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Saúde Animal

Vermifugação estratégica em agosto ajuda a proteger bovinos e elevar o ganho de peso na seca

Controle de parasitas no período de menor disponibilidade de pastagens reduz perdas produtivas, melhora o desempenho do rebanho e contribui para a rentabilidade da pecuária


Publicado em: 20/08/2026 às 07:30hs

Vermifugação estratégica em agosto ajuda a proteger bovinos e elevar o ganho de peso na seca

A vermifugação estratégica dos bovinos ganha importância em agosto, período marcado pela intensificação da seca em diversas regiões pecuárias do Brasil. Com menor disponibilidade e qualidade nutricional das pastagens, os animais ficam mais vulneráveis aos efeitos das verminoses, que comprometem o desempenho produtivo mesmo antes do surgimento de sinais clínicos.

Os parasitas estão entre os principais desafios sanitários da pecuária nacional. Estimativas citadas pelo setor indicam que os prejuízos provocados por infestações parasitárias podem alcançar cerca de R$ 70 bilhões por ano no Brasil.

Nesse cenário, o controle preventivo no meio da estação seca é considerado uma ferramenta importante para reduzir a carga parasitária, preservar a saúde dos animais e preparar o rebanho para aproveitar melhor a recuperação das pastagens com o retorno das chuvas.

Verminoses provocam perdas silenciosas no rebanho

As infecções por vermes nem sempre apresentam sintomas facilmente identificáveis. Entretanto, podem reduzir o ganho de peso, prejudicar a conversão alimentar e comprometer o desenvolvimento dos bovinos.

Os impactos também podem atingir a reprodução e prolongar o tempo necessário para que os animais alcancem o peso adequado para comercialização ou entrada na fase reprodutiva. Como consequência, aumentam os custos de produção e diminuem a eficiência econômica da propriedade.

Por essa razão, especialistas recomendam que a vermifugação não seja adotada somente quando os animais já apresentam sinais clínicos. O controle deve fazer parte de um programa sanitário contínuo, elaborado conforme o ciclo dos parasitas, as condições climáticas, o sistema produtivo e as características de cada fazenda.

“Um dos principais desafios é conscientizar o produtor de que a vermifugação não deve acontecer apenas quando há sinais clínicos. Os impactos das verminoses começam antes mesmo de serem percebidos, e um programa preventivo é fundamental para reduzir esses prejuízos”, afirma Elio Moro, gerente técnico da linha de antiparasitários da Zoetis Brasil.

Protocolo 5-8-11 orienta tratamentos ao longo do ano

Entre as estratégias utilizadas para o controle de verminoses está o protocolo 5-8-11, desenvolvido pela Zoetis e validado em estudos conduzidos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O programa estabelece três períodos para a vermifugação dos bovinos:

  • maio, no início da estação seca;
  • agosto, no meio da seca;
  • novembro, no começo do período chuvoso.

A proposta é manter o controle parasitário em momentos determinantes do calendário produtivo. Em maio, o tratamento busca reduzir a presença de parasitas no início da seca. Em agosto, a medida procura proteger os animais durante o período mais crítico de restrição nutricional. Já em novembro, a intervenção acompanha o retorno das chuvas e a recuperação das pastagens.

Controle em agosto reduz pressão sobre os animais

A vermifugação realizada em agosto tem como objetivo diminuir a carga parasitária em um momento no qual os bovinos já enfrentam os efeitos da menor oferta de nutrientes.

Sem o controle adequado, a combinação entre parasitas e baixa qualidade das pastagens pode intensificar a perda de condição corporal e limitar o potencial de recuperação do rebanho quando o período chuvoso começar.

A redução da infestação durante a seca também contribui para diminuir a pressão de infecção nos meses seguintes. Quando integrada ao manejo nutricional e às demais práticas sanitárias, a estratégia pode favorecer ganhos mais consistentes de produtividade.

Estudo aponta ganho adicional de 20 quilos

Estudos realizados com o protocolo 5-8-11 indicaram que o emprego estratégico de moxidectina injetável no meio da seca pode favorecer o ganho de peso dos bovinos após a recuperação das pastagens.

Na avaliação citada pela Zoetis, os animais submetidos às três vermifugações apresentaram ganho adicional de 20 quilos em comparação com o grupo tratado somente em maio e novembro.

O resultado foi associado ao controle contínuo proporcionado pelas aplicações no início e no meio da seca e no começo das águas. O tratamento realizado em agosto teve papel relevante por coincidir com o período de maior estresse nutricional e aumento da pressão parasitária.

Planejamento sanitário deve considerar cada propriedade

Apesar da importância do calendário preventivo, o programa de controle deve considerar as condições específicas de cada rebanho. Categoria animal, histórico de infestações, sistema de criação, clima, manejo das pastagens e eficácia dos princípios ativos podem influenciar os resultados.

O acompanhamento técnico e o monitoramento do rebanho são fundamentais para definir o momento adequado das aplicações, selecionar os produtos e evitar tratamentos desnecessários ou uso incorreto de antiparasitários.

“O sucesso do controle parasitário depende da combinação entre planejamento, monitoramento e uso correto das ferramentas disponíveis. Quando a vermifugação é realizada de forma estratégica, o produtor protege a saúde dos animais, melhora o desempenho produtivo e reduz os impactos econômicos causados pelas verminoses”, conclui Elio Moro.

A adoção de um calendário sanitário bem estruturado transforma a vermifugação em uma ferramenta de gestão produtiva. Mais do que combater parasitas, a prática contribui para melhorar o aproveitamento dos alimentos, o ganho de peso e a rentabilidade da pecuária bovina.

Fonte: Portal do Agronegócio

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