Exportação de açúcar: line-up supera 2,1 milhões de toneladas, mas embarques e receita recuam em julho
Portos brasileiros concentram 51 navios programados para carregamento, enquanto exportações acumuladas no mês registram queda em volume, faturamento e preço médio na comparação anual.
Publicado em: 17/07/2026 às 17:00hs
O setor sucroenergético brasileiro segue com forte programação logística para exportação de açúcar, mas os embarques efetivamente realizados em julho ainda apresentam desempenho inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Dados do line-up dos portos brasileiros apontam mais de 2,17 milhões de toneladas de açúcar programadas para exportação nas próximas semanas, enquanto as estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram retração no volume embarcado, na receita cambial e no preço médio do produto.
O cenário reflete um mercado internacional mais cauteloso, com preços pressionados e ritmo de comercialização abaixo do observado em 2025, embora o Brasil continue mantendo sua posição como maior exportador mundial de açúcar.
Line-up registra mais de 2,1 milhões de toneladas programadas
Levantamento referente à semana encerrada em 15 de julho mostra que 51 navios aguardavam para embarcar açúcar nos portos brasileiros, um acima do registrado na semana anterior.
A programação logística contempla o embarque de 2,176 milhões de toneladas, considerando embarcações já atracadas, fundeadas, em espera para atracação e aquelas com chegada prevista até 25 de agosto.
O Porto de Santos (SP) permanece como principal corredor de exportação do produto, respondendo por aproximadamente 1,67 milhão de toneladas, o equivalente a cerca de 77% do volume programado.
Na sequência aparecem:
- Porto de Paranaguá (PR): 470,4 mil toneladas;
- Porto de Maceió (AL): 37 mil toneladas.
Açúcar VHP domina os embarques
A maior parte da carga programada corresponde ao açúcar VHP (Very High Polarization), principal produto destinado ao mercado externo e amplamente utilizado como matéria-prima para refino em diversos países.
A composição do line-up é formada por:
- Açúcar VHP: 1,937 milhão de toneladas;
- Açúcar TBC: 175,3 mil toneladas;
- Açúcar Cristal B-150: 37 mil toneladas;
- Açúcar VHP ensacado: equivalente a 26 mil toneladas.
O elevado volume programado reforça a capacidade logística dos portos brasileiros para atender à demanda internacional durante o pico da safra do Centro-Sul.
Exportações de julho somam 912 mil toneladas
Apesar da intensa programação portuária, os embarques efetivados até o momento mostram ritmo inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.
Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 912.057 toneladas de açúcar e melaços nos oito primeiros dias úteis de julho, gerando receita de US$ 336,6 milhões.
A média diária ficou em:
- 114,0 mil toneladas exportadas;
- US$ 42,1 milhões em receita cambial.
O preço médio das exportações foi de US$ 369,10 por tonelada, refletindo o cenário de maior oferta global e preços internacionais mais pressionados.
Receita, volume e preços recuam frente a 2025
Na comparação com julho do ano passado, todos os principais indicadores apresentam retração.
A receita média diária caiu 34,3%, passando de US$ 64,08 milhões em julho de 2025 para US$ 42,08 milhões neste mês.
O volume médio diário embarcado também recuou 26,9%, de 156,05 mil toneladas para 114,0 mil toneladas.
Já o preço médio do açúcar exportado registrou queda de 10,1%, passando de US$ 410,70 por tonelada para US$ 369,10 por tonelada.
Perspectivas para o mercado
Embora os números parciais de julho indiquem redução nas exportações em relação ao ano anterior, o elevado volume previsto no line-up sinaliza que os embarques devem ganhar intensidade nas próximas semanas.
O avanço da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul, aliado à elevada disponibilidade de produto para exportação, tende a manter o Brasil como principal fornecedor mundial de açúcar. Entretanto, o comportamento dos preços internacionais, o câmbio e a demanda dos principais importadores continuarão sendo fatores determinantes para o desempenho das exportações ao longo da safra 2026/27.
Com mais de 2,1 milhões de toneladas já programadas para embarque, o setor segue atento à logística portuária e às condições do mercado internacional, buscando recuperar o ritmo das exportações nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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