Açúcar inicia semana sob pressão: preços caem nas bolsas internacionais, mercado brasileiro resiste e clima segue no radar da safra
Cotações do açúcar recuam em Nova York e Londres diante da melhora da oferta global, enquanto negócios pontuais sustentam os preços no mercado paulista. Clima, petróleo, câmbio e avanço da safra seguem no centro das atenções do setor sucroenergético
Publicado em: 14/07/2026 às 11:10hs
O mercado mundial de açúcar iniciou a semana em um cenário de ajustes nas cotações internacionais, refletindo expectativas mais favoráveis para a oferta global da commodity. Enquanto as bolsas de Nova York e Londres registraram novas perdas, o mercado físico brasileiro apresentou comportamento mais resiliente, com negociações pontuais mantendo relativa estabilidade nos preços do açúcar cristal em São Paulo.
O movimento acompanha um momento de transição da safra no Centro-Sul do Brasil, em que fatores climáticos, ritmo da moagem, câmbio e preços do petróleo continuam influenciando diretamente a formação dos preços do açúcar e do etanol.
Mercado paulista mantém estabilidade com negócios pontuais
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o mercado físico paulista permanece relativamente equilibrado, apesar da pressão observada nas bolsas internacionais.
Os compradores seguem acompanhando atentamente o avanço da colheita e da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul, enquanto os vendedores permanecem firmes nas negociações, limitando concessões nos preços.
Segundo os pesquisadores do Cepea, as chuvas registradas entre maio e junho reduziram temporariamente o ritmo das operações no campo e nas usinas. Em contrapartida, a umidade favoreceu o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos na segunda metade da temporada, o que melhora as perspectivas produtivas para o restante da safra.
Esse equilíbrio entre menor ritmo operacional e boas expectativas para a produtividade futura ajuda a explicar a estabilidade observada nas negociações domésticas.
Bolsas internacionais ampliam perdas
No mercado externo, os contratos futuros do açúcar voltaram a fechar em baixa tanto na ICE Futures US, em Nova York, quanto na ICE Europe, em Londres.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 encerrou cotado a 14,75 cents de dólar por libra-peso, com recuo de 0,13 centavo (-0,87%). O vencimento março de 2027 terminou negociado a 15,66 cents/lbp, também registrando perdas, enquanto os demais contratos acompanharam o movimento negativo.
Em Londres, o açúcar branco também perdeu força. O contrato agosto de 2026 fechou a US$ 463,10 por tonelada, enquanto outubro encerrou em US$ 457,80 e dezembro em US$ 457,70 por tonelada, todos com desvalorizações expressivas no pregão.
Oferta global maior reduz prêmio de risco
A principal pressão sobre o mercado internacional continua sendo a melhora das perspectivas para a produção mundial.
As chuvas mais favoráveis durante o período de monções na Índia reduziram as preocupações com possíveis perdas na safra do segundo maior produtor global de açúcar. Com isso, parte do prêmio de risco incorporado às cotações nas últimas semanas foi retirada do mercado.
Além disso, os contratos passaram por um movimento de correção técnica após atingirem as maiores cotações em quase dois meses na semana anterior.
Outro fator que contribuiu para o recuo foi a desvalorização do real frente ao dólar. O câmbio mais favorável aumenta a competitividade das exportações brasileiras, estimulando a oferta internacional do produto e pressionando as cotações futuras.
Petróleo limita movimento de baixa
Apesar do cenário predominantemente negativo, especialistas avaliam que o mercado continua encontrando fatores de sustentação.
A recuperação dos preços internacionais do petróleo aumenta a competitividade econômica do etanol frente aos combustíveis fósseis. Esse movimento pode incentivar as usinas brasileiras a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustíveis, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.
Além disso, o mercado segue monitorando possíveis impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que podem alterar o potencial produtivo em importantes regiões produtoras ao longo dos próximos meses.
Mercado interno registra pequenas quedas
Mesmo com negociações pontuais sustentando parte dos preços físicos, os indicadores oficiais mostraram leve retração.
O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo encerrou o dia cotado a R$ 90,72 por saca de 50 quilos, queda diária de 0,54%.
No acumulado de julho, o indicador registra recuo de 0,60%, refletindo o aumento da disponibilidade do produto no mercado físico durante o avanço da safra.
Etanol também acompanha movimento de baixa
O mercado de etanol hidratado segue pressionado pelo aumento da oferta nas usinas paulistas.
O Indicador Diário ESALQ/BM&FBovespa de Paulínia apontou o biocombustível a R$ 2.262,00 por metro cúbico, com retração diária de 0,13%.
No acumulado de julho, o etanol registra queda de 4,38%, refletindo o maior volume produzido nesta fase da safra sucroenergética.
Perspectivas para o mercado de açúcar
O comportamento do mercado nas próximas semanas continuará sendo determinado por uma combinação de fatores nacionais e internacionais.
Entre os principais pontos monitorados pelos investidores estão:
- avanço da colheita e da moagem no Centro-Sul do Brasil;
- condições climáticas na Índia e em outros grandes produtores;
- comportamento do dólar frente ao real;
- evolução dos preços internacionais do petróleo;
- definição do mix de produção entre açúcar e etanol nas usinas brasileiras.
Embora a maior oferta global tenha reduzido parte da pressão altista observada recentemente, o mercado ainda permanece sensível às condições climáticas e às oscilações do setor energético, fatores que podem devolver volatilidade às cotações ao longo da safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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