Exportações de café disparam 48,5% em agosto, enquanto milho e carne bovina perdem ritmo
Embarques brasileiros de café verde alcançam 101 mil toneladas nas duas primeiras semanas do mês; soja avança 5,6%, mas milho recua 32% diante da concorrência internacional
Publicado em: 19/08/2026 às 18:00hs
As exportações brasileiras de café verde ganharam força no início de agosto de 2026 e registraram crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, os embarques de milho e carne bovina apresentaram retração, enquanto a soja manteve desempenho positivo.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que a média diária das exportações de café verde alcançou 10,1 mil toneladas nas duas primeiras semanas do mês, avanço de 48,5% na comparação com agosto de 2025.
No acumulado dos dez primeiros dias úteis de agosto, o Brasil embarcou aproximadamente 101 mil toneladas do produto.
Exportações de café reagem após queda em julho
A aceleração dos embarques representa uma recuperação para o setor cafeeiro. Em julho, as exportações brasileiras haviam recuado 5% em relação ao mesmo mês de 2025.
O desempenho mais fraco no mês anterior foi associado, entre outros fatores, ao atraso da colheita provocado pelas chuvas em importantes regiões produtoras. Com menor disponibilidade imediata, o fluxo de café destinado ao mercado externo ficou limitado.
Exportadores já esperavam uma recuperação em agosto, à medida que o avanço da colheita elevasse a oferta do grão e permitisse a entrada de novos lotes no mercado.
O crescimento de 48,5% na média diária confirma, até o momento, essa expectativa. O resultado, contudo, ainda é parcial e poderá sofrer alterações conforme o desempenho dos embarques durante a segunda metade do mês.
Milho registra queda de 32% nos embarques
Enquanto o café avançou, as exportações brasileiras de milho permaneceram abaixo do ritmo observado no ano passado. A média diária embarcada nas duas primeiras semanas de agosto ficou em 221,6 mil toneladas, redução de 32% na comparação anual.
O volume acumulado até a segunda semana chegou a aproximadamente 2,2 milhões de toneladas.
O desempenho chama atenção porque agosto costuma marcar uma aceleração das exportações do cereal, acompanhando a entrada da produção da segunda safra no mercado. Neste ano, porém, o produto brasileiro enfrenta maior concorrência de fornecedores como Argentina e Estados Unidos.
Além da competitividade externa, fatores como preços, câmbio, custos logísticos e disponibilidade nos portos influenciam o ritmo de comercialização e embarque do milho.
Concorrência internacional pressiona milho brasileiro
A recuperação da oferta internacional aumenta a disputa entre os principais exportadores pelos mercados consumidores. Com preços competitivos, Argentina e Estados Unidos podem reduzir o espaço do milho brasileiro em determinados destinos.
O Brasil conta com uma grande disponibilidade interna após a colheita da segunda safra, mas precisa transformar essa oferta em contratos externos para evitar maior pressão sobre os preços pagos ao produtor.
A evolução dos embarques durante as próximas semanas será determinante para medir a capacidade de escoamento da safra e o comportamento das cotações no mercado doméstico.
Exportações de soja crescem 5,6%
A soja apresentou desempenho positivo no início de agosto. A média diária exportada alcançou 468,9 mil toneladas, crescimento de 5,6% em relação ao mesmo mês de 2025.
Nos dez primeiros dias úteis, os embarques brasileiros totalizaram 4,69 milhões de toneladas.
O resultado mantém o Brasil em ritmo elevado de comercialização externa, sustentado pela ampla disponibilidade do grão e pela demanda dos principais países importadores.
Mesmo com o avanço da colheita no Hemisfério Norte se aproximando, a soja brasileira continua competitiva no mercado internacional. Câmbio, prêmios nos portos, demanda chinesa e desempenho da safra norte-americana permanecem entre os principais fatores acompanhados pelos agentes do setor.
Carne bovina tem redução de 26,1% na média diária
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada também perderam velocidade nas duas primeiras semanas de agosto.
A média diária embarcada ficou em 9,4 mil toneladas, recuo de 26,1% frente ao mesmo período do ano passado. O volume acumulado chegou a 94,4 mil toneladas.
Apesar da retração parcial, o Brasil permanece como um dos principais fornecedores mundiais da proteína. O desempenho mensal dependerá da evolução das vendas aos grandes mercados, do ritmo das liberações portuárias e da demanda internacional ao longo dos próximos dias.
Desempenho das exportações mostra cenário desigual no agro
Os dados da Secex revelam trajetórias distintas entre os principais produtos do agronegócio brasileiro no início de agosto:
- Café verde: alta de 48,5% na média diária, com 101 mil toneladas embarcadas;
- Soja: avanço de 5,6%, totalizando 4,69 milhões de toneladas;
- Milho: queda de 32%, com volume acumulado de 2,2 milhões de toneladas;
- Carne bovina: retração de 26,1%, somando 94,4 mil toneladas.
O avanço do café e da soja favorece a receita exportadora do agronegócio, enquanto a menor movimentação de milho e carne bovina reforça a necessidade de acompanhar a concorrência internacional, o comportamento da demanda e as condições logísticas.
Como os números abrangem apenas as duas primeiras semanas de agosto, o resultado consolidado do mês ainda poderá apresentar mudanças relevantes. A velocidade dos embarques na segunda quinzena será decisiva para confirmar a recuperação do café e avaliar se milho e carne bovina conseguirão reduzir as perdas acumuladas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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