Mercado de algodão opera com negociações moderadas; Conab projeta safra acima de 4 milhões de toneladas e comercialização avança no Mato Grosso
Mesmo com leve recuo nos preços internos na semana, mercado brasileiro mantém ritmo de vendas, enquanto produtividade da safra 2025/26 deve crescer e produtores mato-grossenses aceleram a comercialização da nova temporada.
Publicado em: 17/07/2026 às 16:30hs
O mercado brasileiro de algodão encerrou a semana em ritmo moderado de negociações, refletindo um cenário de cautela entre compradores e vendedores. Apesar da recuperação observada no último pregão, os preços domésticos registraram leve desvalorização no acumulado semanal e apresentaram desempenho inferior ao das cotações na Bolsa de Nova York.
Ao mesmo tempo, os fundamentos de longo prazo permanecem positivos para a cadeia produtiva. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de algodão em pluma superior a 4 milhões de toneladas na temporada 2025/26, enquanto os produtores de Mato Grosso seguem acelerando a comercialização antecipada da produção, conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Mercado físico do algodão registra baixa movimentação
Segundo a Safras Consultoria, o mercado disponível apresentou pouca liquidez durante grande parte da semana, com melhora apenas na quinta-feira (17).
Em São Paulo, a indústria indicou compra da pluma a R$ 4,10 por libra-peso, avanço diário de 0,74%. No entanto, na comparação semanal, houve leve recuo de 0,24%, já que a referência anterior era de R$ 4,11 por libra-peso.
Em Rondonópolis (MT), importante polo produtor nacional, a pluma foi negociada a R$ 130,70 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 3,95 por libra-peso, com valorização diária de R$ 0,92 por arroba. No comparativo semanal, entretanto, as cotações permaneceram praticamente estáveis.
O comportamento do mercado reflete a postura cautelosa dos agentes, que acompanham tanto a evolução da colheita quanto os movimentos das bolsas internacionais e da demanda pela fibra.
Conab estima produção acima de 4 milhões de toneladas
O 10º levantamento da safra 2025/26 divulgado pela Conab aponta que o Brasil deverá produzir 4,059 milhões de toneladas de algodão em pluma, volume ligeiramente inferior às 4,081 milhões de toneladas estimadas para a temporada anterior.
Apesar da pequena redução na produção, a produtividade das lavouras deverá aumentar.
A expectativa é que a produtividade média alcance 2.011 quilos por hectare, superando os 1.957 quilos por hectare registrados na safra 2024/25.
Por outro lado, a área cultivada deverá apresentar retração de 3,2%, passando de 2,085 milhões para 2,018 milhões de hectares, movimento que explica a leve redução da produção nacional.
Mato Grosso segue líder absoluto na produção
Principal produtor brasileiro de algodão, Mato Grosso deverá colher aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26.
Mesmo permanecendo como líder isolado do setor, o Estado deverá registrar redução de cerca de 1,8% em relação à temporada passada.
Na Bahia, segundo maior produtor nacional, a expectativa é de crescimento. A produção deverá atingir 862,2 mil toneladas, aumento de aproximadamente 2% frente à safra anterior.
Já Goiás mantém trajetória de expansão gradual, com previsão de produção de 54,5 mil toneladas, ligeiramente superior ao volume registrado em 2024/25.
Comercialização da safra avança em Mato Grosso
Os produtores mato-grossenses seguem antecipando as vendas da nova temporada.
De acordo com o Imea, a comercialização da safra 2025/26 alcançou 73,01% da produção estimada até 13 de julho, acima dos 71,87% registrados no levantamento anterior.
O desempenho supera com folga o observado no mesmo período do ano passado, quando 65,04% da safra havia sido negociada.
As vendas antecipadas também avançam para a temporada 2026/27. O percentual comercializado já chega a 29,35%, contra 23,21% em junho e 21,05% no mesmo período do ciclo anterior.
O ritmo reforça a confiança dos produtores na demanda pela fibra e evidencia uma estratégia de gestão comercial voltada à redução da exposição às oscilações do mercado.
Perspectivas para o mercado de algodão
O mercado brasileiro de algodão permanece sustentado por fundamentos positivos, mesmo diante da acomodação das cotações no curto prazo. O aumento esperado da produtividade, aliado ao elevado nível de comercialização antecipada, demonstra organização da cadeia produtiva e confiança dos produtores.
Nos próximos meses, a evolução dos preços deverá continuar sendo influenciada pelo comportamento da demanda internacional, pelas oscilações da Bolsa de Nova York, pelo câmbio e pelo ritmo das exportações brasileiras, fatores que permanecem no radar dos agentes do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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