Açúcar sobe nas bolsas internacionais com temor de déficit global; mercado brasileiro registra alta no cristal e queda no etanol
Cotações avançam em Nova York e Londres impulsionadas por preocupações com a oferta mundial, valorização do real e preços recordes na Índia; no Brasil, açúcar cristal acumula ganhos em agosto enquanto etanol hidratado recua.
Publicado em: 06/08/2026 às 11:20hs
Açúcar mantém trajetória de alta diante de riscos à oferta global
O mercado internacional do açúcar encerrou a quarta-feira (5) em alta nas principais bolsas mundiais, refletindo um cenário de crescente preocupação com a oferta global da commodity. Investidores seguem monitorando as condições climáticas nos principais países produtores, a valorização do real frente ao dólar e o avanço dos preços na Índia, fatores que reforçam as expectativas de um possível déficit mundial nos próximos meses.
A recuperação das cotações também foi acompanhada por valorização no mercado físico brasileiro do açúcar cristal, enquanto o etanol hidratado registrou novo recuo em Paulínia (SP), mantendo o comportamento divergente entre os dois produtos derivados da cana-de-açúcar.
Bolsa de Nova York amplia ganhos do açúcar bruto
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos do açúcar bruto encerraram o pregão com valorização.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 subiu 0,11 centavo de dólar, fechando em 15,15 cents por libra-peso, avanço de 0,73% sobre a sessão anterior.
Já o contrato para março de 2027 encerrou cotado a 16,10 cents/lbp, também com alta de 0,12 centavo, enquanto o vencimento de maio de 2027 terminou o dia em 15,91 cents/lbp. Os demais contratos acompanharam o movimento positivo.
O mercado foi sustentado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, fator que reduz a competitividade das exportações brasileiras e tende a limitar a oferta disponível no mercado internacional. Ao mesmo tempo, investidores aumentam suas posições apostando em um cenário de menor disponibilidade global da commodity.
Londres acompanha movimento positivo
Na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco também apresentou ganhos consistentes.
O contrato para outubro de 2026 avançou US$ 4,20, encerrando o dia cotado a US$ 476,90 por tonelada.
O vencimento de dezembro de 2026 registrou alta de US$ 4,60, fechando igualmente em US$ 476,90 por tonelada, enquanto o contrato de março de 2027 subiu US$ 4,30, terminando a sessão em US$ 478,20 por tonelada.
O desempenho reforça o movimento de recuperação observado desde o início da semana.
Índia pressiona mercado e fortalece expectativa de déficit
Entre os principais fatores acompanhados pelos investidores está a situação da Índia, segunda maior produtora e maior consumidora mundial de açúcar.
Os preços internos do açúcar no país acumularam alta de aproximadamente 10% no último mês, atingindo níveis recordes. A expectativa é que permaneçam elevados pelos próximos meses devido à combinação entre oferta mais restrita e aumento sazonal da demanda durante o período de festividades.
Apesar da recuperação parcial das chuvas de monção, que reduziram o déficit hídrico para cerca de 11% abaixo da média histórica, as previsões para agosto e setembro continuam indicando precipitações inferiores ao normal, mantendo dúvidas sobre o potencial produtivo da próxima safra.
El Niño e clima seguem no radar
Outro fator que continua sustentando as cotações internacionais é o monitoramento dos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre importantes regiões produtoras.
Brasil, Índia e Tailândia permanecem no centro das atenções dos investidores, que acompanham os efeitos do clima sobre a produtividade dos canaviais e sobre a disponibilidade futura da matéria-prima.
No Centro-Sul brasileiro, o mercado também observa atentamente o desempenho da safra e a evolução da produção de açúcar e etanol.
Mercado físico brasileiro registra valorização do açúcar cristal
No mercado doméstico, o açúcar cristal branco apresentou recuperação.
Segundo o indicador CEPEA/ESALQ, a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 92,47, registrando alta diária de 0,63%.
Com esse desempenho, o indicador acumula valorização de 1,06% em agosto, sinalizando melhora gradual nas negociações neste início de mês.
Ainda assim, o ritmo dos negócios permanece moderado. Compradores seguem adotando postura cautelosa, mantendo a liquidez abaixo do esperado para o período.
Etanol hidratado volta a recuar em Paulínia
Na direção oposta, o mercado de etanol hidratado apresentou nova queda.
O Indicador Diário do Etanol Hidratado em Paulínia (SP) apontou preço de R$ 2.133,50 por metro cúbico, recuo de 0,37% em relação ao pregão anterior.
Apesar da baixa diária, o biocombustível ainda acumula alta de 0,16% em agosto, refletindo um mercado que continua ajustando preços diante das oscilações da demanda e da oferta.
Perspectivas para o mercado do açúcar
O mercado global do açúcar permanece sustentado por um conjunto de fatores que favorecem a continuidade da volatilidade nas próximas semanas.
Entre os principais elementos estão:
- expectativa de déficit na oferta mundial;
- condições climáticas adversas em importantes produtores;
- valorização do real frente ao dólar;
- preços recordes do açúcar na Índia;
- monitoramento do El Niño e de seus impactos sobre a produção mundial.
Enquanto isso, no Brasil, o mercado físico demonstra recuperação gradual dos preços do açúcar cristal, embora as negociações ainda avancem em ritmo cauteloso, ao passo que o etanol segue pressionado por ajustes pontuais na demanda e na formação dos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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