Açúcar dispara nas bolsas internacionais com queda da produção no Brasil e mercado interno amplia ganhos
Redução da oferta no Centro-Sul, avanço do petróleo, valorização do real e preocupações climáticas na Europa impulsionam as cotações do açúcar em Nova York, Londres e no mercado físico brasileiro. Etanol também registra valorização em agosto
Publicado em: 07/08/2026 às 11:10hs
O mercado global do açúcar encerrou a quinta-feira (6) em forte alta, refletindo um conjunto de fatores que reforçam as preocupações com a oferta da commodity. A combinação entre a expressiva queda da produção brasileira, o avanço dos preços do petróleo, a valorização do real frente ao dólar e os riscos climáticos para a produção de beterraba na Europa sustentou uma valorização consistente dos contratos futuros negociados nas bolsas internacionais.
No Brasil, o movimento também foi acompanhado pelo mercado físico. O açúcar cristal registrou nova alta no Estado de São Paulo, enquanto o etanol hidratado manteve trajetória positiva em Paulínia, indicando um ambiente favorável para o setor sucroenergético.
Açúcar sobe em Nova York com menor oferta brasileira
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em alta.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou cotado a 15,57 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,42 centavo, equivalente a aproximadamente 2,8% sobre a sessão anterior.
Já o contrato março de 2027 encerrou a 16,49 centavos por libra-peso, com valorização de cerca de 2,4%, enquanto os demais vencimentos também registraram ganhos consistentes.
O mercado assimilou os números divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que confirmaram uma redução significativa da produção de açúcar na principal região produtora do país.
Produção de açúcar no Centro-Sul recua mais de 26%
Segundo a UNICA, a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil totalizou 3,90 milhões de toneladas em junho, volume 26,33% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, quando foram produzidas 5,30 milhões de toneladas.
A moagem de cana também apresentou retração relevante, caindo 14,5%, para 69,79 milhões de toneladas, reforçando a percepção de menor disponibilidade da matéria-prima.
No acumulado da safra 2026/27, a fabricação de açúcar soma 10,75 milhões de toneladas, queda de 12,38% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Esses indicadores aumentam a preocupação dos investidores quanto à oferta global da commodity e seguem oferecendo sustentação às cotações internacionais.
Petróleo, câmbio e clima fortalecem mercado
Além dos números da produção brasileira, outros fatores contribuíram para a valorização dos contratos futuros.
O avanço das cotações internacionais do petróleo aumenta a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis, incentivando as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a disponibilidade de açúcar.
Outro fator relevante foi a valorização do real frente ao dólar, que tende a reduzir o ritmo das exportações brasileiras ao diminuir a atratividade das vendas externas.
No cenário internacional, persistem preocupações com o clima quente e seco em importantes regiões produtoras de beterraba sacarina da União Europeia, condição que pode comprometer a produtividade e reduzir a oferta global de açúcar.
Londres acompanha valorização do açúcar branco
Na ICE Futures Europe, em Londres, os contratos do açúcar branco também encerraram o dia em forte alta.
O contrato outubro de 2026 avançou US$ 10,00, fechando a US$ 486,90 por tonelada.
O vencimento dezembro de 2026 subiu US$ 9,60, para US$ 486,50 por tonelada, enquanto o março de 2027 encerrou cotado a US$ 487,50, com ganho de US$ 9,30.
O movimento reforça a percepção de um mercado global mais apertado diante da redução da produção brasileira e das incertezas climáticas em outras regiões produtoras.
Mercado interno registra recuperação dos preços
No mercado físico brasileiro, o açúcar cristal branco também apresentou valorização.
O Indicador CEPEA/ESALQ apontou a saca de 50 quilos negociada a R$ 93,88, alta diária de 1,52%.
Com esse desempenho, o indicador acumula valorização de 2,60% em agosto, refletindo a recuperação dos preços domésticos acompanhando o cenário internacional.
Produção de etanol cresce e reforça estratégia das usinas
Enquanto a produção de açúcar recua, as usinas continuam ampliando a fabricação de etanol.
Segundo os dados da UNICA, a produção do biocombustível atingiu 3,80 bilhões de litros em junho, crescimento de 2,47% na comparação anual.
No acumulado da safra 2026/27, a produção alcança 11,37 bilhões de litros, avanço de 20,44%, evidenciando uma maior destinação da cana para o etanol diante das condições de mercado.
Em Paulínia (SP), o Indicador Diário do Etanol Hidratado registrou preço de R$ 2.137,50 por metro cúbico, alta de 0,19% no dia. No acumulado de agosto, o biocombustível já apresenta valorização de 0,35%.
Perspectivas para o mercado do açúcar
O mercado segue atento aos próximos relatórios da safra brasileira e às condições climáticas nos principais produtores mundiais.
Enquanto persistirem os sinais de menor oferta no Centro-Sul, aliados ao fortalecimento do mercado de energia e às incertezas sobre a produção europeia, a tendência é de manutenção da volatilidade e de suporte para os preços internacionais do açúcar.
Para o produtor brasileiro, o cenário permanece favorável, com valorização simultânea do açúcar e do etanol, ampliando as oportunidades de rentabilidade para o setor sucroenergético.
Fonte: Portal do Agronegócio
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