Açúcar dispara em Nova York e Londres com chuvas no Brasil e queda prevista na produção europeia
Cotações atingem o maior patamar de agosto diante do atraso na colheita brasileira, da redução da safra de beterraba na União Europeia e das incertezas sobre a oferta global; cristal e etanol também sobem no mercado interno
Publicado em: 28/08/2026 às 11:20hs
O mercado internacional do açúcar encerrou a quinta-feira (27) com fortes ganhos nas bolsas de Nova York e Londres, alcançando o maior patamar de agosto. As cotações foram impulsionadas pelas chuvas no Centro-Sul do Brasil, pela perspectiva de maior utilização da cana para a fabricação de etanol e pela previsão de queda acentuada na produção da União Europeia.
Após a correção registrada no meio da semana, o açúcar bruto recuperou força e terminou a sessão próximo das máximas do dia. O açúcar branco acompanhou o movimento, com valorizações expressivas nos contratos de curto prazo.
No mercado brasileiro, o açúcar cristal branco medido pelo Cepea/Esalq e o etanol hidratado negociado em Paulínia também avançaram, ampliando os ganhos acumulados em agosto.
Açúcar bruto sobe 3,4% na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures US, o contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro de 2026 avançou 0,60 centavo, equivalente a 3,4%, e encerrou cotado a 18,19 centavos de dólar por libra-peso.
O contrato março de 2027 também subiu 3,4%, com ganho de 0,63 centavo, para 19,19 centavos de dólar por libra-peso.
Entre os demais vencimentos, maio de 2027 avançou 0,48 centavo e fechou a 18,54 centavos por libra-peso. Julho de 2027 subiu 0,36 centavo, para 18,06 centavos, enquanto outubro de 2027 ganhou 0,31 centavo e terminou negociado a 18,05 centavos por libra-peso.
As posições mais distantes também encerraram o pregão no campo positivo, segundo dados da plataforma CZ App.
Açúcar branco registra fortes ganhos em Londres
Na ICE Futures Europe, o açúcar branco apresentou altas ainda mais expressivas nos primeiros vencimentos.
O contrato outubro de 2026 avançou US$ 10,30 e fechou a US$ 524,30 por tonelada. O vencimento dezembro de 2026 ganhou US$ 15,10, alcançando US$ 528,80 por tonelada.
Março de 2027 subiu US$ 18,30 e encerrou cotado a US$ 532,80 por tonelada. Maio de 2027 avançou US$ 17,70, para US$ 532,20 por tonelada.
Os demais contratos também registraram valorização, com ganhos entre US$ 8,20 e US$ 15,40 por tonelada.
Chuvas atrasam colheita de cana no Centro-Sul do Brasil
As chuvas registradas nas principais regiões produtoras do Centro-Sul brasileiro contribuíram para a valorização do açúcar nas bolsas internacionais. As precipitações reduziram o ritmo da colheita de cana-de-açúcar e provocaram preocupações sobre a disponibilidade imediata da matéria-prima.
O Brasil ocupa posição central na formação dos preços internacionais por ser o maior produtor e exportador mundial de açúcar. Dessa forma, qualquer interrupção na moagem ou mudança no direcionamento da cana pode provocar forte reação nos contratos futuros.
Além do impacto climático, operadores apontaram que algumas usinas brasileiras estão ampliando a participação do etanol no mix de produção. A decisão ocorre após a recuperação dos preços do biocombustível nas últimas semanas, tornando sua fabricação mais atrativa em comparação com o açúcar.
Caso essa tendência continue, a oferta brasileira de açúcar poderá ficar mais limitada, aumentando a sustentação das cotações internacionais.
Produção de açúcar da União Europeia pode cair 19%
Outro fator de suporte veio da União Europeia. O Observatório do Mercado de Açúcar do bloco projetou uma produção de 13,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, período compreendido entre outubro de 2026 e setembro de 2027.
Caso a estimativa seja confirmada, o volume representará uma queda de 19% em relação às 16,5 milhões de toneladas previstas para a temporada 2025/26.
A redução é atribuída principalmente às ondas de calor e ao tempo seco, que prejudicaram o desenvolvimento da beterraba sacarina e comprometeram a produtividade em diferentes países europeus.
A perspectiva de menor produção na União Europeia aumenta as preocupações com a oferta mundial, especialmente em um momento no qual o mercado também acompanha possíveis limitações no Brasil e mudanças comerciais na Índia.
Índia movimenta mercado com importação de açúcar
A situação da Índia permanece no centro das atenções. O governo indiano autorizou recentemente a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.
A decisão surpreendeu o mercado porque o país é o segundo maior produtor mundial de açúcar e, em condições normais, figura entre os principais exportadores. A última temporada em que a Índia realizou compras externas relevantes foi 2017/18.
A autorização reforçou a percepção de aperto na disponibilidade interna e contribuiu para as recentes máximas do mercado. Em agosto, as cotações chegaram aos níveis mais elevados em 15 meses em Nova York e em 17 meses em Londres.
Após uma realização pontual de lucros, os contratos voltaram a subir diante dos sinais de oferta restrita nas principais regiões produtoras.
Déficit global pode ser menor que o previsto
Apesar do ambiente favorável às cotações, novas projeções indicam que o déficit mundial de açúcar na safra 2026/27 poderá ser ligeiramente menor do que se estimava anteriormente.
Analistas da Green Pool revisaram a expectativa diante de uma perspectiva mais otimista para a produção indiana. Essa possível recuperação pode compensar parcialmente as perdas previstas em outras origens.
O mercado continua dividido entre os sinais de menor disponibilidade global e as dúvidas sobre o comportamento da demanda, principalmente na Índia e na China.
Açúcar cristal sobe mais de 20% em agosto no Brasil
No mercado interno, o Indicador do Açúcar Cristal Branco Cepea/Esalq, referente a São Paulo, acelerou sua valorização.
A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 110,59 nesta quinta-feira, alta diária de 2,42%. No acumulado de agosto, o avanço chegou a 20,86%. Convertida para a moeda norte-americana, a referência ficou em US$ 21,41 por saca.
A valorização acompanha a firmeza das bolsas internacionais e reflete o equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda no mercado doméstico.
Etanol hidratado acumula alta de 13,62% no mês
O etanol hidratado também avançou no mercado paulista. Conforme o Indicador Diário de Paulínia, o metro cúbico foi negociado a R$ 2.420, com valorização de 0,90% no dia.
Em agosto, o biocombustível acumula alta de 13,62%. A recuperação dos preços aumenta a atratividade da produção de etanol e pode levar as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para o combustível.
Essa disputa pelo mix industrial tende a permanecer entre os principais fatores de influência sobre o mercado. Quanto maior a participação do etanol, menor poderá ser a produção brasileira de açúcar, com reflexos diretos sobre os preços internacionais.
Oferta global mantém açúcar em cenário de volatilidade
O mercado de açúcar deverá continuar sensível às condições climáticas no Centro-Sul do Brasil, à dimensão das perdas na União Europeia e à evolução da produção indiana.
Também estarão no radar o ritmo da moagem brasileira, as decisões das usinas sobre o mix entre açúcar e etanol e a demanda dos grandes importadores mundiais.
Com a combinação de chuvas no Brasil, queda prevista de 19% na produção europeia e incertezas sobre a oferta asiática, as cotações voltaram a encontrar suporte. Entretanto, uma safra melhor na Índia e eventual enfraquecimento da demanda podem limitar novas altas e manter elevada a volatilidade nas bolsas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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