Açúcar reage nas bolsas internacionais, mas mercado físico no Brasil amplia pressão sobre preços
Cotações avançam em Nova York e Londres impulsionadas pelo petróleo, enquanto açúcar cristal e etanol seguem em queda no mercado brasileiro devido ao aumento da oferta e ao ritmo lento das negociações.
Publicado em: 22/07/2026 às 11:20hs
O mercado internacional do açúcar encerrou a terça-feira (21) em recuperação nas principais bolsas globais, impulsionado pelo fortalecimento das cotações do petróleo e pela cautela dos investidores em relação às condições climáticas dos grandes produtores mundiais. No Brasil, porém, o cenário permaneceu pressionado, com novas quedas nos preços do açúcar cristal e do etanol hidratado, refletindo o aumento da oferta e a fraqueza da demanda no mercado físico.
A movimentação evidencia a diferença entre os fatores que influenciam o mercado externo e o ambiente doméstico. Enquanto investidores monitoram clima, energia e produção global, o mercado brasileiro continua enfrentando pressão provocada pela safra em ritmo acelerado e maior disponibilidade de produto.
Açúcar fecha em alta na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos do açúcar bruto encerraram o pregão em valorização.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 avançou 0,06 ponto, fechando cotado a 14,88 cents de dólar por libra-peso. Já o contrato março de 2027 subiu para 15,80 cents/lbp, enquanto o vencimento maio de 2027 encerrou a sessão em 15,62 cents/lbp. Os demais contratos registraram altas moderadas ou estabilidade.
O desempenho foi sustentado principalmente pela valorização do petróleo, fator que tende a aumentar a atratividade da produção de etanol pelas usinas, reduzindo a oferta de açúcar destinada ao mercado internacional.
Açúcar branco também avança em Londres
Na ICE Futures Europe, o açúcar branco acompanhou o movimento positivo observado em Nova York.
O contrato outubro de 2026 fechou cotado a US$ 469,30 por tonelada, com alta de US$ 2,10. O vencimento dezembro de 2026 avançou para US$ 467,80 por tonelada, enquanto março de 2027 terminou o dia em US$ 467,40 por tonelada.
A recuperação foi moderada, mas demonstra melhora do sentimento dos investidores diante das perspectivas para o mercado internacional.
Açúcar cristal recua no mercado brasileiro
Enquanto as bolsas internacionais registraram recuperação, o mercado físico brasileiro voltou a apresentar enfraquecimento.
O indicador do açúcar cristal branco calculado pelo Cepea/Esalq apontou a saca de 50 quilos negociada a R$ 91,13, representando queda diária de 1,19%.
No acumulado de julho, o indicador registra retração de 0,15%, refletindo a elevada oferta disponível e o ritmo mais lento das negociações entre compradores e vendedores.
Etanol amplia perdas em julho
O mercado de etanol também permaneceu pressionado.
Segundo o Indicador Diário de Paulínia, o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.192,50 por metro cúbico, com recuo de 0,93% em relação ao fechamento anterior.
No acumulado de julho, o biocombustível já apresenta desvalorização de 7,31%, consequência direta do avanço da moagem da cana-de-açúcar e da maior disponibilidade do produto no mercado.
Petróleo sustenta o açúcar, mas clima na Índia limita altas
De acordo com análises do mercado, a valorização do petróleo continua sendo o principal fator de sustentação para os preços internacionais do açúcar. Com energia mais cara, cresce a competitividade do etanol, reduzindo o volume de cana destinado à fabricação de açúcar em importantes regiões produtoras.
Por outro lado, a recuperação das chuvas durante a temporada de monções na Índia reduz parte das preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar. Esse cenário limita movimentos mais intensos de alta nas bolsas internacionais.
Além disso, operadores acompanham o elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos de investimento, fator que aumenta a volatilidade e pode provocar oscilações mais acentuadas nas próximas sessões.
Perspectivas para o mercado
Os próximos dias devem continuar sendo influenciados pela combinação entre o comportamento do mercado de energia, as condições climáticas nos principais produtores globais e o avanço da safra brasileira.
No mercado interno, a expectativa permanece de preços pressionados enquanto a moagem seguir elevada e a oferta continuar crescendo. Já no exterior, petróleo, clima na Índia e movimentação dos fundos seguem como os principais direcionadores das cotações internacionais do açúcar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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