Açúcar oscila com negócios pontuais, pressão nas bolsas e atenção ao El Niño; mercado monitora oferta, clima e produção no Brasil
Preços do açúcar cristal recuam no mercado interno, contratos futuros fecham em baixa em Nova York e Londres, enquanto condições climáticas e ritmo da safra mantêm agentes atentos aos próximos movimentos do setor sucroenergético.
Publicado em: 28/07/2026 às 11:30hs
O mercado de açúcar iniciou a semana sob pressão, refletindo um cenário de negociações pontuais no mercado físico brasileiro, recuo das cotações internacionais e monitoramento constante das condições climáticas que podem influenciar a oferta mundial nos próximos meses. Enquanto compradores aguardam maior disponibilidade do produto para pressionar os preços, o avanço da safra e os efeitos esperados do El Niño seguem no centro das atenções de produtores, usinas e investidores.
Mercado físico tem negociações limitadas e preços oscilam
No mercado paulista, os preços do açúcar cristal branco continuaram apresentando oscilações nos últimos dias. Levantamentos do Cepea mostram que os negócios seguem restritos, uma vez que parte dos compradores mantém postura cautelosa, esperando novas reduções nas cotações diante da expectativa de aumento da oferta.
O Indicador CEPEA/ESALQ registrou a saca de 50 quilos do açúcar cristal branco cotada a R$ 92,75, queda diária de 0,59%. Apesar do recuo recente, o indicador ainda acumula valorização de 1,62% em julho, demonstrando que o mercado permanece relativamente sustentado por ajustes entre oferta e demanda.
Esse comportamento evidencia um ambiente de baixa liquidez, em que vendedores evitam conceder descontos mais expressivos enquanto compradores aguardam maior disponibilidade do produto ao longo da safra.
Bolsas internacionais iniciam semana em baixa
No mercado externo, os contratos futuros encerraram a segunda-feira em queda nas principais bolsas internacionais.
Na ICE de Nova York, o contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou cotado a 14,58 cents de dólar por libra-peso, recuo de 0,19 ponto. O contrato março de 2027 caiu para 15,47 cents/lbp, enquanto maio de 2027 encerrou a 15,31 cents/lbp, também registrando perdas.
Em Londres, na ICE Futures Europe, o açúcar branco acompanhou o movimento negativo. O contrato outubro de 2026 fechou a US$ 458,40 por tonelada, queda de US$ 2,40. Os vencimentos seguintes também apresentaram desvalorizações moderadas, refletindo o ambiente de cautela dos investidores.
O mercado internacional continua avaliando as perspectivas para a produção global, especialmente diante das incertezas climáticas e da evolução da safra nos principais países exportadores.
El Niño permanece no radar do setor sucroenergético
As condições climáticas continuam sendo um dos principais fatores acompanhados pelo mercado.
Para o Centro-Sul brasileiro, as projeções indicam que o fenômeno El Niño tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais ao longo do segundo semestre, graças à previsão de chuvas mais frequentes. Esse cenário pode contribuir para melhorar a produtividade tanto no restante da safra 2026/27 quanto na temporada seguinte.
Entretanto, especialistas alertam que precipitações acima da média também podem provocar atrasos na colheita, dificultar as operações no campo e reduzir o avanço do Açúcar Total Recuperável (ATR), especialmente a partir de setembro, período em que os efeitos do fenômeno costumam se intensificar.
No cenário internacional, o mercado também monitora possíveis impactos climáticos em grandes produtores, como Índia e Tailândia, uma vez que alterações no regime de chuvas podem modificar as estimativas de oferta global.
Produção brasileira segue influenciando expectativas
Além do clima, investidores acompanham atentamente os dados da safra brasileira.
As informações mais recentes do setor indicam que a produção de açúcar no Centro-Sul continua abaixo da registrada no ciclo anterior. Ao mesmo tempo, parte significativa das usinas mantém maior direcionamento da cana para a produção de etanol, reduzindo o volume disponível para fabricação de açúcar.
Esse fator ajuda a limitar quedas mais intensas nas cotações internacionais, mesmo em um ambiente de expectativa de aumento da oferta global.
Etanol apresenta leve recuperação
Enquanto o açúcar registrou retração, o mercado de etanol apresentou comportamento distinto.
Em Paulínia (SP), o Indicador Diário apontou o etanol hidratado negociado a R$ 2.177,50 por metro cúbico, alta de 0,11% frente ao fechamento anterior.
Apesar da recuperação diária, o biocombustível ainda acumula desvalorização de 7,95% no mês, reflexo do avanço da moagem de cana e da maior disponibilidade do produto no mercado.
Perspectivas para o mercado
O mercado de açúcar deve permanecer altamente sensível aos próximos dados de produção brasileira, à evolução da moagem no Centro-Sul e às condições climáticas nos principais países produtores.
Caso o El Niño favoreça o desenvolvimento dos canaviais sem comprometer significativamente a colheita, o aumento da oferta poderá exercer pressão adicional sobre os preços. Por outro lado, eventuais problemas climáticos ou redução na produção mundial tendem a sustentar as cotações nas bolsas internacionais.
Enquanto isso, compradores e vendedores seguem adotando postura cautelosa, aguardando sinais mais claros sobre a evolução da safra e do equilíbrio entre oferta e demanda nos mercados interno e externo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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