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Análise de Mercado

Demanda por resina reciclada cresce mais de 35% no agronegócio e amplia pressão sobre indústria

Avanço dos plásticos reciclados e das exigências de logística reversa fortalece a economia circular no campo e aumenta a necessidade de capacidade produtiva para embalagens de defensivos agrícolas.


Publicado em: 22/09/2026 às 14:30hs

Demanda por resina reciclada cresce mais de 35% no agronegócio e amplia pressão sobre indústria

O avanço da sustentabilidade no agronegócio brasileiro está transformando a demanda por matérias-primas e impulsionando o mercado de plásticos reciclados. A procura por resinas recicladas no setor agropecuário cresceu mais de 35% em um ano, segundo levantamento encomendado pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

O movimento ocorre em um momento de expansão da produção nacional de resina plástica reciclada pós-consumo (PCR). De acordo com o estudo, o volume produzido no Brasil aumentou quase 8% e ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas.

O crescimento coloca a indústria diante de um novo desafio: ampliar a oferta de materiais reciclados mantendo os padrões de desempenho, segurança e qualidade exigidos pelas cadeias produtivas do agronegócio.

Embalagens recicladas ganham espaço no campo

Um dos segmentos que acompanha esse movimento é o de embalagens destinadas ao acondicionamento de defensivos agrícolas. Nesse mercado, a Campo Limpo Reciclagem, instalada em Taubaté (SP), possui capacidade para produzir até 17 milhões de embalagens recicladas por ano.

A empresa utiliza resina proveniente do processo de logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas recolhidas pelo Sistema Campo Limpo.

Segundo o presidente da Campo Limpo Reciclagem, Marcelo Okamura, o crescimento do mercado de resinas recicladas está relacionado ao avanço das políticas de gestão de resíduos e à ampliação das exigências de logística reversa.

“O aumento da produção da resina plástica reciclada no Brasil vem sendo impulsionado pelos avanços na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), por metas mais rígidas de logística reversa e por novas regras sobre gestão de resíduos”, afirma Okamura.

Para o executivo, esse processo também contribui para ampliar a circularidade dos materiais plásticos no país.

Logística reversa transforma embalagem usada em nova matéria-prima

O modelo adotado pela cadeia de embalagens de defensivos agrícolas tem como uma de suas principais características o reaproveitamento do material após o consumo.

Depois de utilizar o produto, o produtor rural encaminha as embalagens vazias às unidades de recebimento do Sistema Campo Limpo. O material passa então por etapas de coleta, triagem e processamento antes de chegar às unidades de reciclagem.

Na Campo Limpo Reciclagem, as embalagens são processadas e transformadas novamente em resina de alto desempenho. O material reciclado retorna posteriormente à cadeia produtiva para a fabricação de novas embalagens.

O processo cria um ciclo de reaproveitamento no qual o resíduo deixa de ser tratado apenas como descarte e passa a funcionar como matéria-prima para uma nova etapa da produção.

Desempenho técnico é desafio para expansão da resina reciclada

O aumento da utilização de materiais reciclados pelo agronegócio exige que a indústria concilie sustentabilidade e desempenho técnico.

De acordo com Marcelo Okamura, as embalagens produzidas com resina reciclada apresentam características estruturais e químicas adequadas às exigências do segmento de defensivos agrícolas.

Outro indicador destacado pela empresa é o impacto ambiental associado à produção das embalagens. Segundo a Campo Limpo Reciclagem, cada embalagem de 20 litros produzida com seu processo de reciclagem evita a emissão de aproximadamente 1,49 quilo de CO₂ equivalente.

O dado reforça a importância da utilização de materiais reciclados como parte das estratégias de redução da pegada ambiental das cadeias produtivas.

ESG aumenta pressão por materiais reciclados

Além das exigências regulatórias, as metas ambientais adotadas por empresas e grandes cadeias produtivas também estão estimulando a procura por matérias-primas recicladas.

Nesse contexto, a economia circular ganha relevância para o agronegócio ao conectar três etapas: produção, consumo e reaproveitamento.

O avanço da demanda por resinas pós-consumo também cria oportunidades para investimentos em infraestrutura, tecnologia e capacidade industrial voltados à reciclagem.

Para a cadeia de defensivos agrícolas, o fortalecimento desse modelo permite transformar embalagens utilizadas no campo em insumos para novos produtos, reduzindo a necessidade de matérias-primas virgens e ampliando o aproveitamento dos resíduos.

Economia circular como estratégia para o agronegócio

A combinação entre logística reversa, reciclagem industrial e utilização de resinas pós-consumo coloca o agronegócio no centro de uma transformação na cadeia de plásticos.

Com a demanda por materiais reciclados crescendo acima do ritmo geral do mercado em determinados segmentos, a ampliação da capacidade produtiva tende a ganhar importância para atender às necessidades das empresas e às novas metas ambientais.

O movimento mostra que a sustentabilidade deixou de estar restrita à gestão de resíduos e passou a integrar decisões relacionadas a produção, abastecimento, inovação e competitividade no agronegócio brasileiro.

Nesse cenário, o fortalecimento da indústria de reciclagem e a consolidação de sistemas eficientes de logística reversa tornam-se elementos importantes para ampliar a circularidade dos materiais utilizados pelo setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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