Açúcar oscila entre volatilidade no mercado interno e estabilidade nas bolsas internacionais; clima e exportações seguem no radar
Cotações do açúcar cristal variam em São Paulo, enquanto mercado global acompanha condições climáticas na Índia e expectativa sobre a oferta mundial da safra 2026/27
Publicado em: 21/07/2026 às 11:15hs
O mercado brasileiro de açúcar continua operando em um ambiente de elevada volatilidade. Enquanto as bolsas internacionais iniciaram a semana praticamente estáveis, as cotações do açúcar cristal branco oscilaram no mercado paulista, refletindo a combinação de fatores internos e externos que influenciam a formação dos preços.
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o comportamento do mercado segue indefinido, alternando momentos de valorização e recuo diante das constantes mudanças nas condições da oferta, demanda e cenário internacional.
Mercado de açúcar segue sem tendência definida
Após registrar altas expressivas nos últimos dias, impulsionadas pelo avanço das cotações internacionais, o mercado físico paulista voltou a apresentar recuo.
O Indicador CEPEA/ESALQ apontou que a saca de 50 quilos do açúcar cristal branco foi negociada a R$ 92,23, queda diária de 1,42%.
Apesar da retração mais recente, o indicador ainda acumula valorização de 1,05% em julho, demonstrando que o mercado permanece bastante sensível às mudanças de cenário.
Segundo pesquisadores do Cepea, a dificuldade para consolidar uma tendência ocorre porque diversas variáveis relevantes vêm sofrendo alterações frequentes, tanto no ambiente doméstico quanto no mercado internacional.
Safra brasileira garante oferta confortável
Do lado da oferta, o cenário permanece positivo para o Brasil.
As condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da safra vêm permitindo uma produção dentro das expectativas, suficiente para abastecer o mercado interno e manter excedentes destinados às exportações.
Essa maior disponibilidade do produto ajuda a limitar movimentos mais consistentes de alta nas cotações, mesmo diante das oscilações registradas no mercado externo.
Bolsas internacionais iniciam semana próximas da estabilidade
No mercado internacional, os contratos futuros encerraram a segunda-feira (20) com pequenas variações.
Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou praticamente estável, cotado a 14,82 cents de dólar por libra-peso, enquanto março de 2027 terminou em 15,72 cents/lbp. O contrato para maio de 2027 registrou leve alta, encerrando a 15,56 cents/lbp.
Já na Bolsa de Londres, os contratos do açúcar branco apresentaram leves quedas.
O vencimento outubro de 2026 encerrou cotado a US$ 467,20 por tonelada, enquanto dezembro de 2026 fechou em US$ 465,10 e março de 2027 terminou negociado a US$ 464,80 por tonelada.
O comportamento moderado das bolsas reflete a postura cautelosa dos investidores diante da evolução da oferta mundial e das condições climáticas nos principais países produtores.
Clima na Índia continua sendo fator decisivo
Entre os principais fatores monitorados pelo mercado está a evolução das chuvas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
A redução recente do déficit das monções diminuiu parte das preocupações relacionadas à produção indiana, mas o comportamento climático continua sendo considerado decisivo para definir o potencial produtivo da próxima safra.
Qualquer alteração significativa nas condições meteorológicas pode modificar rapidamente as perspectivas de oferta global e provocar novas oscilações nas bolsas internacionais.
Fundos de investimento ampliam volatilidade
Outro elemento que mantém o mercado em alerta é o elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos de investimento, principalmente na Bolsa de Londres.
Esse cenário aumenta a sensibilidade das cotações a qualquer notícia relacionada ao clima, política monetária, câmbio ou perspectivas econômicas globais, favorecendo movimentos de realização de lucros e ampliando a volatilidade dos preços.
Etanol registra leve recuperação em Paulínia
Enquanto o açúcar apresentou recuo no mercado físico, o etanol hidratado registrou pequena recuperação.
O Indicador Diário de Paulínia apontou o biocombustível cotado a R$ 2.213,00 por metro cúbico, alta de 0,14% em relação ao fechamento anterior.
Mesmo com o avanço pontual, o etanol ainda acumula queda de 6,45% em julho, refletindo o aumento da oferta durante o período de maior moagem da cana-de-açúcar.
Perspectivas para o mercado de açúcar
Os próximos movimentos do mercado devem continuar sendo determinados pelo equilíbrio entre a ampla oferta brasileira, a evolução da safra nos principais produtores mundiais e as condições climáticas na Índia.
Além disso, o comportamento dos fundos de investimento e das exportações brasileiras continuará influenciando as oscilações das cotações, mantendo um ambiente de elevada volatilidade para o açúcar e para o complexo sucroenergético nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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