Açúcar sobe 3,81% em outubro no Brasil; risco de safra menor na Índia sustenta atenção global
Cristal branco chega a R$ 125,74 por saca em São Paulo, enquanto bolsas recuam na sexta-feira; possibilidade de importações indianas pode apertar o abastecimento mundial
Publicado em: 19/10/2026 às 11:40hs
O mercado de açúcar apresenta movimentos distintos no Brasil e no exterior. Enquanto o cristal branco acumulou alta de 3,81% em outubro no mercado paulista, os contratos futuros recuaram em Nova York e Londres na sexta-feira (16), devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior.
Apesar da queda diária nas bolsas, as perspectivas de menor oferta mundial continuam no centro das avaliações. As dificuldades climáticas no Centro-Sul brasileiro e as incertezas sobre a produção da Índia e da Tailândia mantêm a atenção sobre o abastecimento.
Na Índia, estimativas privadas apontam uma possível redução adicional da safra 2026/27. A análise apresentada considera, inclusive, a hipótese de o país precisar importar açúcar para atender ao consumo doméstico, cenário ainda dependente da confirmação dos resultados da moagem.
Açúcar cristal mantém valorização no mercado paulista
O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco encerrou a sexta-feira em R$ 125,74 por saca de 50 quilos, avanço diário de 0,85%.
Com isso, a valorização acumulada em outubro chegou a 3,81%. Em dólar, a referência ficou em US$ 24,78 por saca.
A alta doméstica ocorre em um ambiente de preocupação com a produção do Centro-Sul, afetada pelas condições climáticas. As dificuldades na colheita e no processamento da cana seguem relevantes para a disponibilidade do produto.
Nova York e Londres recuam após ganhos anteriores
Na ICE Futures U.S., os vencimentos apresentados para o açúcar bruto fecharam em baixa na sexta-feira. Segundo os dados da CZ App, o contrato março de 2027 encerrou a 20,85 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 0,28 centavo.
O vencimento maio de 2027 caiu 0,26 centavo, para 20,06 centavos por libra-peso, enquanto julho de 2027 perdeu 0,22 centavo, terminando a 19,54 centavos.
Em Londres, o açúcar branco também recuou nos contratos mais próximos. Dezembro de 2026 fechou em US$ 554,90 por tonelada, queda de US$ 6,20. Março de 2027 terminou a US$ 568,30, com a mesma redução, e maio de 2027 caiu US$ 6,30, para US$ 574,80.
As posições mais longas tiveram exceções: março e maio de 2028 registraram pequenas altas.
Safra da Índia pode ficar entre 28 milhões e 28,5 milhões de toneladas
A produção indiana é um dos principais pontos de incerteza para o mercado internacional. Segundo fontes locais citadas na análise de mercado, projeções anteriormente situadas entre 28,5 milhões e 29 milhões de toneladas estão sendo revistas para 28 milhões a 28,5 milhões de toneladas em 2026/27.
Esses números ainda são preliminares. Uma avaliação mais consistente deverá depender de cinco a seis semanas de moagem, com maior clareza esperada para o fim de novembro.
O desempenho industrial permitirá verificar tanto a disponibilidade de cana quanto o rendimento de açúcar, fatores decisivos para dimensionar a oferta efetiva.
Produção de etanol pode ficar concentrada no melaço C
Outra variável é o direcionamento da cana para etanol. As informações apresentadas na análise indicam a possibilidade de não ocorrer desvio direto de açúcar para combustível, diferentemente de estimativas anteriores.
Nesse cenário, o etanol seria produzido principalmente a partir do melaço C, resíduo das etapas de cristalização e recuperação do açúcar. Seu aproveitamento permite fabricar o biocombustível sem reduzir significativamente a produção convencional do adoçante.
A expectativa considera a remuneração mais atrativa do açúcar no mercado indiano e a possibilidade de decisões governamentais priorizarem o abastecimento doméstico. Essas condições, porém, permanecem sujeitas à evolução dos preços e às medidas das autoridades locais.
Possíveis importações indianas podem pressionar oferta mundial
As mesmas fontes trabalham com a hipótese de a Índia precisar importar entre 1 milhão e 3 milhões de toneladas nos próximos 12 meses.
Se confirmada, essa necessidade representaria uma mudança relevante no balanço global: além de não contribuir com exportações, o país passaria a disputar produto com outros compradores.
O impacto potencial recairia sobre os demais fornecedores, especialmente o Brasil. Por enquanto, trata-se de um cenário condicionado à confirmação da safra e da disponibilidade para o mercado interno indiano.
Recuperação das bolsas estimula atenção às fixações de 2027/28
A análise também apresenta uma estimativa de 10,53 milhões de toneladas de açúcar da safra brasileira 2027/28 com preços já fixados ao fim de setembro, a uma média de 16,70 centavos de dólar por libra-peso, equivalente a R$ 2.256,91 por tonelada.
A participação desse volume depende da premissa adotada para as exportações. Com embarques de 32 milhões de toneladas, corresponderia a 32,9%; com 30 milhões, a 35,1%; e com 34 milhões, a 31%.
A recuperação recente dos preços internacionais pode estimular novas operações de proteção. Ao mesmo tempo, a evolução da safra indiana, o clima nas principais origens e o câmbio continuarão influenciando as condições de comercialização do açúcar brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias