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Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26, mas embarques reagem em junho com avanço da nova colheita

Receita cambial alcança US$ 14,6 bilhões, a segunda maior da história, enquanto recuperação dos embarques em junho sinaliza melhora da oferta; clima, logística e tarifas dos EUA marcaram o desempenho da temporada.


Publicado em: 17/07/2026 às 17:30hs

Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26, mas embarques reagem em junho com avanço da nova colheita

O Brasil encerrou o ano-safra 2025/26 (julho de 2025 a junho de 2026) com 38,462 milhões de sacas de café exportadas, volume 15,7% inferior ao registrado no ciclo anterior. Apesar da retração nos embarques, a receita cambial permaneceu em patamar elevado e atingiu US$ 14,595 bilhões, apenas 1% abaixo do recorde histórico, consolidando o segundo melhor resultado da série.

Os dados constam no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e refletem um mercado impactado pela menor oferta de café, problemas logísticos, mudanças no comércio internacional e preços elevados durante boa parte da temporada.

Embarques de café reagem em junho com chegada da nova safra

Embora o desempenho acumulado do ano-safra tenha sido inferior ao do ciclo anterior, o mês de junho apresentou sinais de recuperação nas exportações brasileiras.

Os embarques totalizaram 3,060 milhões de sacas de 60 quilos, crescimento de 16,9% em comparação com junho de 2025. A receita cambial do mês alcançou US$ 972,8 milhões, resultado 6% inferior ao observado no mesmo período do ano passado, reflexo da acomodação dos preços internacionais.

A recuperação coincide com o avanço da colheita da safra 2026, que ampliou a disponibilidade de café para exportação e trouxe maior liquidez ao mercado.

Primeiro semestre ainda registra queda nas exportações

No acumulado de janeiro a junho de 2026, o Brasil exportou 17,831 milhões de sacas, volume 8,3% menor que o registrado no primeiro semestre de 2025.

A receita cambial no período somou US$ 6,534 bilhões, representando retração de 13,3% na comparação anual.

Apesar da redução, o desempenho financeiro continua sendo considerado expressivo diante do cenário internacional e da menor oferta disponível ao longo da temporada.

Menor oferta de café explica retração dos embarques

Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, Márcio Ferreira, a redução nas exportações já era esperada pelo mercado devido à menor disponibilidade de café no país.

Após os embarques recordes registrados em 2024, os estoques brasileiros foram significativamente reduzidos. Além disso, a safra de 2025 sofreu impactos das condições climáticas adversas, diminuindo a oferta disponível para comercialização ao longo da temporada.

Esse cenário contribuiu para limitar o ritmo das exportações durante boa parte do ano-safra.

Gargalos logísticos elevaram custos e atrasaram embarques

Outro fator determinante para o desempenho das exportações foi a persistência dos problemas de infraestrutura nos principais portos brasileiros.

Segundo o Cecafé, congestionamentos, atrasos nas operações portuárias e limitações logísticas dificultaram o embarque de centenas de milhares de sacas de café, gerando custos adicionais com armazenagem, pré-stacking e demurrage para exportadores.

As dificuldades reforçam a necessidade de investimentos em infraestrutura logística para garantir maior competitividade ao café brasileiro no mercado internacional.

Tarifas dos Estados Unidos também afetaram as vendas

O comércio com os Estados Unidos também sofreu impactos ao longo da temporada.

Durante aproximadamente quatro meses, a aplicação de uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro provocou forte retração nos embarques destinados ao mercado norte-americano.

Entre 6 de agosto e 21 de novembro, período de vigência da medida, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 54,9% na comparação com igual intervalo do ano anterior, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas.

A redução contribuiu para ampliar a queda das exportações ao longo do ano-safra.

Produtores capitalizados reduziram pressão por vendas

Outro aspecto destacado pelo Cecafé foi a postura comercial dos produtores brasileiros.

Favorecidos pelos elevados preços registrados nos últimos anos, muitos cafeicultores permaneceram financeiramente capitalizados e optaram por vender o produto de forma gradual, aguardando melhores oportunidades de mercado.

Com estoques limitados durante a entressafra, principalmente para cafés canéfora (conilon e robusta) e arábica, essa estratégia reduziu a oferta disponível para exportação em diversos momentos da temporada.

Receita histórica confirma força do mercado de café

Mesmo diante da retração no volume exportado, a receita cambial permaneceu próxima do recorde histórico graças às elevadas cotações internacionais observadas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

Segundo o Cecafé, os fundamentos globais permaneceram favoráveis durante boa parte da temporada, com oferta restrita em diversos países produtores e demanda internacional resiliente, cenário impulsionado pelos impactos climáticos registrados nas principais regiões cafeeiras do mundo.

Perspectivas para a safra 2026/27

O mercado agora direciona sua atenção para o avanço da colheita de café arábica no Brasil, etapa considerada decisiva para definir o potencial produtivo da safra 2026/27.

Além do volume final da produção, compradores e exportadores acompanham de perto a qualidade dos grãos, parcialmente afetada pelas chuvas em algumas regiões produtoras, fator que poderá influenciar tanto o ritmo das exportações quanto o comportamento dos preços internacionais nos próximos meses.

Com a entrada da nova safra, maior disponibilidade de café e manutenção da demanda global, o setor inicia o novo ciclo comercial com expectativa de recuperação gradual dos embarques, embora siga atento aos desafios logísticos e às oscilações do mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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