025, os números revelam retração em praticamente todos os indicadores.
A receita média diária caiu 30,1%, passando de US$ 64,084 milhões para US$ 44,778 milhões.
O volume médio diário embarcado recuou 16,6%, enquanto o preço médio internacional apresentou redução de 16,2%, saindo de US$ 410,70 para US$ 344,20 por tonelada.
O desempenho reflete um mercado internacional pressionado pelo aumento da oferta global, principalmente em importantes países produtores, além da acomodação das cotações nas bolsas internacionais.
Logística segue aquecida e pode favorecer novos embarques
Mesmo diante da redução dos preços internacionais, o crescimento do line-up indica que o fluxo logístico brasileiro permanece aquecido.
A elevada programação de navios demonstra que o país continua aproveitando sua competitividade para atender a demanda externa, especialmente em um momento em que o Brasil mantém posição de liderança absoluta nas exportações globais de açúcar.
Analistas avaliam que o comportamento das cotações internacionais, o câmbio e as condições climáticas nas principais regiões produtoras seguirão sendo determinantes para o ritmo das exportações ao longo do segundo semestre.
Perspectivas para o mercado do açúcar
O mercado permanece atento ao avanço da safra do Centro-Sul, às condições climáticas nos principais produtores globais e à evolução da demanda internacional. Caso o dólar permaneça valorizado frente ao real e a logística portuária continue operando com eficiência, o Brasil tende a manter forte competitividade no comércio mundial, mesmo em um ambiente de preços internacionais mais pressionados.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias