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Açúcar cai mais de 3% em Nova York após máxima de 17 meses, mas preços avançam no Brasil

Realização de lucros pressiona contratos nas bolsas internacionais, enquanto açúcar cristal e etanol hidratado iniciam setembro em alta no mercado paulista; expectativa de déficit global limita perdas


Publicado em: 04/09/2026 às 11:10hs

Açúcar cai mais de 3% em Nova York após máxima de 17 meses, mas preços avançam no Brasil

O mercado internacional de açúcar encerrou a quinta-feira (3) em queda, pressionado por uma correção técnica após a forte valorização registrada nas últimas semanas. Os contratos recuaram nas bolsas de Nova York e Londres, enquanto, no Brasil, os preços do açúcar cristal branco e do etanol hidratado mantiveram trajetória de alta.

De acordo com analistas, o movimento externo foi provocado principalmente pela realização de lucros. A avaliação é que não houve alteração relevante nos fundamentos do mercado, que continuam sustentados pelas preocupações com a oferta mundial e pela perspectiva de déficit na safra 2026/27.

Açúcar cai 3,4% na Bolsa de Nova York

Na ICE Futures US, o contrato do açúcar bruto com vencimento em outubro de 2026 terminou o pregão cotado a 18,07 centavos de dólar por libra-peso. A queda foi de 0,63 centavo, equivalente a 3,4% em relação ao fechamento anterior.

O vencimento março de 2027 recuou 0,60 centavo, ou aproximadamente 3%, para 19,04 centavos por libra-peso. Maio de 2027 perdeu 0,48 centavo e fechou a 18,44 centavos, enquanto julho e outubro de 2027 encerraram a 18,04 centavos, com baixas de 0,36 e 0,27 centavo, respectivamente.

A correção ocorreu depois de o contrato outubro de 2026 alcançar, na quarta-feira (2), 18,77 centavos por libra-peso, maior patamar desde abril de 2025. Diante da valorização acumulada, investidores aproveitaram o momento para realizar ganhos e ajustar posições.

Apesar da queda expressiva, agentes do mercado classificaram o movimento como uma consolidação dos preços, sem mudanças significativas no cenário de oferta e demanda.

Açúcar branco acompanha perdas em Londres

Na ICE Futures Europe, os contratos do açúcar branco também fecharam em baixa. O vencimento outubro de 2026 caiu US$ 12,60, para US$ 526,60 por tonelada.

O contrato dezembro de 2026 perdeu US$ 12,30 e encerrou a US$ 524,30 por tonelada. Março de 2027 recuou US$ 10,80, para US$ 528, enquanto maio de 2027 caiu US$ 9,90 e terminou cotado a US$ 528,30 por tonelada.

Nos vencimentos mais longos, as perdas oscilaram entre US$ 3,20 e US$ 7,70 por tonelada.

Açúcar cristal mantém valorização no Brasil

O cenário foi diferente no mercado físico brasileiro. O Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ, referente ao estado de São Paulo, avançou 0,61% na quinta-feira, com a saca de 50 quilos cotada a R$ 116,11.

Nos primeiros dias de setembro, o indicador acumula valorização de 2,07%. Convertida para a moeda norte-americana, a referência ficou em US$ 22,75 por saca.

A firmeza interna contrasta com a correção observada nas bolsas internacionais e reforça a influência das condições regionais de oferta, demanda e comercialização sobre os preços pagos no mercado brasileiro.

Etanol hidratado também começa setembro em alta

O etanol hidratado acompanhou o movimento positivo no mercado paulista. O Indicador Diário de Paulínia (SP) avançou 0,64%, com o metro cúbico negociado a R$ 2.514.

No acumulado de setembro, o biocombustível registra valorização de 1,76%. O direcionamento de uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol permanece como um dos fatores acompanhados pelo setor, especialmente por seus possíveis impactos sobre a disponibilidade de açúcar.

Déficit global sustenta perspectivas para os preços

Embora o pregão tenha sido marcado por perdas, os fundamentos continuam oferecendo suporte ao mercado. A Organização Internacional do Açúcar estima déficit de 300 mil toneladas na temporada mundial 2026/27, cenário que pode manter os preços sustentados caso ocorram novas restrições de oferta.

Na Índia, as chuvas de monção estavam 13% abaixo da média até 2 de setembro. O déficit diminuiu em relação aos 42% observados no fim de junho, mas ainda mantém o setor em alerta sobre possíveis impactos nas lavouras. O Ministério de Ciências da Terra indiano já havia indicado o risco de a atual temporada de monções ser a mais fraca em 11 anos.

Clima ameaça produção de açúcar na Europa

Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve limitar a produção de açúcar. A estimativa para a União Europeia e o Reino Unido é de 14,98 milhões de toneladas, menor volume dos últimos 11 anos, segundo projeções da S&P Global Energy.

O desempenho abaixo do esperado amplia as preocupações com a oferta internacional e pode reduzir o efeito baixista de movimentos pontuais de correção nas bolsas.

Produção menor no Centro-Sul brasileiro entra no radar

No Brasil, dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apontaram redução de 26,3% na produção de açúcar do Centro-Sul em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Além do resultado mais fraco, o aumento da destinação da cana para a fabricação de etanol pode limitar a recuperação da produção açucareira. O mercado também monitora os possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre importantes países produtores, incluindo Brasil, Índia e Tailândia.

Com esse conjunto de fatores, a queda registrada em Nova York e Londres é interpretada como um ajuste após as máximas recentes. As perspectivas de déficit global, os riscos climáticos e a menor disponibilidade em regiões estratégicas continuam no centro das atenções e podem devolver volatilidade às cotações do açúcar nas próximas sessões.

Fonte: Portal do Agronegócio

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